-
Esta página já teve 133.091.220 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.665 acessos diários
home | entre em contato
 

Tóxicos/Intoxicações

Poluição Veicular

20/08/2005

Os veículos automotores contribuem para a contínua deterioração da qualidade do ar, especialmente nos grandes centros urbanos. Tanto os veículos movidos a diesel, como aqueles movidos a gasolina ou a álcool produzem gases, vapores e material particulado que são emitidos para o ar.

A emissão de gases e material particulado pelo tubo de escapamento dos veículos é devida às reações químicas associadas ao processo de combustão que ocorre no motor. Os poluentes emitidos compreendem o monóxido de carbono, os hidrocarbonetos, os óxidos de nitrogênio, os óxidos de enxofre, ácidos orgânicos e material particulado.

A emissão de poluentes varia de acordo com o tipo de veículo (leve ou pesado), com o ano-modelo, com o tipo de combustível utilizado, com a relação ar/combustível do processo de combustão, com a velocidade do motor, com a geometria da câmara de combustão e com a existência de equipamento de controle da emissão (catalisador).

A emissão de vapores através de respiros, juntas e conexões do sistema de alimentação do combustível é denominada emissão evaporativa e, basicamente, depende da volatilidade do combustível e das condições do ambiente. A emissão de material particulado, além daquela gerada no processo de combustão, também ocorre devido ao desgaste de pneus e de pastilhas ou lonas e freios.

Apesar dos veículos não se constituírem na maior fonte de material particulado e de óxidos de enxofre, sua contribuição é significativa pois a emissão ocorre ao nível da rua e, com isso, a população sofre uma exposição acentuada a esses poluentes veiculares . Além disso, o material particulado emitido por motores, devido ao seu tamanho microscópico, às suas propriedades químicas, e à sua persistência na atmosfera, pode se constituir em riscos graves à saúde pública.

FIGURA I - Pontos de emissão de poluentes do ar em veículo automotor

Além dos poluentes tradicionais (monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio) emitidos pelos veículos leves, a introdução do álcool como combustível trouxe também a emissão de aldeídos em quantidades significativas, quando comparadas com a emissão desses compostos por veículos movidos à gasolina.

Devido ao grande número de veículos circulando nas cidades brasileiras (mais de 14 milhões) e aos problemas de poluição do ar associados às emissões veiculares, foi instituído, pela Resolução CONOMA 18/86, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores - PROCONVE, cuja filosofia está baseada na indução do desenvolvimento tecnológico e na melhoria da qualidade dos combustíveis. Seus objetivos são dos seguintes:

  • reduzir os níveis de emissão de poluentes por veículos automotores visando o atendimento aos padrões de qualidade do ar, especialmente nos centros urbanos;
  • promover o desenvolvimento tecnológico nacional, tanto na engenharia automobilística, como também em métodos e equipamentos para ensaios e medições da emissão de poluentes;
  • criar programas de inspeção e manutenção para veículos automotores em uso;
  • promover a conscientização da população com relação à questão da poluição do ar por veículos automotores;
  • promover a melhoria das características técnicas dos combustíveis líquidos colocados à disposição da frota nacional de veículos automotores, visando a redução das emissões de poluentes para a atmosfera.

Esse programa estabeleceu um cronograma de redução gradual da emissão de poluentes para veículos leves (automóveis) e, paralelamente, um cronograma para veículos pesados (ônibus e caminhões) nos moldes das propostas dos países desenvolvidos, adotando procedimentos diversos para a viabilização das tecnologias industriais já existentes, adaptadas às condições e necessidades brasileiras. O programa impõe ainda a certificação de protótipos e linhas de produção, a autorização especial do IBAMA para uso de combustíveis alternativos, o recolhimento e o reparo de veículos ou motores encontrados em desconformidade com a produção ou o projeto, e proíbe a comercialização dos modelos de veículos não homologados segundo seus critérios.

Todos os modelos de veículos, nacionais ou importados, são submetidos anual e obrigatoriamente à homologação quanto à emissão de poluentes. Para tal são analisados todos os parâmetros de engenharia do motor do veículo relevantes à emissão de poluentes, e realizados ensaios de laboratório, onde as emissões reais dos escapamentos são quantificadas e comparadas aos limites máximos estabelecidos.

O PROCONVE pode ser caracterizado por três fases:

  • Primeira fase (1988 - 1991): aprimoramento do projetos mecânico dos veículos;
  • Segunda fase (1992 - 1996): desenvolvimento de tecnologias especiais (conversor catalítico, injeção eletrônica e ignição eletrônica);
  • Terceira fase (1997 - em diante): solicitação ao fabricante para o emprego das melhores tecnologias existentes (estabelecimento de limites de emissão e exigência para homologação dos veículos).

O material particulado constitui o poluente mais importante a ser considerado nos programas de redução de emissões de em motores diesel. Também nos motores a diesel a composição do combustível e suas características mecânicas influenciam na qualidade das emissões.

Os conversores catalíticos, que começaram a ser utilizados nos Estados Unidos em 1975, são de dois tipos: o conversor catalítico oxidante, que oxida os hidrocarbonetos e monóxido de carbono à CO2 e H2O e não atuam sobre as emissões de NOx e o conversor catalítico de três vias, que oxida os hidrocarbonetos e monóxido de carbono a CO2 e H2O e reduz os óxidos de nitrogênio a N2.

As reações que ocorrem num conversor catalítico são:

. Reações de oxidação

2CO + O2 ® 2CO2

HC + O2 ® CO2 + H2O

. Reações de redução

2CO + 2NO2 ® 2CO2 + N2

HC + NO ® CO2 + H2O + N2

Existe uma relação estreita entre a eficiência de conversão do monóxido de carbono, dos hidrocabonetos e dos óxidos de nitrogênio pelo catalisador e a relação ar combustível.

Embora de fundamental importância para o atendimento das metas de um programa de controle veicular, o Brasil ainda não tem definido, de maneira clara e permanente, a especificação e o fornecimento regular dos combustíveis comerciais devido às indefinições na estruturação de sua matriz energética.

O combustível padrão para ensaios de emissão de poluentes no escapamento dos veículos automotores foram especificados pelo PROCONVE de modo a representar os combustíveis distribuídos comercialmente no País. A mistura gasolina-etanol anidro é preparada na proporção de 22 ± 1% (em volume) de álcool.

A especificação do óleo diesel padrão está sendo revisada quanto ao teor de enxofre, conforme cronograma estabelecido na Resolução CONAMA 226/97.

O CONAMA estabelece que PROCONVE deve ser associado a programas complementares de educação ambiental, de transporte e de inspeção de manutenção de veículos automotores.

 

TABELA I - Especificações para o teor de enxofre do óleo diesel comercial

TIPO

UTILIZAÇÃO

TEOR MÁXIMO DE ENXOFRE
(% massa)

A

Comercializado em todo o Brasil até janeiro/98, exceto nas Regiões Metropolitanas (*)

1,0

B

Comercializado nas Regiões Metropolitanas(*) até outubro/97 e nas demais regiões do Brasil desde janeiro/98

0,5

C

Comercializado nas Regiões Metropolitanas(*) desde janeiro/98

0,3

D

Para uso em motores marítimos

1,0

E

Comercializado nas Regiões Metropolitanas desde janeiro/98(*)

0,2

(*) Conforme cronograma apresentado na Tabela II
Fonte: Resolução CONAMA 226/97

TABELA II Implantação do programa de melhoria do óleo diesel

TIPO

OUTUBRO/96

OUTUBRO/97

JANEIRO/98

JANEIRO/2000

A

(1,0%)

 

 

demais regiões

 

 

demais regiões

 

extinto

 

extinto

B

(0,5%)

Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife , Foraleza

 

 

-

 

 

demais regiões

 

extinto

C

(0,3%)

São Paulo, Santos, Cubatão, Salvador, Aracaju

Regiões anteriores e Porto Alegre, Curitiba, São José dos Campos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Belém

Porto Alegre, Curitiba, São José dos Campos, Campinas, Belo Horizonte, Belém

 

 

extinto

E

(0,2%)

 

-

 

-

São Paulo, Santos, Cubatão, Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju, Recife, Fortaleza

Regiões anteriores e Porto Alegre, São José dos Campos, Campinas, Belo Horizonte, Belém

Fonte: Resolução CONAMA 226/97

www.redegoverno.gov.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos