Meio Ambiente/Ecologia - Identificar sapos:primeiro guia sonoro
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Meio Ambiente/Ecologia

Identificar sapos:primeiro guia sonoro

27/08/2005
Você já ouviu a barulheira de uma lagoa ao cair da noite? Às vezes não sabemos se são sapos, insetos ou mesmo a vegetação que range, imagine ainda poder distinguir entre as diferentes espécies de anfíbios ali presentes. Assim o faz o CD Guia Sonoro dos Anfíbios Anuros da Mata Atlântica lançado neste mês, produzido sob a coordenação de Célio Haddad, do laboratório de Herpetologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, e que reúne amostras do canto de 70 espécies de sapos, rãs e pererecas (anuros) da mata atlântica, além de um livreto com fotos e informações básicas em português e inglês.

Além de um agradável som, o material traz importantes dados que permitem a qualquer curioso identificar o animal e saber onde procurá-lo (na água, na beira da lagoa, na folhagem ou outros locais). Algumas espécies aparecem em mais de uma faixa, como é o caso do macho da rã-assobiadora que coaxa de forma bem diferente se seu intuito é atrair fêmeas ou espantar adversários. Além disso, há também exemplos de coros. Entre eles há um em que se pode ouvir a perereca-de-colete, a pererequinha-do-brejo, a perereca-verde, o sapo-ferreiro e a perereca-do-litoral, que se não puderem ser identificadas em conjunto, podem ser ouvidas individualmente nas faixas correspondentes.

Os coaxos destes animais estão presentes no CD. Da esquerda para a direita: perereca-de-colete, pererequinha-do-brejo, perereca-verde, sapo-ferreiro e perereca-do-litoral

Para quem faz trabalho de campo, reconhecer vocalizações é essencial para localizar espécies de interesse ou fazer um inventário zoológico. Haddad afirma que os próprios especialistas têm necessidade de um guia como o CD recém lançado, uma vez que a fauna de anuros varia ao longo da mata atlântica.

Em muitos países uma abundância de guias de campo permite a qualquer pessoa investigar a natureza a seu redor. No Brasil, até agora existiam guias sonoros somente para cantos de aves, como os de autoria do ornitólogo Jacques Vielliard, da Unicamp. Outros países da América Latina, como Bolívia, Argentina e Panamá, já têm cantos de anuros disponíveis em CD. Nos Estados Unidos e na Europa a oferta é bem maior. Segundo João Giovanelli, um dos autores do CD brasileiro, a idéia surgiu do trabalho feito pela fonoteca da Biblioteca de Londres. Entre outras coisas, o acervo inclui uma riquíssima coleção de sons naturais, que se pode ouvir pela internet. O site traz também listas de guias sonoros de outras partes do mundo.

A Unesp de Rio Claro também possui um acervo que inclui vocalizações colhidas por Haddad desde a sua graduação, assim como amostras cedidas por colaboradores. O material já é suficiente para que, em breve, seja compilado um guia sonoro para o cerrado e o pantanal.

A mata atlântica abriga cerca de 50% da diversidade de anuros do Brasil, muitas das quais só ocorrem nela (endêmicas). Com a drástica destruição sofrida por esse ecossistema (resta apenas 7% de área original), muitas destas espécies podem estar ameaçadas de extinção. Segundo a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, 13 espécies de anuros da mata atlântica estão ameaçadas.

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