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Biotecnologia/Tecnologia/Ciências

Tecnologia transforma água salobra em água doce

03/08/2005

O Laboratório de Referência em Dessalinização (Labdes), da Universidade Federal de Campina Grande (PB), desenvolveu uma tecnologia viável de dessalinização de águas salobras e salinas, oriundas de poços, para as regiões do semi-árido brasileiro. O projeto tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Fundo Setorial de Recursos Hídricos (CT-Hidro), ambos vinculados ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

O Laboratório tem coordenado tecnicamente o Programa Nacional de Dessalinização do Ministério do Meio Ambiente, o qual foi responsável pelos projetos e implantações de sistemas de dessalinização via osmose inversa, para atender a pequenas e médias comunidades de vários estados do Nordeste, além de sistemas de grande porte implantados no Espírito Santo e no arquipélago de Fernando de Noronha. Com a experiência absorvida ao longo de cinco anos, observou-se que os sistemas de dessalinização constituem uma tecnologia viável para evitar ou minimizar as crises por falta de água de boa qualidade, bem como para o aproveitamento do potencial hídrico que se encontra sem condições de uso.

O coordenador do CT-Hidro, professor Kepler França, explica que por meio do acompanhamento periódico desses sistemas têm-se detectado os principais problemas técnicos que afetam, de forma direta, o processo como um todo, a ponto de causar a paralização da produção de água dessalinizada. Entre os problemas, ele citou o pré-tratamento da água bruta, manutenção preventiva, monitoramento adequado e a falta de pessoal qualificado.

O sistema de dessalinização consiste da fonte hídrica, um conjunto de motor-bombas, dessalinizador e tanques. As análises físico-química e bacteriológica da água são os principais parâmetros na determinação do pré-tratamento necessário e na escolha dos tipos de elementos de membranas que irão operar durante o processo. O número de elementos de membranas depende do potencial hídrico e da demanda de água. Atualmente, existem mais de mil unidades de dessalinização instaladas no Nordeste, e nenhuma delas apresenta um sistema de proteção para os componentes do dessalinizador, inclusive para os elementos de membranas.

Kepler informa que, atualmente, conta com um acervo considerável de informações, em termos de análises e projetos, de todos os sistemas do Programa de Dessalinização. Por isso, acha salutar o desenvolvimento de estudos para pré-tratamentos das águas, definir os projetos dos dessalinizadores para diferentes tipos de membranas e, em paralelo, desenvolver um sistema de baixo custo para a monitoração de dessalinizadores capaz de gerar informações, em tempo real, do comportamento das variáveis de medidas do dessalinizador.

“De posse dessas informações, é possível construir um banco de dados dos sistemas de dessalinização, desenvolver um programa seguro de manutenção visando maximizar a vida útil dos equipamentos e, conseqüentemente, reduzir o custo da água dessalinizada”, afirma. Estima-se que cada sistema de monitoração fique entre R$ 400 e R$ 800, que corresponderia à cerca de 4% do valor de um dessalinizador. O sistema beneficiará a vida útil das membranas que, a preço de mercado, estão custando de R$ 1,6 mil a R$ 1,8 mil.

Entendendo a abrangência do problema, a equipe mobilizada em torno do projeto pretende contribuir dentro das competências de dois laboratórios de pesquisa consolidados em suas áreas de atuação: o Labdes e o Laboratório de Processos com Membranas da Coppe/UFRJ, levando sempre em conta os aspectos socioculturais das comunidades-alvo, e tendo como objetivo principal aumentar a oferta de água potável pela maior eficiência da dessalinização de águas salobras por osmose inversa.

Partindo de experiências nas áreas de atuação relacionadas ao tema, e da identificação de carências e oportunidades, o grupo percebe a necessidade de um gerenciamento adequado de recursos técnicos e humanos visando à racionalização e otimização do uso e da manutenção desses dessalinizadores por osmose inversa. O foco é colocado na unidade de osmose inversa, estudando critérios para viabilizar um maior acesso, e a redução do custo das soluções técnicas já postas em vigor para o fornecimento de água potável a comunidades inseridas na região do semi-árido brasileiro. Neste sentido, incluem-se estudos que favoreçam a emergência de uma autonomia nacional em termos dos equipamentos necessários (principalmente membranas para dessalinizadores).

O professor Kepler informa também que os sistemas desenvolvidos terão um controle padronizado com transmissão regular de dados via modem, que permite correções adequadas em tempo. Protocolos para treinamento de operadores e critérios de substituição de membranas serão aperfeiçoados. Uma meta do projeto visa melhorar o desempenho e a vida útil dos sistemas instalados. A outra meta visa ao desenvolvimento de membranas de fibras ocas adequadas às características de água da região e que possam substituir os módulos importados usados atualmente. Espera-se que os resultados tenham aplicação imediata, e que as bases de uma indústria de membranas no País sejam viabilizadas.

Justificativa
As variações climáticas enfrentadas na região Nordeste ao longo de cada ano são observadas como um dos parâmetros responsáveis pela falta de água para o consumo humano, acarretando em um dos maiores problemas sociais e econômicos da região. Em busca de soluções, as águas subterrâneas têm sido mais exploradas pelo homem. Todavia, as águas comumente encontradas são impróprias para o consumo humano devido a seus altos índices de sais dissolvidos. Essa característica em algumas regiões se dá em função dos tipos de rochas encontradas. Nas regiões semi-áridas há grande predominância de rochas cristalinas, que apresentam baixos valores de porosidade e de permeabilidade primárias, condicionando uma circulação lenta dos fluidos e, conseqüentemente, maior tempo de permanência das águas nos aqüíferos, o que vem a gerar uma maior salinização das mesmas.</


Assessoria de Imprensa do CNPq


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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