Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura - Pesquisas com fitomedicamentos, uma chance de proteger a biodiversidade
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Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura

Pesquisas com fitomedicamentos, uma chance de proteger a biodiversidade

11/06/2005
por: Areta Braga
Aluna do Curso de Especialização em Jornalismo Científico - Labjor/UNICAMP

Numa tentativa de criar políticas de estímulo a inovação tecnológica, o Governo Federal, por meio do  Comitê de Coordenação dos Fundos Setoriais do Ministério da Ciência e Tecnologia, divulgou, em 19 de janeiro de 2005, um documento com as propostas de ações transversais para 2005.  Nele estão reunidas as deliberações do comitê no que se refere às diretrizes para alocação de recursos de fundos setoriais e fica bastante clara a intenção de promover uma maior integração entre os centros de pesquisa e os setores produtivos, principalmente quando são citadas as macro ações de apoio à política industrial, tecnológica e de comércio exterior (PITCE).

Entre as propostas que visam estimular a articulação do setor privado, principalmente de empresas nacionais, com os centros de pesquisa, impulsionar o desenvolvimento de projetos de pesquisa comprometidos com demandas sociais, estimular a produção de patentes e, enfim, conseguir transformar a C&T brasileira em inovação, gerar produção, empregos e desenvolvimento econômico, uma em especial atrai a atenção daqueles que se preocupam com meio ambiente,  a que fala sobre o apoio a pesquisas que visem o desenvolvimento de fitomedicamentos.

Esta medida é  de suma importância se levarmos em consideração a riqueza da biodiversidade brasileira. A fauna e a flora do nosso país possuem um imenso valor econômico e social, ainda não explorados adequadamente. 

As pesquisas com fitomedicamentos podem auxiliar na preservação da floresta amazônica e da mata atlântica, uma vez que a  população poderá ser conscientizada da riqueza ambiental e material que  poderia ser perdida com a devastação destas áreas, hoje, ameaçadas pelo desenvolvimento sem sustentabilidade. Essas pesquisas também podem auxiliar no combate à biopirataria, pois devido  ao desconhecimento científico sobre as plantas e animais brasileiros,  falta de fiscalização e punições severas ao contrabando ambiental, muitos laboratórios e cientistas estrangeiros têm realizado trabalhos com produtos naturais extraídos de nosso país e, por vezes, até mesmo patenteado plantas e animais das nossas florestas, principalmente da Mata Atlântica, tão importante quanto a Amazônia, mas bem menos citada nos noticiários nacionais e internacionais.

Em todo o mundo, a ONG Conservation International identificou 25 Hotspots, ou seja, os pontos onde existem os ecossistemas mais ricos em biodiversidade e ameaçados de destruição. Pela sua altíssima variedade de espécies, endemismo e elevada taxa de desmatamento, a Mata Atlântica está entre esses pontos.

No início da colonização, 80% de todo o território brasileiro era coberto por este bioma, hoje esse índice foi reduzido para 7%. Nos últimos 10 anos, o ritmo da devastação tem sido tão intenso que a Mata Atlântica perdeu 1 milhão de hectares, isso equivale a desmatar 1 campo de futebol a cada 5 minutos.

Essa destruição oferece riscos diretos a, aproximadamente, 120 mil pessoas que vivem na área de domínio dessa mata e têm sua qualidade vida diretamente ligada à preservação da floresta, que lhes garante água de qualidade, clima adequado, protege do deslizamento das encostas e, muitas vezes, garante a renda familiar por meio do extrativismo e da pesca. Isso sem falar nos demais brasileiros que sofrerão os impactos da devastação indiretamente.

A chamada do Governo Federal para ações transversais que contemplam a pesquisa com fitomedicamentos, demonstra que a preocupação, surgida inicialmente entre pesquisadores e ambientalistas, de estudar, descobrir, valorizar, preservar, bem como, utilizar de maneira inteligente e sustentável as incontáveis riquezas naturais de nossas matas é legitima e merece atenção. Esperamos que ela seja mais um alerta e auxilie para que as florestas não continuem sendo derrubadas de maneira inconseqüente para dar lugar a atividades poluidoras, mas passem a ser preservadas para garantir renda e qualidade de vida.

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