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AIDS / HIV

Pesquisa mostra que a prática da circuncisão, comum em países da África, reduz o risco de infecção por HIV

31/07/2005

Madri, 21 jul (EFE).- Uma equipe espanhola chefiada pela pesquisadora María Blasco provou a ligação existente entre as células-tronco, os tumores e o processo de envelhecimento.

Blasco é a diretora do Programa de Oncologia Molecular e chefe do Grupo de Telômeros e Telomerase do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO) da Espanha.

A pesquisadora explicou à EFE que todos os trabalhos prévios com células-tronco estiveram concentrados em seu uso, em vez de entender seu possível papel como causador de câncer ou do envelhecimento.

O trabalho, que será publicado amanhã pela revista Science e foi realizado pelos pesquisadores Ignacio Flores e María Luisa Cayuela, revela o papel de uma proteína, a telomerase, e de estruturas cromossômicas, os telômeros.

Já se sabia que ambas as substâncias são importantes na biologia das células-tronco e relacionadas com o câncer e o envelhecimento.

Os pesquisadores puderam constatar que manter os extremos dos cromossomos ou telômeros em bom estado permite que as células-tronco funcionem eficazmente.

As células-tronco são a fonte regeneradora dos distintos tecidos do organismo, pois são ativadas quando estes sofrem alguma lesão. O problema é que se forem ativadas e multiplicadas em excesso ou houver algum erro surgem o câncer e as doenças relacionadas com o envelhecimento.

Para o trabalho, realizado a partir de modelos animais, os cientistas utilizaram células-tronco epiteliais (as que revestem a superfície de cavidades e condutos do organismo).

Os pesquisadores constataram que quando estas células têm os telômeros muito curtos não regeneram a pele e o pêlo adequadamente, com o resultado de envelhecimento precoce.

Mas, quando a proteína encarregada de alongar os telômeros (a telomerase) se encontra presente em excesso nas células, o que ocorre em mais de 90% dos tumores, as células-tronco epiteliais regeneram os tecidos com muita rapidez.

A conseqüência é que a pele e o pêlo crescem mais do que o normal, o que causa uma maior suscetibilidade a formar tumores.

Estes defeitos no comportamento das células-tronco precedem a aparição dos primeiros sintomas visíveis de envelhecimento precoce ou do câncer. Por isso, a medida dos telomêros ou da atividade da telomerase em células-tronco pode ser considerada um parâmetro utilizável nos prognósticos.

Os pesquisadores afirmam no trabalho que revelar os parâmetros que determinam o comportamento das células-tronco é essencial para o uso destas em tratamentos celulares sem causar efeitos colaterais.

Blasco foi condecorada com a medalha de ouro da Organização Européia de Biologia Molecular por seus trabalhos sobre os telômeros.

FONTE – EFE

Pesquisa mostra que a prática da circuncisão, comum em países da África, reduz o risco de infecção por HIV em 65%

Um estudo feito na África alerta para a importância da associação entre a circuncisão masculina e as políticas de saúde pública na prevenção do HIV. O trabalho, realizado pelo Instituto Francês para Pesquisas em Aids, é o primeiro a comprovar que a prática ajuda a baixar bastante o número de infecções.

- É uma boa medida de prevenção - afirma o coordenador da pesquisa, Bertrand Auvert, da Universidade de Paris, também ligada ao projeto - Constatamos que a proteção é alta, cerca de seis em cada dez casos, embora parcial. É difícil, entretanto, saber os efeitos a longo prazo - acrescenta o cientista, que apresentou a pesquisa ontem, na 3ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids sobre Patogênese e Tratamento de HIV, no Rio.

Segundo Auvert, no estudo, a taxa de contaminação nos circuncidados foi 65% menor comparando com homens que não haviam passado pela operação. Os cientistas da equipe acompanharam 3.274 pacientes, com idades entre 18 e 24 anos, inicialmente não circuncidados e soronegativos. A faixa etária foi escolhida pelo fato de seus integrantes serem sexualmente ativos, o que aumenta o risco de infecção. Os voluntários foram divididos em dois grupos: o primeiro fez a cirurgia e o segundo não. A descoberta é importante, principalmente para regiões africanas onde a circuncisão masculina também é prática comum. O estudo foi feito em Orange Farm, província de Gauteng, África do Sul, área com incidência de HIV de 32%.

O menor risco de infecção se deve à redução da superfície do pênis (a operação retira o prepúcio, pele que cobre a glande) que entra em contato com a vagina, no ato sexual. Além disso, a circuncisão elimina a parte do genital onde há células receptoras facilmente infectáveis pelo HIV. Por ser úmida e ter temperatura mais alta, a parte superior do pênis é um ambiente propício ao desenvolvimento do vírus.

Os participantes foram acompanhados durante 21 meses - entre 2002 e 2005 - respondendo a questionários sobre comportamento sexual, recebendo camisinhas gratuitamente e tendo amostras de sangue coletadas. No final, foram verificados 69 casos de aids, sendo apenas 18 do grupo circuncidado.

- Já foram publicados outros estudos sobre o assunto, mas eram apenas observacionais - realça Auvert.

Representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e o programa de aids das Nações Unidas se mostraram cautelosos em relação às conclusões e à adoção de medidas:

- Embora os resultados positivos que a circuncisão acarreta sobre a infecção pelo HIV pareçam promissores, é essencial aguardar outros testes. Não podemos recomendar a prática, em termos de saúde pública, com base num só estudo - comenta Charles Gilks, da OMS.

Segundo Gilks, é imprescindível que a cirurgia seja feita com médicos e profissionais de saúde habilitados a realizarem-na de forma segura.

- A circuncisão diminui a sensibilidade da pele da glande, o que pode acabar levando a uma redução do uso de preservativo - observa.

De acordo com a Unaids, outras duas pesquisas em andamento, em Uganda e no Quênia - com 8 mil voluntários - devem prover mais evidências.

- É um assunto delicado, não apenas fisicamente - afirmou a chefe do conselho científico da Unaids, Catherine Hankins. - Consideramos os resultados animadores, mas é necessário combinar um pacote de medidas, como o uso de preservativos. E avaliar a aceitabilidade da prática - afirma.

Outra preocupação das organizações é uma falsa sensação de segurança que a cirurgia pode provocar nas pessoas, o que poderia incentivar um comportamento sexual de risco. Autoridades afirmaram que há também o perigo de ocorrer um aumento de operações de circuncisão clandestinas, o que aceleraria a possibilidade de contágio pelo HIV.

Jornal do Brasil, 27/07/05


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