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diagnóstico e laboratório

Reticulócitos

04/08/2005


 

A enumeração dos reticulócitos é freqüentemente realizada para a obtenção de informações a cerca da integridade funcional da medula hematopoiética.

As células vermelhas do sangue são continuamente renovadas na medula óssea a partir da célula hematopoiética primitiva. O pronormoblasto passa pelos estágios de normoblasto basófilo, normoblasto policromatófilo, normoblasto ortocromático, reticulócito e eritrócito maduro. Esta progressão, desde pronornomoblasto até célula  vermelha anucleada, é rigorosamente regulada pela eritropoietina e outros fatores, com o intuito de manter a oferta adequada de oxigênio aos tecidos.

O reticulócito sofre um período inicial de maturação dentro da medula óssea e é então liberado ao sangue periférico onde diferencia-se em hemácia madura em 2 a 3 dias. Ele é uma célula vermelha anucleada ligeiramente maior do que a hemácia madura (10 a 15 µm versus 6 a 8 µm), e contém resquícios de RNA e outras organelas que podem ser visualizadas com o uso de corantes supravitais do tipo do azul de cresil brilhante. Os reticulócitos ‘jovens” possuem massas densas de RNA e outras substâncias, que vão se tornando granulares e finalmente desaparecem quando o reticulócito completa a sua diferenciação a eritrócito maduro.

A contagem de reticulócitos é reportada como uma porcentagem em relação ao total de hemácias examinadas, cujos valores referenciais estão entre 0,5 e 1,5 %, sendo 3,0 % o valor superior da normalidade. Esta forma de expressar o resultado pode acarretar conclusões errôneas quando o número de eritrócitos é anormal e há uma forte estimulação eritropoiética na medula, como a que pode ocorrer na anemia. Uma forma mais acurada de oferecer o resultado é como número absoluto de reticulócitos por milímetro cúbico de sangue, cujos valores de referência estão entre 20.000 e 80.000/mm3 , sendo 120.000/mm3 o valor superior da normalidade.

Outras partículas que não o RNA (corpúsculos de Heinz, corpos de Howell-Jolly, remanescentes nucleares, grânulos sideróticos, debris, etc.), podem ser confundidos com os grânulos reticulares e dificultar a contagem.

SIGNIFICADO CLÍNICO  DA CONTAGEM DE RETICULÓCITOS

Doença Mecanismo Causa
RETICULOCITOPENIA
Anemias hipocrômicas Distúrbios na síntese de Hb Deficiência de ferro, Anemia da doença crônica, Talassemia, Anemia sideroblástica
Anemias aplásticas Distúrbio na eritropoiese Idiopática, Doença  renal, Metástase óssea, Infecção viral, Aplasia induzida por droga, radiação ou imunológica
Anemia megaloblástica Distúrbio na síntese de DNA Deficiência de vitamina B12, Deficiência de ácido fólico
Crise aplástica na anemia hemolítica Variável Variável
RETICULOCITOSE
Perda sanguínea Eritropoiese aumentada Hemorragia aguda, Hemorragia sub-aguda
Anemias hemolíticas Destruição aumentada dos eritrócitos

Hemoglobinopatias, Distúrbios da membrana dos eritrócitos, Doença hemolítica imune,  Hiperesplenismo


A atividade eritropoiética da medula óssea e o ritmo de liberação das células da medula para o sangue periférico são os fatores determinantes do número de reticulócitos no sangue periférico. Em relação a classificação das anemias, estas podem ser divididas em “regenerativas” (com reticulocitose) e “aregenerativas” (sem reticulocitose).

A reticulocitose ocorre normalmente nos pacientes anêmicos com medula óssea funcional. Aqui estão incluídos os pacientes com perda de sangue ou anemias hemolíticas (anemia falciforme, talassemias, esferocitose, deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, doença hemolítica imune e hiperesplenismo), e os pacientes que foram tratados com sucesso para outros tipos de anemia.

Em contraste, os pacientes com aplasia de medula, eritropoiese inefetiva ou produção deficiente de eritropoietina, podem mostrar uma contagem normal ou diminuída de reticulócitos a despeito de grave anemia. Nestes pacientes estão incluídos os com anemias por deficiências de ferro, folato ou vitamina B12, anemia perniciosa,  aplasia eritrogênica imunológica ou induzida por drogas, leucemia, carcinoma metastático, mielofibrose, insuficiência renal crônica e outros distúrbios.

A contagem de reticulócitos é, assim, crítica para o diagnóstico de várias doenças hematológicas e para a classificação dos pacientes com anemia. Alem dessa utilidade diagnóstica, a contagem de reticulócitos desempenha um papel de crescente importância na monitoragem dos pacientes que estão sendo medicados para algumas doenças, como é o caso dos que estão recebendo terapêutica pela eritropoietina humana recombinante (rhEPO) e outros fatores de crescimento hematológicos usados para estimular a produção do éritrom. A terapêutica com a eritropoietina recombinante tem sido utilizada para tratamento de anemias associadas com supressão da medula óssea por câncer, transplante, quimioterapia, mielodisplasia, uso de zivudina em aidéticos, anemia falciforme, insuficiência renal crônica, e outras doenças.

Uma aplicação recente da contagem de reticulócitos é na detecção do uso da eritropoietina como droga de abuso por parte de esportistas, para conseguirem induzir poliglobulia visando um melhor desempenho em competições esportivas.

UTILIZAÇÃO CLÍNICA DA CONTAGEM DE RETICULÓCITOS

DIAGNÓSTICO HEMATOLÓGICO                                                                                   

Classificação de paciente anêmico                                                                                      Diagnóstico e gravidade de anemia hemolítica                                                                  Avaliação da função da medula óssea                                                                              Crise aplástica na anemia hemolítica                                                                                        Mielodisplasia                                                                                                                     Hemorragia ou hemólise oculta ou compensada                                                              Crise falciforme e outras complicações da anemia falciforme

MONITORAGEM TERAPÊUTICA

Terapêutica com EPO na AIDS,  quimioterapia, etc.                                                     Regeneração da medula óssea pós-transplante medular                                                 Êxito de transplante renal                                                                                         Tratamento de anemia  (Fe, B12, folato, EPO, etc)                                                        Tratamento com hidroxiureia na anemia falciforme                                                     Necessidade transfusional para o recém nascido

OUTRAS APLICAÇÕES

Identificação do momento para coleta de células primitivas                                            Abuso de EPO por parte de esportistas

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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