Meio Ambiente/Ecologia - Sobre Serpentes do Brasil
Esta página já teve 132.446.131 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.705 acessos diários
home | entre em contato
 

Meio Ambiente/Ecologia

Sobre Serpentes do Brasil

23/07/2005

 
Rèpteis
 

Na ordem Squamata está incluído o grupo das serpentes, generalizando, lagartos ápodes (chamados assim por não possuírem patas posteriores nem anteriores). As serpentes possuem a pele recoberta por uma pele com escamas queratinizadas (cuja função é proteger o corpo constantemente exposto, serpenteando por terrenos irregulares, vegetação, ocos de tocas, etc), variando o tamanho e a cor. As serpentes têm uma capacidade de engolir presas maiores que o tamanho de sua cabeça, pois os ossos da mandíbula são presos ao crânio apenas por músculos e ligamentos (Pough et al., 1998). O grupo das serpentes é o segundo grupo mais diversificado dos répteis, com aproximadamente 2700 espécies (Pough et al., 2001). Desse total 370 espécies ocorrem no Brasil, que possui uma das maiores faunas de serpentes do mundo, não só pela extensão territorial do país, mas também da diversidade de ecossistemas (Campbell et al., 1993). Segundo Pinto (2002), são identificadas 308 espécies de serpentes com ocorrência no Brasil.
O pouco estudo na área junta-se com a falta de informações. As principais ameaças à esses animais como também a outros são a destruição de seus habitats naturais e a caça ilegal. A manutenção de reservas já existentes é uma boa alternativa para a preservação desses animais, temidos pelo homem, e também a criação de novas Unidades de Conservação, podendo com isso aumentar as chances de preservação de espécies ameaçadas de extinção. Contudo é importante ressaltar que esses animais são predadores, principalmente no combate de roedores, se tornando aliados do homem no controle de zoonoses.

EVOLUÇÃO

O fóssil mais antigo de serpente, Dinilysia patagonica, é conhecido do Cretáceo, na Argentina, datando de 95 milhões de anos. Contudo, as serpentes podem ter se originado antes, no Jurássico, há cerca de 140 milhões de anos, a partir de répteis com hábito subterrâneo. Alguns desses grupos estão representados por poucas espécies, com ocorrência em regiões distintas do planeta.
Observando a distribuição atual das serpentes, é possível dizer, quando evoluíram e como foi sua propagação. As serpentes, por exemplo, da América do Norte tem mais em comum com as da Europa do que as da América do Sul, pois estas possuem uma maior semelhança com espécies da África. Essa dispersão ocorreu, provavelmente quando o antigo continente do Sul (Gondwanaland, compreendia a África e a América do Sul) foi separado do continente Norte, Laurásia.
Com essas informações conclui-se então que as serpentes evoluíram de lagartos terrestres que viviam em buracos, por isso as pernas seriam desnecessárias. Nas situações de mudança que estavam ocorrendo era preciso, portanto, se adaptar para evitar competições diretas entre espécies, como também conseguir recursos básicos para sua sobrevivência.
Lee (1997), Lee e Caldwell (1998), Scanlon et al. (1999), Lee e Scanlon (2002), e Scanlon e Lee (2002) defendem que as serpentes surgiram a partir de ancestrais de lagartos varanídeos extintos, que eram aquáticos e ocupavam o ambiente marinho. A hipótese mais aceita, contudo, favorece que as serpentes ancestrais eram criptozóicas (serpentes que usam suas cores para se camuflarem, ficando ocultas); caçavam animais que viviam em buracos, tocas no solo, atualmente é defendida por outros autores.

CARACTERÍSTICAS

Os padrões de coloração estão relacionados ao ambiente em que vivem, podendo apresentar função de proteção (mimetismo), camuflagem ou controle de temperatura. Muitas espécies são conhecidas pelo colorido característico (como é o caso das corais), podendo ter variações entre indivíduos da mesma espécie (idade, padrões de desenho).
As cobras enxergam mal, apesar de terem os olhos bem evidentes, com pálpebras soldadas e transparentes, mas com percepção de movimento. Nas serpentes arborícolas, a visão tem a função de profundidade para orientação e deslocamento do animal.
Não apresentam ouvido externo nem ouvido médio, porém elas captam o som através de vibrações sensitivas por todos os ossos do corpo, que levarão a mensagem até a columela (osso localizado no ouvido interno).
O olfato é bem desenvolvido sendo usado, principalmente, para exploração do ambiente, permitindo a localização de suas presas, predadores e parceiros para a reprodução. Para “sentir os cheiros”, a serpente usa a língua, bifurcada. Os odores são levados pela língua para o órgão de Jacobson, duas pequenas câmaras sensitivas com ductos que se abrem na parte anterior do palato.
A fosseta loreal é uma abertura localizada entre o olho e a narina, presente na família Viperidae, importante na detecção da temperatura, podendo perceber a mínima variação desta. Já na família Boidae ( jibóias,sucuris) assim como, nas suas primas próximas, as pítons (Pitonidae), está presente a fosseta labial, localizada na parte superior dos lábios, desempenhando o papel da fosseta loreal.
As serpentes possuem diferentes tipos de locomoção dependendo de sua atividade e do ambiente:

· movimento ondulatório horizontal ou serpentino: fuga ou deslocamento típico de serpentes rápidas caracterizada pela formação de S pelo corpo do animal;

· movimento retilíneo:característico de serpentes com deslocamento lento;

· movimento sinuoso-lateral ou Sidewinding: a maioria é capaz de se locomover desse modo, porém as espécies do deserto são as mais especializadas;

· movimento em sanfona: envolve a extensão e a retração do corpo de um ou mais pontos de atrito com o solo. Pode ser usada em uma superfície achatada, ao rastejar através de um túnel ou “trepar”.

As serpentes como os lagartos trocam de pele ao crescerem, isto ocorre desde seu nascimento. Durante o período de muda, a pele torna-se opaca devido à presença de um líquido leitoso entre a pele nova e velha ocorrendo o processo de muda denominado de ecdise. Geralmente a muda começa a ser retirada pela cabeça, onde a serpente esfrega a ponta do focinho em superfícies ásperas, despregando-se esta e por movimentos de contrações musculares em todo o seu corpo a muda e liberada. A diferença é que nos lagartos a pele não sai por inteira, muitas vezes estes comem a própria pele. Essa muda pode até servir como forma de limpeza da pele desses répteis contra parasitas e fungos.

DENTIÇÃO

Dentes inoculadores de veneno especializados estão presentes nos representantes de algumas famílias. Diversas espécies podem ser nocivas para o homem como as cascavéis e jararacas (Viperidae) e as corais (Elapidae), porém a maioria é inofensiva (Pough et al 1998).

As serpentes podem ser agrupadas em quatro categorias, de acordo com o tipo de dentição:

· Áglifa: não apresenta dentes com especialização para a inoculação de veneno. Ex.:jibóias e cobra dormideira;

· Opistóglifas: na parte superior da maxila há um dente posterior com sulco, por onde o veneno escorre. Ex.: caninana, boipeva, coral-falsa, cabra-d´água, cobra-cipó;

· Proteróglifas: o dente com sulco localiza-se na parte anterior da boca. Ex.:corais-verdadeiras;

· Solenóglifas: o dente anterior é oco, formando um canal por onde irá escorrer o veneno. O osso da maxila é bastante móvel, o que permite ao dente anterior deslocar-se para frente e para trás, com isso a injeção do veneno será mais precisa. Ex.:cascavéis, surucucus.

ALIMENTAÇÃO

As serpentes são carnívoras e ingerem suas presas inteiras, podendo engolir animais maiores que o tamanho de sua boca, pois os ossos da mandíbula são presos ao crânio por ligamentos, o que permite uma maior abertura de sua boca.
A maioria alimenta-se de anfíbios, lagartos e mamíferos, dependendo do seu porte. Pequenas serpentes ingerem pequenos invertebrados e insetos. As grandes, porém, comem vários tipos de vertebrados, desde peixes até mamíferos. As corais verdadeiras, são ofiófagas, se alimentam de pequenas serpentes e anfisbenias; já as grandes serpentes ofiófagas, como as muçuranas, se alimentam de serpentes de porte grande, chegam a ingerir até jararacas.
A constrição é também usada por algumas serpentes, como as jibóias que constringem a presa até que ela morra por asfixia.
A maior parte das serpentes possuem condição de caça ativa, indo em busca de suas presas. Porém, os Viperídeos, esperam que suas presas cheguem perto o suficiente para capturá-las, inoculando seu veneno em bote rápido, largando-as em seguida. Posteriormente, através do dardejamento da língua (olfato) elas localizam seu alimento para o ingerir.
Apesar de serem resistentes ao jejum, chegando a sobreviver um ano ou mais sem alimento, as serpentes necessitam de água e podem se alimentar de vários animais em um mesmo dia e em dias seguidos. Todas são facilmente irritáveis, principalmente após a alimentação, e regurgitam o animal ingerido. O normal é dar o bote matar a presa e engolir iniciando pela cabeça, porém encontram-se casos em que a serpente engole outras serpentes pela cauda. Preferem comer e beber água em seguida, ou ainda a água antecedendo a alimentação (Soerensen, 1990).

DEFESA

A coloração, camuflagem e o seu comportamento (imobilidade, fuga e alteração da forma do corpo) são mecanismos de defesa, pois ajudam a despistar contra seu predador.
Os mais importantes predadores naturais são as aves e os mamíferos. A ação do homem contribui para à diminuição das espécies, matando-as (pois,culturalmente a serpente é uma animal perigoso, temido pela população e que se avistado deve ser morto)
As serpentes que apresentam colorido semelhante ao substrato do ambiente, ficando acultas (críptica) têm maior facilidade de se camuflar, o que dificulta a sua localização por predadores visualmente orientados. As corais verdadeiras (Elapídeos), são bastante venenosas e usam outra tática: ao invés de usarem suas cores para a camuflagem, usam seu colorido vivo para afastar seus predadores (coloração aposemática: tipo de coloração que indica cautela ou advertência, normalmente presente em animais venenosos, como é o exemplo da coral); as cores vistosas alertam os predadores para o risco que a serpente representa, caso sejam atacadas. As corais falsas, colubrídeos não perigosos, mimetizam o padrão de colorido das corais verdadeiras, usado para enganar e afastar predadores.
A imobilidade e a fuga são os mecanismos de defesa mais freqüentes das serpentes quando o predador se aproxima. Muitas espécies de serpentes alteram sua forma para intimidar, assustar o predador, triangulando a cabeça, inflando ou achatando dorso ou lateralmente o corpo. O achatamento lateral é comum nas serpentes arborícolas e o achatamento dorso-ventral nas terrícolas, aquáticas e subterrâneas. Outras táticas como abrir a boca, armar bote e fazer movimentos rápidos com o corpo também podem despistar e assustar predadores. O ato de esconder a cabeça e levantar a cauda confunde o predador, que quando chega para atacar recebe o bote por onde não esperava. O bote é empregado quando o confronto com o predador é inevitável.

SISTEMA RESPIRATÓRIO

A maioria das serpentes, cerca de 90% , apresentam um pulmão funcional e outro atrofiado. As que possuem pulmão esquerdo funcional são dos grupos mais avançados, com exceção das Boas e Pítons. Porém as que não possuem o pulmão esquerdo compensa esta falta com o pulmão traqueal, que é uma extensão do pulmão direito, isto ajuda na respiração da serpente, quando esta estiver engolindo uma presa grande. A traquéia muscular também ajuda na respiração, pois será empurrada para frente, fazendo pressão contra a presa, com isso poderá continuar a respirar.
Nas serpentes aquáticas o pulmão direito é bem maior, e na sua parte inferior existe uma modificação para que o animal possa controlar sua capacidade de flutuação na água.
A língua, que se une a glote (abertura da faringe), é importante, pois é através dela que o ar entra pela traquéia indo até os pulmões. A glote se dilata durante a ingestão de grandes presas. Essa estrutura é localizada mais à frente, na base da língua.
As serpentes possuem sim nariz, mas é chamado de narina. Não possuem função olfativa, auxiliam na respiração. A língua é quem irá fazer a função do olfato.

SISTEMA REPRODUTOR

Na maioria das serpentes, as fêmeas são maiores que os machos, atributo relacionado à capacidade de conter ovos ou filhotes. Na época do acasalamento (geralmente no verão), as fêmeas liberam substâncias químicas, para atrair seu par da mesma espécie. Antes da cópula, há um ritual que consiste na fricção da parte inferior da cabeça do macho contra o dorso da fêmea. A cópula pode durar alguns minutos ou até 72 horas. A fêmea pode guardar o esperma por anos, ou fecundar os óvulos logo depois do acasalamento.
Em muitas espécies, a cauda dos machos é mais longa e mais grossa que a das fêmeas, pois aloja o músculo que retrai o hemipênis (duas estruturas ocas, redondas, bifurcadas geralmente com espinhos na sua base). Durante a cópula o hemipênis, inflado, com sangue, é introduzido na cloaca da fêmea , onde é libera o esperma.
O hemipênis tem formatos específicos, ou seja, um macho só consegue copular com a fêmea da mesma espécie. Esta estrutura e importante na identificação das espécies.
No Brasil, a maioria das cobras é ovíparas. Os ovos têm a forma elipsóide com casca pergaminosa, geralmente de coloração branca, desenvolvendo-se em ambiente externo, sem a proteção maternal,ou seja, não são protegidos ou chocados pela mãe, tendo uma incubação que varia de 60 a 70 dias, dependendo da espécie. Os boídeos, os viperídeos - exceto Lachesis (surucucu) - e alguns colubrídeos são vivíparos (os ovos se desenvolvem no interior do oviduto, na mãe; os ovos quando já estão desenvolvidos são paridos).
A atenção à prole não é observada nas serpentes, raras espécies protegem os ovos, como as Lachesis muta que se enrola, envolvendo os ovos (fato registrado em laboratório, permanecendo até a eclosão) e a Pseudoeryx plicatilis, espécie semi-aquática que ataca os intrusos que se aproximam dos ovos (Soerensen, 1990).

DIGESTÃO

A digestão das serpentes começa na boca. Enquanto se alimenta, glândulas localizadas na boca secretam suco digestivo. Nas espécies venenosas esta substância, o suco digestivo, além de ajudar na digestão, ajuda também na captura da presa, paralisando-a. O alimento é engolido pela serpente aos poucos, começando geralmente pela cabeça, com um lado da boca ela prende o animal com os dentes e com o outro puxa-o para o interior de seu corpo, quando passa pela boca a presa continua sendo levada a seu interior por peristaltismo até o estômago (seção ampla do intestino). Não apresenta-se enrolado, por razão do formato fino e alongado das serpentes. O alimento não digerido é expulso pelo reto e cloaca (geralmente dentes e pêlos). A urina é eliminada com as fezes, assim como nas aves.
A temperatura tem um papel importante na alimentação das serpentes, pois influencia na velocidade de digestão das mesmas.(Francini et al. 1993 ).
A velocidade da digestão aumenta ao aumentar a temperatura ambiente, possivelmente com a ocorrência de um aumento da secreção gástrica. Temperaturas extremas, menores de 5ºC e maiores de 35°C, afetam de modo importante o processo digestivo (Francini et al. 1993), podendo ser lenta e até haver regurgitação.
A serpente costuma ter melhor digestão com a temperatura ambiente de 25 ºC.
Outro importante influenciador é o próprio veneno, que ajuda na digestão do alimento, logo que começa à engolir sua presa.
As serpentes possuidoras de dentes inoculadores de veneno tem uma melhor digestão que as de dentição áglifa, apesar destas terem em suas salivas bactérias que ajudam na digestão.

OFIDISMO

As cobras procuram escapar e, somente atacam, como forma de defesa, quando não existe acesso à fuga ou quando se sentem imediatamente ameaçadas. São nestes casos que a maioria dos acidentes ofídicos acontecem. Estes são mais fáceis de ocorrer pelos hábitos das cobras venenosas, principalmente viperídeos, costumadas a ficar enrodilhadas, imóveis e camufladas à margem de trilhas, próximas às roças e galpões, beiradas de rios e córregos.
Os viperídeos (cascavéis, jararacas,surucucu) e os elapídeos (corais verdadeiras), podem causar acidentes graves; os elapídeos, causam acidentes graves pois o veneno delas é mais forte que a das demais cobras venenosas. No Brasil, quase todos os envenenamentos humanos (mais de 80%) são causados por viperídeos, serpentes de dentição solenóglifa, com alta especialização na injeção de peçonha; na maioria desses casos por jararacas, pois são mais agressivas. As corais verdadeiras (proteróglifas), com dentes inoculadores pequenos, geralmente não agressivas, de hábitos subterrâneos (fossoriais) e facilmente avistadas devido seu colorido vivo, possuem poucos acidentes. Alguns colubrídeos possuem dentes inoculadores de veneno, mas estão localizados na parte posterior da boca. Geralmente acidentes com corais verdadeiras e colubrídeos opistóglifos, por serem raros, acontecem no descuido com o manuseio destas.
A ocorrência e a intensidade da picada dependem do grau de agressividade do animal e da capacidade de injeção do veneno, e também da quantidade e do tipo de toxinas presentes. As partes do corpo humano mais atingidas pelos botes são o pé, o calcanhar e a perna (87% dos casos), o que reflete o hábito terrícola da maioria das serpentes venenosas. Acidentes nessas regiões do corpo poderiam ser facilmente evitados com o uso de botas. Cuidado ao vasculhar buracos e ao levantar pedras e troncos reduziria acidentes localizados nas regiões de braço e mão.
Os primeiros socorros a uma vítima de acidente ofídico consistem em: manter a calma; afastá-la da serpente; lavar a área ferida com água e sabão e encaminhar a vítima o mais rápido possível a um serviço médico. Não aplique nenhuma substância no local da ferida, nem faça torniquetes, cortes, sucção, pois alem de não curar pode agravar o acidente, causando com isso sérias complicações. O tratamento irá depender da gravidade e do tipo de sintomas apresentados pelo paciente, característicos para cada tipo de veneno. O soro específico deve ser aplicado em postos de saúde ou hospitais, pois caso ocorra reações alérgicas só os médicos poderão socorrer o paciente, não deixando de ele venha à falecer.

CURIOSIDADES

Forma do corpo e estruturas das serpentes associadas com seus habitats específicos:

ARBORÍCOLAS
·Massa corporal pequena (comprimento elevado/ massa);
·Corpo condensado;
·Cauda relativamente mais longa e preênsil;
·Olho relativamente grande;
·Capacidade de ficar tesa para deslocar-se de um galho à outro em altura;
·Centro de gravidade posicionado na parte posterior.

FOSSORIAIS
·Comprimento do corpo pequeno;
·Largura da cabeça pequena;
·Escamas reduzidas;
·Olho pequeno;
·Boca inferior;
·Esqueleto reforçado;
·Narina estreita.

AQUÁTICAS
·Olhos e narinas localizados na parte dorsal;
·Narinas com válvulas de respiração.

CRIPTOZÓICA
· Serpentes que usam suas cores para se camuflarem, ficando ocultas.

DOENÇAS

Assim como qualquer animal, as serpentes também ficam doentes, principalmente as de cativeiro. As doenças mais detectadas são:

· Endoparasitos: Infecção perigosa provocada por um protozoo, Entamoeba invadens, o qual afeta o aparelho digestivo, provocando gastrenterite, com grande perda de líquido. Pode levar o animal a morte em pouco tempo. O único remédio é a vermifugação;

· As infecções bacterianas, respiratórias, abcessos, diarréia, estomatites, germes do grupo Aeromonas e Pseudomonas causam sintomas geralmente visíveis, deixando a serpente com o ventre flácido;

· Os Ectoparasitos geralmente aparecem em serpentes recém capturadas. Elas podem ter entre as escamas e na cloaca, agarrados à pele, alguns Artropodos parasitos, conhecidos como carrapatos. Um ácaro de nome Ofhionyssus matrincis (hematófago), chupa o sangue do animal, penetra nas cavidades nasais, traquéias, deixando o animal debilitado;

· Estomatites Necróticas: Esta infecção também conhecida como “Câncer da Boca” é muito freqüente nas serpentes, ela deixa a boca com uma mucosidade, não deixando aboca se fechar totalmente, fazendo o animal não comer;

· Retardo da Muda: A pele não se solta por completo, começa a sair em pedaços. Esse problema geralmente acontece por conta da temperatura do ambiente que pode estar úmido ou muito seco.

VENENOSAS OU PEÇONHENTAS?

As serpentes chamadas de venenosas para o homem são aquelas, que apresentam glândulas (supralabial, Duvernoy e veneno) com substâncias ativas na boca, mas quando possuem dentes eficazes na inoculação de veneno (proteróglifas e solenóglifas) são chamadas de peçonhentas, ou seja, quando nos referimos ao limite da ação do veneno é que entra o conceito de peçonha: um animal peçonhento é aquele capaz de inocular (injetar) seu veneno através de dentes ou presas - seja em pequena ou grande quantidade, mas com uma atividade tóxica elevada – chamada “peçonhas”. Serpentes que não possuem dentes inoculadores de veneno são chamadas de não- peçonhentas.
As falsas-corais, muçuranas e outras opistóglifas são venenosas, mas caso uma dessas serpentes morda alguém, na maioria das vezes o que poderá acontecer é uma inflamação local e prurido intenso.
Já se alguma coral-verdadeira, cascavel, surucucu, jararaca – serpentes peçonhentas – morda alguma pessoa, esta tem de ser socorrida o mais depressa possível, pois o veneno provocará reações fisiológicas, muitas vezes graves podendo até levar à morte.
Alguns animais possuem veneno, porém não têm um aparelho inoculador que injete essa substância de maneira ativa, contudo provocam envenenamento passivo, seja por contato (sapo, taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixes baiacus).

Classificação das serpentes Brasileiras:

Subordem SERPENTES Linnaeus, 1758.
Infraordem SCOLECOPHIDIA Cope,1864.
Família ANOMALEPIDIDAE Taylor,1939.
Gêneros: Liothyphlops e Typhlophis
Família TYPHLOPIDAE Merrem,1890.
Gêneros: Typhlops
Família LEPTOTYPHLOPIDAE Stejneger,1891.
Gênero: Leptotyphlops

Infraordem ALETHINOPHIDIA Nopsca,1923Família TROPIDOPHIIDAE Brongersma,1951.
Gênero: Tropidophis
Família ANILIDAE Stejneger,1907.
Gênero: Anilius
Família BOIDAE Gray,1825.
Gêneros: Boa, Corallus, Epicatres e Eunectes
Família ELAPIDAE Boie,1827.
Gênero: Micrurus e Leptomicrurus
Família VIPERIDAE Laurenti,1768.
Gêneros: Bothrocophias, Bothrops, Crotalus e Lachesis

Família COLUBRIDAE Oppel,1811.
Gêneros: (sessenta gêneros no Brasil) Apostolepis, Atractus, Boiruna, Calamodontophis, Chironius, Clelia, Dendrophidion, Dipsas, Ditaxodon, Drymarchon, Drymobios, Drymoluber, Echinanthera, Elapomorphus, Enicognathus, Erythrolampus, Gomesophis, Helicops, Hydrodynastes, Hydrops, Leptodeira, Leptophis, Lioheterophis, Liophis, Lystrophis, Imantodes, Masticophis, Mastigodryas, Nina, Oxybelis, Oxyrhopus, Philodryas, Pseudoboa, Pseuste, Rhinobothryum, Sibon, Sibynomorphus, Simophis, Siphlophis, Sordellina, Spilotes, Tantilla, Thamnodynastes, Tomodon, Umbrivaga, Uromacerina, Waglerophis, Xenodon, Xenopholis e Xenoxybelis.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Pough, F.H., Andrews, R.M., Cadle, J.E., Crump, M.L., Savitzky, A.H. e Wells, K.D., 1998. Herpetology. New Jersey, Prentice Hall.

Machado, A.B.M., 1998. Livro vermelho das espécies ameaçadas de extinção da fauna de Minas Gerais. Belo Horizonte. Fundação Biodiversitas. 419-420.

Marques, O.A.V., Eterovic, A. e Sazima, I., 2001. Serpentes da Mata Atlântica. Guia ilustrado para a Serra do Mar. Ribeirão Preto, Holos.

Francini, F., Griasolia, C.S.,Stanchi, N.O. e Peluso, F.O., 1993. Influência de la temperatura sobre la digestión en Crotalus durissus terrificus (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem. do Inst. Butantan. 55:11-16.

Cardoso, J.L.O., França, F.O.S., Wen., F.H.,Málaque., C.M.S. e Júnior, V.H., 2003. Animais peçonhentos do Brasil: biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. São Paulo, Sarvier. 15-20; 33-60.

Pough, F.H., Heiser, J.B. e McFarland, W.N.,1999. A vida dos vertebrados. São Paulo. Atheneu.

Cartilha de Ofidismo (Cobral). 1989. Ministério da Saúde. 32 p.

www.ibama.gov.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos