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Pneumologia/Pulmão

Prevalência e gravidade de sintomas relacionados à asma em escolares e adolescentes no município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro

03/08/2005

Introdução

Estudos em países ocidentais desenvolvidos têm revelado aumento da prevalência da asma nas últimas décadas, possivelmente relacionado às mudanças ambientais. No Brasil, há uma escassez de trabalhos epidemiológicos sobre a asma, de tal forma que se desconhece sua verdadeira dimensão no país. Neste estudo, os autores estimam a prevalência da asma, bem como a gravidade de seus sintomas, na população escolar do município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

Métodos

Estudo transversal realizado no período de maio a agosto de 2000 em uma população escolar de duas faixas etárias: seis a sete e 13 a 14 anos. As escolas do município de Duque de Caxias foram selecionadas de maneira aleatória para se obter amostras de aproximadamente 3.000 alunos de cada faixa etária. Para determinar a prevalência da asma e a gravidade dos sintomas, utilizou-se a metodologia do estudo ISAAC (International Study of Asthma and Allergies in Childhood), com a aplicação das questões do questionário utilizado nesse estudo internacional e já validado para o português do Brasil. O questionário foi respondido diretamente pelos alunos com idade entre 13 e 14 anos e pelos pais ou responsáveis das crianças de seis e sete anos.

Resultados

Avaliaram-se, no grupo de 13 a 14 anos de idade, 4.064 alunos, dos quais 4.040 preencheram corretamente o questionário (aproveitamento de 99,4%). Para as crianças de seis a sete anos, distribuíram-se 4.533 questionários, sendo recolhidos 2.765, dos quais 2.334 estavam corretamente preenchidos (aproveitamento de 51,5%). Assim, o total de indivíduos avaliados foi de 6.374, dos quais 52% pertenciam ao sexo feminino.

A tabela 1 mostra a prevalência dos sintomas sugestivos de asma de acordo com o questionário do ISAAC.

Tabela 1. Freqüência percentual de resposta sobre sintomas de asma segundo o questionário ISAAC entre escolares de Duque de Caxias

Questão

Grupo etário de 6 a 7 anos
(n= 2.334)

Grupo etário de 13 a 14 anos
(n= 4.040)

Sibilos alguma vez na vida

46,6%

35,1%

Sibilos nos últimos 12 meses

27,7%

19,0%

Diagnóstico prévio de asma

10,3%

10,0%

Tosse seca noturna

37,5%

37,5%

Sibilância aos exercícios

7,8%

21,4%

A prevalência de sibilância, alguma vez na vida ou nos últimos 12 meses, na faixa etária de seis a sete anos de idade foi significativamente maior entre os indivíduos do sexo masculino. Por outro lado, no grupo de adolescentes a prevalência de sibilos foi significativamente maior entre as meninas.

A tabela 2 mostra a gravidade dos sintomas de asma, de acordo com o número de crises e a perturbação do sono.

Tabela 2. Gravidade da sibilância de acordo com o número de crises e perturbação do sono entre escolares de Duque de Caxias

Questão

Grupo etário de 6 a 7 anos
(n= 2.334)

Grupo etário de 13 a 14 anos
(n= 4.040)

Número de crises nos últimos 12 meses

. .

Nenhuma

74,2%

82,5%

1 – 3

20,0%

14,5%

4 – 12

4,2%

2,0%

+ de 12

1,5%

1,0%

Perturbação do sono

. .

Nunca

81,8%

91,4%

< 1vez/semana

10,3%

5,5%

>1 vez/semana

7,9%

3,0%

Conclusão

A prevalência de sintomas sugestivos de asma na população escolar de Duque de Caxias é alta, sendo de 27,7% entre de seis a sete anos e de 19% entre de 13 a 14 anos de idade.

Discussão

O estudo multicêntrico ISAAC, realizado em 56 países, mostrou uma variabilidade de asma ativa de 1,6% a 36,8% entre crianças e adolescentes. Algumas cidades brasileiras foram incluídas nesse estudo, conferindo a oitava posição ao Brasil entre os países com maior freqüência de asma, com uma prevalência ao redor de 20%. Boechat e colaboradores identificaram em Duque de Caxias prevalência elevada dos sintomas sugestivos de asma entre crianças de seis a sete anos, sendo superior à média nacional e latino-americana. Entre os adolescentes, os valores foram inferiores à média nacional, porém acima da latino-americana.

Interessantemente, o estudo mostrou um padrão, já observado por outros autores, que é a prevalência maior dos sintomas de asma entre adolescentes do sexo feminino. Tenta-se explicar essa diferença pela maturação física que ocorre na época da puberdade. Também se identificou que 5,4% das crianças estudadas e 5,2% dos adolescentes apresentaram mais de doze crises no ano e que 28,5% das crianças e 15,8% dos adolescentes tiveram comprometimento do sono pelos sintomas de asma mais de uma vez na semana. Esses números sugerem que em uma parcela significativa de escolares a doença não é adequadamente controlada.

Estudos epidemiológicos como este são de extrema importância para se conhecer a realidade de determinada doença em nosso país e poder orientar o desenvolvimento de ações para sua prevenção e controle.

 

Boechat JL, Rios JL, Sant’anna CC e França AT.
J. Bras. Pneumol. 2005;31:111-117

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