AIDS / HIV - Brasil desenvolve e testa nova vacina anti-Aids
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AIDS / HIV

Brasil desenvolve e testa nova vacina anti-Aids

18/06/2005


Um tratamento desenvolvido por brasileiros e franceses que já se mostrou capaz de reduzir em pelo menos 80% a concentração de vírus no organismo de portadores do HIV começa a ser testado em concentração mais alta a partir de outubro no Brasil

Letícia Lins escreve para “O Globo”:

A expectativa é animadora: ampliar ainda mais seu espectro de ação. A substância, uma vacina terapêutica, será aplicada em 40 voluntários — brasileiros e estrangeiros que virão ao país especialmente para o teste.

A vacina terapêutica não previne a doença. Sua função é reforçar a capacidade de defesa do sistema imunológico. Ela é personalizada, elaborada a partir de sangue retirado dos próprios pacientes. A substância é destinada a pessoas infectadas pelo HIV mas que ainda não apresentam os sintomas da Aids e que, por isso, não tomam as drogas do coquetel. Se sua eficácia for comprovada, os pacientes poderão ficar livres do consumo excessivo de remédios, associados a efeitos colaterais.

A primeira etapa do estudo, publicada no fim do ano passado na revista “Nature Medicine”, revelou promissores resultados obtidos com a substância desenvolvida no Laboratório Keizo Asami (da Universidade Federal de Pernambuco) e na Universidade Paris V. Assinado pelos brasileiros Luiz Cláudio Arraes e Wylla Tatiana Ferreira e por Jean Marie Andrieu e Wei Lu, o artigo mostrou que a concentração de vírus (carga viral) foi reduzida em pelo menos 80% nos 18 pacientes HIV positivos testados em Recife nos últimos três anos.

— Em oito deles, durante quase dois anos o vírus sequer foi detectado — afirma Luiz Cláudio Arraes, coordenador da pesquisa em Recife.

Em outros, no entanto, após certo tempo a infecção retornou ao seu curso normal. O infectologista informou, porém, que a substância não se revelou tóxica em qualquer voluntário, o que permite, agora, aumentar a dosagem. Para a segunda etapa, a meta é elevar a concentração de 10% para 100%. Os testes serão feitos em Recife. Entre os voluntários há belgas, americanos e franceses. A vacinação é feita em dose única, aplicada na virilha ou na axila.

Consórcio internacional é criado para o teste

Para ampliar e facilitar as investigações nesta segunda etapa foi criado um consórcio internacional envolvendo seis instituições de pesquisa: a UFPE, o Centro de Pesquisas Ageu Magalhães (órgão da Fiocruz em Recife), a Escola Paulista de Medicina, a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Johns Hopkins (EUA).

De acordo com o médico Ernesto Marques Júnior, que representa a Fiocruz e a universidade americana no consórcio, há ainda algumas perguntas a respeito da substância que os especialistas buscarão responder no novo teste. Entre elas, como ocorre o reforço imunológico, quais os mecanismos do sistema de defesa associados ao controle do vírus, que regiões do HIV estão sendo reconhecidas pelo organismo e por que alguns pacientes responderam melhor do que outros à vacina.

Mesmo que tudo dê certo, os especialistas estimam que serão necessários cerca de dez anos para que o produto chegue ao mercado e se torne acessível à população.
(O Globo, 17/6)

Jornal da Ciência- SBPC


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