Reumatologia/Doenças Auto-Imune - Glucosamina
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Reumatologia/Doenças Auto-Imune

Glucosamina

09/07/2005
 

Apesar de terem sido relatados na literatura, desde os anos 40, os efeitos benéficos do alivio dos sintomas da osteoartrite só foram avaliados na Europa em meados de 1970.  Desde então, mais de 20 estudos clínicos envolvendo quase 3000 pacientes, comprovando a eficiência da suplementação de Glicosamina no tratamento de artrite, foram publicados na literatura.

A maioria dos estudos envolvendo glicosamina tem utilizado o sal sulfato misto de sódio, entretanto outras formas disponíveis incluem a glicosamina na forma de cloridrato, sulfato, N-acetilada (N-Acetil-Glicosamina) além da forma Poli-N-acetilada (Quito-oligossacarídeos).  O uso de glicosamina em uma forma que não seja um sal não tem resultado em uma boa biodisponibilidade de glicosamina porque estes compostos não são bem absorvidos no trato intestinal. Ao invés disso, a glicosamina é metabolizada por bactérias e excretadas nas fezes.

            A farmacocinética do Sulfato de Glicosamina tem sido recentemente revisada por Deal e Moskowitz e por Barclay e colaboradores. Tendo sido investigada após administração intravenosa, intramuscular e oral em cães, camundongos e humanos.

A seguir são descritos alguns dos principais estudos envolvendo a administração da Glicosamina no tratamento de artrite em seres humanos.

Um dos estudos mais importantes foi realizado por Dovanti e colaboradores em 1980 na Itália (Milão). Neste estudo (duplo cego), realizado com 80 pacientes durante 30 dias, todos sofrendo de artrose, é mostrada claramente a eficiência da suplementação de Glicosamina através da ingestão de Sulfato de Glicosamina. Foram administrados desta maneira 1.5g de Sulfato de Glicosamina ou placebo (cápsulas sem valor medicinal) diariamente aos pacientes.

Os pacientes que receberam glicosamina apresentaram aproximadamente 70% no grau de melhora em todos os sintomas, enquanto que somente a metade dos pacientes tratados com placebo relatou alguma melhora. Uma melhora na sensibilidade, no inchaço, na movimentação e na dor foi observada com somente após duas semanas de tratamento. Os autores atribuíram estes resultados à ação condroprotetora, além das propriedades anti-inflamatória  e analgésica da glicosamina.

Um outro estudo duplo cego, realizado nas Filipinas pelo Dr. Pujalte e colaboradores, envolveu 20 pacientes com artrose nos joelhos por um período de 6 a 8 semanas. Estes pacientes foram divididos em dois grupos, onde ao primeiro grupo foram administrados 500 mg de Sulfato de Glicosamina e ao outro grupo, placebo três vezes ao dia. Neste estudo, 80 a 100% dos pacientes dos que tomaram Glicosamina melhoraram durante o tratamento contra 20 a 40% dos tomaram placebo.

Um estudo realizado em 1980 na Universidade de Mahidol em Bancok-Tailândia pelo Dr. Vajaradul e colaboradores também analisaram os efeitos benéficos do Sulfato de Glicosamina em pacientes com artrose no joelho. Os pacientes foram divididos em dois grupos de 30 pacientes. Em um dos grupos foi administrado um placebo e ao outro foi administrado Sulfato de Glicosamina na forma injetável.  A fase ativa do estudo durou 5 semanas e ao final deste estudo os pesquisadores puderam observar que treze dos pacientes que receberam Sulfato de Glicosamina ficaram completamente sem dor, enquanto que somente dois que fizeram uso do placebo mostraram uma completa isenção de sintomas. Não só os níveis de dor foram menores nos pacientes tratados com Glicosamina, como também os níveis dos sintomas individuais.

Um estudo realizado com 1.209 pacientes realizado em Portugal por 252 médicos, coordenado pelo Dr. M. J. Tapadinhas (1982), verificou o grau, a eficácia e a tolerância da Glicosamina  por parte dos pacientes no tratamento da artrose. A estes pacientes foram administradas 3 doses diárias de 1,5g de glicosamina por um período médio de 50 dias. Assim como os trabalhos anteriormente relatados, as dores foram medidas de quatro maneiras diferentes: em repouso, quando de pé, sob exercício e durante movimentos leves, tanto ativos como passivos. Foi possível concluir neste estudo que:

 v     A dor melhorou gradualmente durante o período de tratamento.

v     95% dos pacientes que participaram dos estudos obtiveram uma resposta clínica que variou entre “suficiente” e “boa”.

v     A Glicosamina provou ser uma substância com poder residual, continuando ter resultados até de 6 a 12 semanas após o tratamento ser interrompido.

v     86% dos pacientes não relataram efeitos colaterais.

v     Dos que apresentaram efeitos colaterais, só houve queixa de desconforto gastrintestinais, que desapareceram, em média, entre 1 a 3 semanas.

Qiu e colaboradores (1998) reportaram a eficácia do sulfato de glicosamina (1,5 g por dia) em comparação com o ibuprofeno (1,2 g por dia) em pacientes com osteoartrite no joelho. Efeitos similares foram observados em ambos os grupos durante o tratamento. Duas semanas após o termino do estudo, um efeito terapêutico ainda existia em ambos os grupos, porém este efeito foi maior no grupo da glicosamina. Além disso, a glicosamina foi melhor tolerada do que o ibuprofeno apresentando efeitos colaterais menores.

Leffer e colaboradores realizaram em 1999 um ensaio clínico envolvendo 34 mulheres da Marinha Americana (US NAVY) com dores crônicas e evidencias radiográficas de problemas lombares e no joelho. Os sintomas de osteoartrite do joelho foram reduzidos conforme demonstrado por várias avaliações incluindo exames físicos (cerca de 43%), concluindo-se assim que a terapia alivia os sintomas de osteoartrite no joelho, no entanto vários ensaios foram necessários para doenças na espinha dorsal.

Um dos mais recentes estudos dos efeitos do sulfato de glicosamina foi reportado por Reginster e colaboradores no periódico “American College of Reumatology” em 1999. Neste estudo, foram determinados os efeitos da administração contínua do sulfato de glicosamina (1,5g por dia) por um período de 3 anos em pacientes com osteoartrite no joelho.

Em 1999 Houpt e colaboradores conduziram suas investigações sobre a eficácia do Cloridrato de Glicosamina nas dores e desabilidade de alguns pacientes com osteoartrite de joelho e observaram os benefícios da Glicosamina na forma de Cloridrato.

 

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