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Cirurgia Plástica

Médicos utilizam técnica industrial em cirurgias da face

20/07/2005


A prototipagem rápida também é útil na reconstituição de múmias e objetos a partir de uma imagem digital

Herton Escobar escreve para “O Estado de SP”:

Uma tecnologia comumente usada para fabricar protótipos de peças industriais está ajudando médicos a reconstruir o rosto de vítimas de acidentes e pesquisadores a reproduzir a aparência de múmias e amuletos antigos sem mesmo tirá-los do caixão.

Conhecida como prototipagem rápida, a técnica utiliza uma máquina semelhante a uma impressora que, no lugar de imprimir textos em folhas de papel, produz modelos perfeitos de crânios, ossos, colares, estatuetas, porcas, parafusos e qualquer outro objeto a partir de uma imagem digital.

Usada no Centro de Pesquisas Renato Archer (Cenpra), em Campinas, desde 1999, a tecnologia vem sendo aperfeiçoada desde então para aplicação médica em casos de lesões e anomalias craniofaciais graves.

Já auxiliou na cirurgia de aproximadamente 400 pacientes, quase todos da rede pública. Os médicos fornecem uma tomografia computadorizada do crânio e os técnicos do Cenpra produzem uma cópia perfeita de gesso, em tamanho real.

"Assim, o cirurgião pode planejar a operação antecipadamente, com uma visão muito mais clara do que vai encontrar na mesa de cirurgia", diz o engenheiro Jorge Vicente Lopes da Silva, diretor da Divisão de Desenvolvimento de Produtos do Cenpra.

O protótipo permite ao médico, literalmente, praticar a operação no modelo de gesso antes de intervir no paciente. "Com isso você melhora os resultados, reduz os riscos e, muitas vezes, o número de cirurgias", diz o cirurgião Eduardo Meurer, de Florianópolis, que já recorreu à prototipagem rápida para mais de dez casos de reconstrução facial.

A tecnologia também permite produzir próteses de encaixe perfeito. A estratégia é normalmente aplicada aos casos mais graves, de vítimas de acidentes e anomalias congênitas.

Os protótipos podem ser produzidos em gesso ou náilon (plástico), dependendo da finalidade. As máquinas funcionam, mesmo, como impressoras.

Os modelos são construídos a partir da sobreposição de camadas muito finas de pó de gesso ou náilon, que é aglutinado na forma desejada por um jato de líquido ou feixe de laser, respectivamente. As instruções são fornecidas por um software, desenvolvido no próprio Cenpra, que processa as imagens enviadas da tomografia digital.

Múmias

Seguindo a mesma metodologia, a prototipagem rápida pode ser usada para reproduzir esqueletos de múmias e artefatos enterrados com elas. Um processo bem semelhante ao que foi feito recentemente para reconstruir o rosto da múmia de Tutancâmon, o jovem faraó egípcio que morreu misteriosamente mais de 3 mil anos atrás.

O Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro já fez tomografias e encomendou a prototipagem de várias peças de sua coleção egípcia.

"A idéia é reproduzir alguns objetos mais frágeis do acervo, que não podem ser mostrados em outros lugares. Dessa forma, poderemos transportá-los e montar exposição itinerantes com as mesmas informações dos objetos originais", explica o professor Antonio Brancaglion. As múmias, por exemplo, precisam ser mantidas em ambientes de umidade e temperatura controladas, o que dificulta sua exposição fora do museu.

Há também uma importante aplicação científica. O primeiro molde produzido foi o do crânio de uma cabeça mumificada do antigo Egito que os pesquisadores usaram para reconstruir completamente o rosto da pessoa, morta há mais de 2.500 anos na região de Tebas.

Até então, não se sabia nem mesmo se a cabeça era de um homem ou uma mulher. Hoje, ela é conhecida como a Bela de Tebas. "Era uma mulher da elite egípcia, cuja mumificação foi muito bem-feita", revela Brancaglion.

A prototipagem é ideal para a preservação das múmias, pois permite que elas sejam estudadas de maneira não invasiva. Um dos projetos em andamento é a reprodução de uma múmia inteira de 750 a.C., ainda dentro do sarcófago, que foi dada de presente a d. Pedro II pelo rei do Egito.

Vários amuletos enterrados com ela também serão copiados, incluindo um escaravelho. "O caixão nunca foi aberto", aponta Brancaglion. "De outra forma, teríamos de abri-lo e desenfaixar a múmia."
(O Estado de SP, 19/7)

Jornal da Ciência- SBPC


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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