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Châteauneuf-du-Pape-vinho da Provence

25/07/2005

O Châteauneuf du Pape, um vinho sagrado e consagrado

Prosseguindo a nossa viagem pelos mais famosos vinhedos do mundo, pararemos hoje numa pequena cidade do sul da França, Châteauneuf-du-Pape, situada no coração da região das Côtes du Rhône Méridionales, também conhecida pelo nome de Provence...

A meio-caminho entre as cidades de Avignon e Orange, Châteauneuf-du-Pape espalha a sua pequena aglomeração em volta das ruínas de uma fortaleza medieval.
Situada no topo de uma colina que domina a planície de Comtat e Montredon, com os seus 3.000 hectares de vinhedos, esta aldeia está voltada, com uma dedicação quase espiritual, à produção do famosíssimo vinho, cujas garrafas possuem até hoje uma marca d´água cunhada no vidro representando o outrora importante brasão pontifical, uma honraria que destacava a primazia dos melhores produtores da região.

A história desses vinhedos tem as suas raízes num dos capítulos mais curiosos da história da França, a chegada dos papas a Avignon durante a Idade-Média. Nesta cidade, seis papas se sucederam ao longo de um período de setenta anos. Preocupados com a insegurança que existia em Roma na época, os sumos pontífices optaram por se instalar nesta região, onde eles possuíam terras, na área de Comtat Venaissin. Assim fazendo, eles aceitaram a proteção do rei da França, porém conservaram a sua autonomia.

Contudo, bem antes da chegada dos papas, monges e eclesiásticos já haviam herdado dos romanos e dos gauleses a paixão por vinhos longos e encorpados.

Em 1308, Clemente 5o, o primeiro papa de Avignon, começou a plantar várias cepas na região. Além de revolucionar a produção até então arcaica, e de promover um grande crescimento econômico e social, a corte dos papas começou também a se abastecer na região, o que foi benéfico para os produtores locais. Com isso, a Igreja católica tornou-se o primeiro vinhateiro oficial a explorar esta região de Châteauneuf.

No século 14, por ordem do papa João 22o (de 1316 a 1333), a Igreja escolheu a cidade de Châteauneuf para construir a sua residência de veraneio, onde os papas moraram até o ano de 1377, quando retornaram a Roma.

Obviamente, não poderia faltar um vinhedo, cujas primeiras cepas nasceram em volta do palácio, neste terroir repleto de pedregulhos cuja função é de armazenar o calor do sol durante o dia e irradiar as raízes durante a noite - o que constitui um dos segredos da riqueza das uvas desta região até hoje.

A produção ficou restrita ao consumo interno da Igreja. João 22o determinou a primeira denominação de origem do vinho - e que denominação! -, "Vinho dos Papas".

Apesar de um certo declínio no século 18, provocado por guerras, epidemias e outras pragas, o vinhedo nunca parou de crescer. Por volta de 1800, 668 hectares de terrenos, dos quais 425 hectares distribuídos em pequenas parcelas de vinhas de 1.400 m2 em média, produziam 11.000 hectolitros por ano. Graças à qualidade dos seus vinhos, Châteauneuf-du-Pape continuou consolidando a sua fama até a crise da filoxera.

Em 1929, a denominação de origem, Châteauneuf-du-Pape, foi sacramentada.

As uvas

Como não poderia deixar de ser, a denominação autorizou nada menos de 13 tipos de uvas diferentes para constituir a força deste vinho impressionante. Contudo, vale ressaltar que nos assemblages, a proporção de uva grenache noir costuma ser de 80%, sendo complementada em geral pela syrah e a mourvèdre. As outras variedades são usadas como tempero: cinzault, muscardin, vaccarèse, terret noir, picpoul noir, counoise.

Vale mencionar também as castas brancas que produzem vinhos cuja qualidade vem aumentando a cada ano, e cuja uva dominante é a grenache blanc, seguida pela clairette, a bourboulenc, a picardan e a roussanne.

O vinho

De fama mundial, conhecido pelas suas garrafas amplas e bojudas que trazem o selo das armas dos papas estampado no vidro, o Châteauneuf du Pape possui grande força e volume, graças à uva grenache que proporciona a sua consistência característica de um vinho de guarda. Assim, os seus mais ricos tesouros podem esperar de 10 a 12 anos até serem consumidos, alguns dos quais podendo facilmente se beneficiar com um repouso de 20 a 25 anos.

A sua cor mais característica é um rubi escuro com reflexos granada. Os seus aromas, por tradição, são extremamente sedutores. Entre eles, predominam toques pronunciados de frutas vermelhas maduras, de especiarias e de ervas aromáticas, sempre de grande intensidade.

No paladar, há um extraordinário equilíbrio entre acidez e álcool, sendo que o seu corpo aveludado e volumoso tem um final longo e frutado, com um amargor leve e amadeirado.

Enogastronomia

Qualquer carne de caça deve ser experimentada com ele, sem esquecer dos queijos curados, enquanto o branco proporciona uma festa dos sentidos quando acompanha peixes de carne vermelha, e pratos com molho a base de vinho.

Ao menos uma vez na vida, é preciso experimentar um Châteauneuf-du-Pape. É algo emocionante e verdadeiramente inesquecível. Na compra, vale prestar atenção na sua origem de produção. Os seus melhores exemplares são infelizmente bastante caros, mas este vinho sempre dará a sua mesa um toque de nobreza e de bom-gosto irrepreensível.

Patrick de Neufville
patrick@grandvin.com.br

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