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Gravidez/Parto/Obstetrícia

Amparo na hora do parto

18/07/2005

Portaria do Ministério da Saúde reconhece importância do atendimento prestado pelas doulas às gestantes e estabelece diretrizes para política nacional de atenção obstétrica

O projeto Doulas Comunitárias, desenvolvido no Hospital Sofia Feldman (HSF) há oito anos, deixou de ser uma proposta alternativa de apoio a gestantes para fazer parte das ações de saúde pública. O Ministério da Saúde publicou, neste mês, a Portaria 1.067, que certifica a importância da participação de voluntárias para ajudar outras mulheres no momento do parto. Essa portaria estabelece critérios para a criação de uma Política Nacional de Atenção Obstétrica e Neonatal, no Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se da oficialização de várias ações importantes que servem para oferecer atendimento humanizado às grávidas e recém-nascidos.

A assistência prestada pelas doulas no Sofia Feldman é um projeto pioneiro que serve de exemplo para o País. O hospital firmou convênio com o Ministério da Saúde, em 2002, para treinamento de mulheres que atuam em outras maternidades que atendem o SUS. Até o momento, 12 capacitações foram feitas em nove cidades brasileiras, nas capitais São Luís (MA), Natal (RN), Recife (PE), Goiânia(GO), Brasília (DF), Salvador (BA), Boa Vista (RR), Fortaleza (CE) e Dourados (MS). Ontem esse trabalho do HSF foi premiado pela organização não-governamental (ONG) Amigas do Parto.

Nos momentos que antecedem o parto, elas dão uma atenção especial às mulheres que chegam inseguras e tensas. A presença encoraja as gestantes a viverem com tranqüilidade o nascimento da criança. São elas que vão ajudar as mulheres a administrarem cuidados e métodos não farmacológicos para alívio da dor, como caminhadas e exercícios para facilitar a dilatação e a evolução do parto. As doulas são peças fundamentais para atender, principalmente, as maternidades públicas que recebem um grande percentual de mulheres que chegam sozinhas para o parto.

Entre as medidas de conforto, as doulas oferecem massagens naquelas gestantes que manifestam desejo de serem tocadas e assim se sentirem mais tranqüilas. “Todos os cuidados que elas oferecem servem para atender a necessidade individualizada de cada mulher. Para muitas, a simples presença de ter alguém do lado, lhe passando segurança, já é o suficiente”, classifica a referência técnica do projeto Doulas Comunitárias do HSF, Júlia Amaral.

Atualmente são 14 doulas no Hospital Sofia Feldman, acompanhando mulheres no parto. Elas estão incluídas na equipe médica, que conta com uma doula a cada plantão de 12 horas. Segundo a coordenadora do projeto no HSF, a presença é uma maneira de resgatar aqueles cuidados que as mulheres tinham quando os partos eram feitos em casa. “A assistência hospitalar serviu para diminuir as taxas de mortalidade materno-infantil, principalmente nos casos em que há intercorrências nos partos. Mas por outro lado, no ambiente hospitalar, muitas se sentem inseguras, pois estão vivendo uma experiência inusitada em um ambiente estranho. Ela faz parte da equipe mas não pode ser vista como mais um profissional técnico que irá atuar no momento do parto. É uma companhia para dar força para quem precisa ter força”, define, Júlia Amaral.

FAMÍLIA Após criar os dez filhos, a dona de casa Maria Isabel da Silva, de 57 anos, descobriu que o seu talento para zelar de sua família deveria ser compartilhado com outras pessoas. Depois de acompanhar duas vizinhas durante o parto, ela decidiu se inscrever para ser voluntária no HSF, há três anos. “Passei a vida cuidando dos filhos e quando eles cresceram decidi que também não ficaria o tempo todo em casa. Me inscrevi e estou amando ficar aqui. Passo a minha experiência dos dez partos que tive para as gestantes. Falo para aquelas que chegam sozinhas que estou no lugar da mãe delas que não pode ir acompanhá-las no hospital”, conta Maria Isabel.

A vendedora Juliana Moreira, de 22 anos, chegou aos prantos no HSF, devido as dores da contração. O apoio e os conselhos de Maria Isabel lhe acalmaram. “Ela me falou para parar de chorar porque a dor é suportável. Sua presença me aliviou muito. Aprendi como usar a respiração para diminuir a dor”, relata. A professora Patrícia Pereira estava no hospital há um dia, na tentativa de ter um parto normal induzido. Ela contou com a ajuda da doula para massagens e ajuda nas técnicas de alívio da dor. “Estou disposta a tentar o que for preciso para ter um parto normal. Se não fosse por esse apoio eu estaria muito estressada e ansiosa. Estou tranquila e feliz”, garante Patrícia.

DOULA

Doula é uma palavra de origem grega que significa “uma mulher que serve a outra”, uma serva. O termo foi resgatado pela antropóloga americana Dana Raphael e usado em referência à mulher que ajuda outra mulher durante a gravidez, parto, pós-parto ou na amamentação. Atualmente, a palavra é usada internacionalmente para referir-se a uma mulher experiente em parto que proporciona suporte físico e emocional, além de oferecer informações para a mãe antes, durante e logo após o nascimento.

Estado de Minas, 15/07/05


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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