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Geriatria/Gerontologia/Idoso

Halitose: Porque a incidência é tão grande na Geriatria

24/07/2005
 
Halitose: Porque a incidência é tão grande na Geriatria

Ana Christina Kolbe ( kolbe@kolbe.com.br )
Membro da International Association of Breath Odour Research
Primeira Presidente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca
Presidente da Associação Baiana dos Odores da Boca

A Halitose tem mais de 50 origens e nunca encontramos um caso clínico com uma origem apenas, por isso dizemos que é de múltipla origem e de tratamento multidisciplinar.

As pesquisas de % de portadores de Halitose existentes no Brasil são compatíveis com outras realizadas nos EUA e em outros paises. No Brasil elas mostraram que a incidência é de 14,28% ate 12 anos, 41,73% ate os 65 anos e acima dos 65 anos ela sobe para 67,25%

Pacientes geriátricos possuem índices alarmantes porque alem das mais de 50 origens para sua halitose, existem outras que somente se manifestam nesta faixa etária.

As origens mais freqüentes para que a Halitose no Brasil e no mundo venha crescendo a cada ano são: O estresse, a mudança de hábitos alimentares e a desidratação.

No caso do estresse, ele libera na corrente sangüínea um hormônio chamado Adrenalina que inibe o funcionamento das glândulas salivares, fazendo com que o paciente entre em Xerostomia (baixa produção de saliva) com isso, acumule uma maior quantidade de saburra lingual, conseqüentemente liberando na sua decomposição mais enxofre, que por ser volátil e fétido compromete o hálito.

A mudança de hábitos alimentares - porque cada dia mais ingerimos substancias líquidas e pastosas, como é o caso dos Fast Foods, assim, mastigamos menos e não estimulamos as glândulas salivares a fabricarem a quantidade adequada de saliva que é o detergente de nossa boca ; tudo que alterar sua quantidade e /ou qualidade ira culminar com comprometimento do Hálito.

A desidratação- Precisamos ter em mente que sede é sinônimo de desidratação e que a matéria prima para a fabricação da saliva é a água . Quando ingerimos um volume inadequado, a glândula salivar baixa sua produção causando a Xerostomia ou Hipossalivação salivares e TUDO, TUDO que alterar o fluxo salivar irá gerar hálito pois vai fazer com que esta saliva que , por estar esta mais viscosa permita a maior adesão de células descamadas da mucosa oral e restos de alimentos ao dorso da língua aumentando assim a saburra lingual . Esta saburra irá entrar em estado de decomposição e liberar os Compostos Sulfurados Voláteis (CSV) e assim comprometer o hálito.

No grupo da Geriatria, as origens que agravam a incidência da Halitose são:
Perda de unidades dentarias, mais freqüentes nos idosos, causando a dificuldade de mastigação e conseqüentemente não estimulando adequadamente as glândulas salivares, aumentando assim o percentual de pacientes Xerostômicos .

Por terem dificuldade de mastigação em conseqüência da perda de dentes, esses pacientes fazem a opção por alimentos ainda mais líquidos e pastosos o que diminui a varredura na língua durante a mastigação e formação do bolo alimentar, aumentando o acumulo da saburra lingual.

Com a perda dos dentes, ocorre um comprometimento estético comprometendo assim o psicológico o que irá alterar o funcionamento das glândulas salivares que são comandadas pelo Sistema Nervoso Central, causando uma redução no fluxo salivar, comprometendo ainda mais o hálito.

Essa perda de unidades também pode causar perda de dimensão vertical e conseqüentemente levar o paciente a disfunções na ATM levando –os a cefaléias intensas e constantes, o excesso de dor libera as catecolaminas ( dopaminas ) que irão agir diretamente nas glândulas salivares inibindo seu funcionamento aumentando assim sua xerostomia.

O uso freqüente de medicamentos –Pacientes com idade avançada tendem a fazer com maior freqüência uso diário de medicamentos que são xerostomicos como, por exemplo: analgésicos, antihipertensivos, antidepressivos, ansioliticos, antiparkissoniano, diuréticos, entre outros, essas drogas xerostomicas provocam em seus usuários boca seca , queixa muito comum nos idosos , chamada de Síndrome de Ardência Bucal (SAB).

Incidência muito alta dos diabetes – Os diabéticos estão quase sempre numa gangorra, com hipo ou hiperglicemia e em ambos os casos temos liberação de acido graxo na corrente sangüínea que por ser volátil e fétido, escapa na expiração comprometendo o hálito.Neste caso o odor é cetônico.

Senilidade de Glândulas Salivares – As glândulas salivares com a idade podem atrofiar passando a não funcionar adequadamente e com isso fabricando um volume inadequado de saliva, comprometendo o hálito.

Não podemos nos esquecer de que tudo que altera o fluxo salivar aumenta a quantidade de saburra lingual e a conseqüência disso é o mau hálito pela eliminação do enxofre através do hálito. Sabemos também que a saburra é responsável por mais de 90% dos casos de halitose e que a higiene da língua é o primeiro passo para se eliminar o mau hálito. E ainda que a escova de dente não foi desenvolvida para limpar a língua. Com isso as pessoas têm muita dificuldade em limpar suas línguas principalmente quando são mais susceptíveis a ânsia de vômito. Pesquisas feitas por universidades comparando a remoção da saburra lingual com a escova de dente mostraram que enquanto a escova remove 0,6 gr de saburra lingual, o Kolbe remove 1,3 gr alem de não causar nenhum desconforto nesta remoção .

A diminuição da saliva na geriatria é um fato muito comum, ele provoca alem da halitose uma serie de sintomas desconfortáveis e que ouvimos diariamente em nossos consultórios, do tipo: dificuldade de adaptação de próteses removíveis e totais, coceira sob as próteses fixas e removíveis, dificuldade de dicção, dificuldade de engolir alimentos mais secos,dificuldade de digestão, lábios e língua parecem colar na mucosa oral , feridas nas comissuras labiais , lábios ressecados , ardência na região de língua e esôfago , podendo se estender ao estomago , gosto amargo ou azedo na boca, , entre outros

Em alguns casos basta que diagnostiquemos a xerostomia, seu grau, assim como a viscosidade e a densidade da saliva do paciente e que se constatarmos a hipossalivação, estimulemos o funcionamento das glândulas para corrigirmos seu fluxo salivar. Caso a xerostomia seja de ordem reversível, iremos proporcionar um enorme conforto a estes pacientes, caso sua origem seja irreversível, teremos que ministrar salivas artificiais (felizmente hoje existentes no mercado). Em ambos os casos devem ser prescritos o limpador de língua.

Com a media de vida aumentando no mundo, as necessidades vão surgindo e nós profissionais devemos nos conscientizar que a prevenção na geriatria deve ter uma visão mais ampla que nas crianças e na fase adulta, pois suas necessidades são maiores.

Referências Bibliograficas
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Tarzia, O. – Halitose um desafio que tem cura -2003-08-29
Rosemberg, M. – Bad Breath Research Perspectives -second Edition Steenberghe,D.V.- Rosemberg,M.- Bad Breath a Multisisciplinary Approach
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Kolbe,A. et all – Pesquisa sobre o percentual de portadores de Halitose utilizando o Halimeter, Interscan Corporation, USA- 1998-www.kolbe.com.Br
Genestra¸ R.-. Souza , M. R.- KOLBE,ª- Pereira , L. D.- Diniz,F.- Farias,F. Silvério,R. Gaudenzi,F.- Nascimento, C. P. A . – Silva, C. Á. M.- Juliana Chiarello, J. N.-Analise quantitativa de componentes sulfurados voláteis (VSC) envolvidos na etiopatogenia bioquímica da halitose através do Halimetro (HalimeterÒInterscan’s)

Fonte: www.odontologia.com.br


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