-
Esta página já teve 133.111.420 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.664 acessos diários
home | entre em contato
 

Pneumologia/Pulmão

Dose ótima de salbutamol para o tratamento de exacerbações de DPOC de leve e moderada intensidade

03/08/2005

Introdução

Apesar do salbutamol ou outro beta2-agonistas de curta ação ser amplamente empregado no tratamento da exacerbação da DPOC, sua relação dose-resposta não foi adequadamente avaliada nessa enfermidade. As doses habitualmente empregadas variam de 2,5 a 5 mg a cada quatro horas para as exacerbações moderadas e graves, mas foram baseadas em estudos conduzidos em pacientes asmáticos ou com DPOC estável. Neste trabalho, os autores avaliam se doses maiores que 2,5 mg a cada 4 horas acrescentam benefícios clínicos na exacerbação da DPOC.

Métodos

Estudo prospectivo, randômico, conduzido em quatro hospitais universitários da Inglaterra. Incluíram-se indivíduos com mais de 45 anos, com tabagismo superior a 20 anos/maço, já com diagnóstico de DPOC e que foram internados por exacerbação da doença. Excluíram-se pacientes com exacerbações graves (com acidose respiratória descompensada e/ou necessidade de ventilação não-invasiva), ou com outras doenças respiratórias associadas.

Para avaliar a curva dose-resposta do salbutamol na exacerbação da DPOC, medidas de VEF1 e de pico de fluxo expiratório (PFE) eram realizadas após 15 minutos da administração de doses cumulativas do broncodilatador por nebulímetro com espaçador (0, 200, 400, 800, 1600 e 3200 mcg, com intervalos de 20 minutos entre elas). Após essas avaliações, os pacientes eram divididos aleatoriamente e recebiam 2,5 ou 5 mg de salbutamol por nebulização, a cada quatro horas, durante a internação. Todos os pacientes receberam 30 mg/dia de prednisona por via oral e antibióticos e brometo de ipratrópio podiam ser acrescentados ao tratamento conforme julgamento do médico assistente. As curvas de dose-resposta eram repetidas quando os pacientes encontravam-se prontos para alta hospitalar.

Resultados

Foram incluídos 86 pacientes com média de idade de 69 anos e média de VEF1 de 0,816 L (variando de 0,30 a 2,14 L). No momento da randomização, não se observaram diferenças entre os dois grupos em relação aos dados demográficos e de gravidade da exacerbação da DPOC.

Não houve diferenças entre os pacientes tratados com 2,5 ou 5,0 mg de salbutamol a cada quatro horas em relação à recuperação do VEF1 e do PFE (4 vs. 3,32 dias, respectivamente, com p=0,684) , bem como em relação à duração da internação (6 vs. 9 dias, com p=0,084). Entre os efeitos colaterais, apenas o tremor foi descrito em maior intensidade entre os pacientes que receberam doses maiores de salbutamol. As curvas de dose-resposta realizadas no momento da alta mostraram melhor efeito broncodilatador do salbutamol do que as do início do estudo.

Conclusão

Em pacientes com exacerbações leves ou moderadas de DPOC, nebulizações com 2,5 ou 5 mg de salbutamol a cada quatro horas determinam resultados clínicos semelhantes.

Comentários

Resultados clínicos semelhantes foram obtidos com o tratamento de exacerbações de DPOC de leve ou moderada intensidade com 2,5 mg (10 gotas) ou 5 mg (20 gotas) de salbutamol, por nebulização, a cada quatro horas. Esses achados levam, a princípio, à recomendação das doses menores, limitando, inclusive, os gastos com essa medicação. Os benefícios do uso das doses menores sobre a ocorrência de efeitos colaterais não são tão relevantes, visto que eles não foram significativamente diferentes entre os dois grupos, exceto pelo tremor, relatado em maior freqüência entre os pacientes que receberam maiores doses.

Deve-se ressaltar que não foram avaliados pacientes com formas graves de exacerbação. Além disso, as análises das curvas de dose-resposta no início e no fim da exacerbação mostraram que, com a melhora da exacerbação, menores doses de salbutamol atingem níveis maiores de broncodilatação. Especula-se que alterações nas vias aéreas, como edema e presença de secreção, dificultam a chegada da medicação aos receptores, comprometendo sua ação. Esse fato, associado à segurança dos broncodilatadores inalatórios, permite-nos cogitar o emprego de doses maiores ou em menores intervalos entre os pacientes mais graves. Isso pode ser particularmente importante em pacientes em ventilação mecânica, pois, além da maior gravidade do broncoespasmo, do edema e da hipersecreção mucosa, uma série de fatores relacionados ao suporte ventilatório determinam menor deposição da medicação nas vias aéreas.

A randomized controlled trial to assess the optimal dose and effect of nebulized albuterol in acute exacerbations of COPD
Nair S, Thomas E, Pearson SB et al.
Chest 2005;128:48-54

 


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos