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Meio Ambiente/Ecologia

Acidentes rodoviários de produtos perigosos são freqüentes

27/08/2005

Em São Paulo,

A freqüência elevada de acidentes com transporte rodoviário de produtos perigosos é considerada uma fonte significativa de riscos ambientais e de riscos à saúde. Somente em 2004, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) - órgão responsável pelo controle da qualidade ambiental no estado de São Paulo - atendeu a 208 ocorrências dessa natureza no estado, o que corresponde a uma média de cerca de um acidente com produtos perigosos a cada dois dias. O dado consta no “Relatório de atendimento a acidentes ambientais no transporte rodoviário de produtos perigosos”, divulgado no último dia 15 pela Cetesb. Entre 1983 e 2004, período contemplado pelo relatório, acidentes com cargas perigosas em vias urbanas e estradas de São Paulo representaram os atendimentos emergenciais mais freqüentes realizados pelo órgão ambiental (37% do total).

Segundo o químico Jorge Luiz Nobre Gouveia, gerente do Setor de Operações de Emergência da Cetesb, a situação não é exclusividade de São Paulo e decorre diretamente do modelo de transporte adotado no país. “O modelo de escoamento da produção nacional que prevalece no Brasil é o rodoviário. A malha brasileira é a 2a maior do mundo”, lembra Gouveia. “Em conseqüência dessa magnitude, há um elevado número de acidentes com cargas perigosas, que têm gerado danos ao meio ambiente e ao patrimônio público e privado”.

Entre os riscos ambientais representados por acidentes rodoviários com produtos perigosos estão a contaminação de corpos d’água, solo e vegetação. Embora os impactos dos acidentes geralmente se restrinjam à área próxima ao local de ocorrência, há casos em que os produtos podem chegar até onde é feita captação de água para abastecimento público. “Esta é uma conseqüência indireta, mas mais preocupante. Substâncias tóxicas podem vazar e atingir mananciais, afetando grande número de pessoas”, afirma geógrafo Salvador Carpi Júnior, pesquisador do Instituto de Geociências da Unicamp. Os dados da Cetesb mostram que líquidos inflamáveis (como gasolina, óleo diesel e álcool etílico) são os produtos perigosos mais freqüentes nos acidentes (36% dos casos), seguidos por corrosivos e gases (22% e 10% do total, respectivamente). Carpi Júnior acrescenta que além dos danos ambientais, os acidentes também podem trazer riscos às pessoas que trafegam pela via e aos moradores do entorno.

O relatório da Cetesb aponta como fatores importantes para a ocorrência de acidentes a conduta dos motoristas e as condições das estradas. O caso da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), principal via de ligação entre as regiões Sul e Sudeste, é emblemático. “A alta incidência de acidentes nessa estrada está bastante ligada ao seu mau estado de conservação”, afirma Carpi Júnior. Além da região do Vale do Ribeira, cortada pela Régis Bittencourt, acidentes com cargas perigosas são bastante freqüentes nas regiões de Campinas, Santos e Cubatão. A concentração de indústrias, em especial do ramo petroquímico, é responsável por grande tráfego de produtos perigosos nessas regiões, aumentando os riscos de acidentes. Segundo o relatório, os acidentes na região de Santos-Cubatão despertam uma preocupação especial, tendo em vista a vulnerabilidade dos ecossistemas que a compõe.

Conforme destaca Gouveia, os dados do relatório da Cetesb devem ser vistos como uma amostra da realidade paulista, já que se referem apenas aos acidentes em que o órgão foi acionado. Por outro lado, o químico ressalva que nem todos os casos em que a Cetesb atuou envolveram danos ao meio ambiente. Para Gouveia, “este registro histórico dos acidentes é muito importante como ferramenta para tomada de decisão”, pois auxilia na adoção de políticas preventivas e corretivas de controle dos riscos associados a acidentes rodoviários com cargas perigosas.

A sistematização e difusão de informações sobre os acidentes, toxicologia dos produtos perigosos e procedimentos de atendimento emergencial estão entre as recomendações presentes no relatório. Com intuito de suprir a carência de dados sobre o assunto, a partir do próximo ano, a Cetesb divulgará um relatório anual sobre o tema.

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