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Biotecnologia/Tecnologia/Ciências

Alunos da USP levam Telemedicina à Amazônia, em projeto de saúde pioneiro

06/08/2005

Em dezembro, cerca de uma centena de alunos da Faculdade de Medicina da USP levará para a Amazônia um projeto pioneiro no Brasil. Além de prestar assistência médica à região, o grupo criará um importante elo com a comunidade local: o da Telemedicina.

Durante dez dias, os futuros médicos treinarão profissionais de saúde de uma cidade do Estado do Amazonas a ser escolhida (provavelmente Parintins) para que eles tenham acesso ao "know how" da Universidade de São Paulo mesmo quando os estudantes forem embora. "Os alunos passarão a deixar cinco computadores com acesso à Internet em cada destino do projeto. Isso vai permitir que os agentes de saúde e médicos locais se comuniquem com médicos do Hospital das Clínicas para a realização de diagnósticos e até para a indicação de tratamentos para a comunidade. Quando os alunos voltarem para São Paulo, o equipamento fica, garantindo o contato da comunidade com a universidade", afirma o coordenador da disciplina de Telemedicina da USP, Chao Lung Wen.

A iniciativa é fruto da união da chamada liga de Telemedicina com o projeto "Bandeira Científica", que desde 1998 manda, anualmente, alunos da Faculdade de Medicina da USP para várias regiões do país, a fim de diagnosticar os principais problemas de saúde de comunidades carentes e propor ações de conscientização e prevenção.

Em setembro, os alunos da liga de Telemedicina começam o treinamento para ensinar a tecnologia aos participantes da Bandeira Científica que viajarão para a Amazônia. Dois sites de acesso restrito possibilitarão a troca de informações entre a USP e as comunidades médicas locais. No "Ciber Ambulatório", o médico da região preencherá a ficha do paciente e receberá uma segunda opinião sobre o diagnóstico. Já o "Tutor Eletrônico" oferece conteúdo didático sobre várias doenças como malária, hanseníase e tuberculose.

Um curso de fotografia clínica digital também será dado, para que os agentes de saúde regionais possam mandar imagens para os médicos da USP.

Além do treinamento tecnológico, os estudantes serão capacitados por professores e médicos especialistas do Hospital das Clínicas (HC) em prevenção e assistência a doenças relevantes para a região. No caso da Amazônia, o foco ficará em hanseníase, câncer de pele e doenças sexualmente transmissíveis.

"Homem Virtual"

A liga de Telemedicina, formada em julho deste ano, reúne alunos de medicina, saúde pública e enfermagem e tem supervisores formados em odontologia, nutrição, engenharia e fisioterapia. "Nossa idéia é promover um intercâmbio entre os alunos de áreas diferentes", conta Guilherme Zwicker, aluno do 5º ano de medicina, que coordena as ações da liga. Ao contrário das demais ligas que são muito focadas e especializadas, essa pretende justamente o contrário, reunir pessoas com experiências e formações diferentes.

Além de promover palestras e cursos, os alunos vão desenvolver projetos de Telemedicina, usando a tecnologia para promover assistência e educação em saúde. Além da parceria com o projeto Bandeira Científica, a liga já formatou um projeto em conjunto com a Estação Ciência, centro científico mantido pela USP no bairro da Lapa, em São Paulo, que promove exposições e mostras nas áreas de astronomia, meteorologia, física, biologia, entre outros.

Lá, os alunos da liga vão oferecer palestras para alunos do ensino médio de escolas públicas sobre prevenção a doenças como hanseníase, doenças sexualmente transmissíveis, hipertensão e diabetes. As palestras contam com um reforço didático, a utilização de um CD-Rom do projeto "Homem Virtual", que com recursos de computação gráfica, mostra exatamente como é o mecanismo de ação das doenças no organismo, permitindo aos alunos visualizares todos os órgãos e o funcionamento do corpo humano em detalhes.

Passado esse treinamento, cinco alunos de cada escola participante poderão se transformar em "doutores mirins". Para isso, eles passarão por um novo processo de capacitação, mais aprofundado sobre cada tema, para atuarem como agentes de prevenção de saúde em suas escolas e comunidades. Cada "doutor mirim" receberá um CD-Rom do Homem Virtual para ensinar seus colegas.

O projeto também pretende instalar pelo menos dois computadores com conexão à Internet em cada escola participante para promover a troca de informações entre os a faculdade e os alunos. "A idéia é que os doutores mirins façam essa ponte entre as dúvidas dos estudantes e os integrantes da liga de telemedicina, em questões relativas a prevenção", comenta Chao Lung Wen.

Entenda como funciona a Telemedicina

A telemedicina, que começou a se desenvolver com mais intensidade a partir da década de 60, promove assistência e educação em saúde em pontos geograficamente distantes, por meio da utilização de tecnologias de telecomunicação e informática.

Ela pode ser aplicada de três maneiras, de acordo com a tecnologia disponível. A de alta tecnologia inclui o uso de sistemas de videoconferência e rede de radiofreqüência. Esse equipamento possibilita, entre outras coisas, a realização de uma cirurgia a distância, por robótica.

A segunda categoria usa Internet de banda larga, permitindo a realização de chats para debates e aulas a distância, além da disponibilização de imagens de alta resolução. Quando se tem apenas baixa tecnologia à disposição, é possível usar a Internet discada associada a CD Roms.

O maior complexo de telemedicina da América Latina está atualmente em São Paulo. Ele reúne o Hospital das Clínicas e as Faculdades de Medicina e Saúde Pública da USP e a Escola de Enfermagem. Essa estrutura, por sua vez está conectada ao Centro de Saúde do Butantã, Hospital Universitário USP, Faculdade de Odontologia de Baurú e Ribeirão Preto. Além disso, há um dos mais modernos conjuntos de videoconferência, que inclui aparelhagem móvel, sala de aula do futuro, em que todos os alunos têm acesso à Internet, e sistema de videoconferência e um centro de ambulatório virtual.

Uol, 05/08/05


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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