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diagnóstico e laboratório

Detecção laboratorial de drogas de abuso

31/08/2005



 

 

      Com freqüência cada vez maior, o atendimento médico se depara com a possibilidade do paciente ser usuário de alguma droga ilícita, também referida como droga de abuso.

      Além dos aspectos especificamente médicos desta situação, outros fatores relacionados com a qualidade de vida e atividade profissional devem ser considerados. Sabe-se, por exemplo, que usuários de alguma destas drogas fazem uso dos serviços de assistência médica com freqüência cerca de três vezes maior do que trabalhadores não adictos e que aproximadamente 20% dos acidentes de trabalho são decorrentes ou estão diretamente relacionados ao uso de algum tipo de droga.

      Com a finalidade de facilitar a identificação e/ou monitorização dos indivíduos potencialmente usuários de algumas destas drogas, o Fleury disponibiliza alguns testes, do quais destacamos a pesquisa de drogas de abuso na urina e a dosagem de drogas de abuso no sangue.

      No exame pesquisa de drogas de abuso na urina, são pesquisadas, coletivamente, as seguintes famílias de compostos: Anfetaminas, Barbitúricos, Cocaína, Opiáceos e Tetra-hidrocanabinol (THC). A metodologia utilizada é a de fluorescência polarizada e este teste é reconhecido como sendo adequado para a triagem e monitorização. Eventualmente, alguns casos positivos podem precisar de confirmação, o que é realizado por espectrometria de massa. As duas drogas mais freqüentemente utilizadas no nosso meio são a cocaína e a maconha (THC).

      Nas dosagens séricas, deve-se especificar qual ou quais drogas são de interesse e a metodologia é a espectrometria de massa.

      A cocaína é um alcalóide presente nas folhas de uma planta chamada coca. É um potente estimulante para o sistema nervoso central, mantendo o estado de alerta e euforia. Possui efeito semelhante ao da anfetamina, porém de mais curta duração. A base bioquímica da ação destas duas drogas é a mesma, ou seja, bloqueiam a retomada da dopamina pela terminação sináptica, prolongando, portanto sua ação.

      O uso não médico da cocaína, geralmente, é feito por inalação nasal direta ou inalação da fumaça. A intoxicação aguda pode produzir crise convulsiva, arritmia cardíaca, infarte do miocárdio, hipertensão, hipertermia e morte súbita.

      A cocaína gera dois metabólitos inativos: metil-ester-ecgonina e benzoilecgonina, sendo esta última o principal metabólito encontrado na urina. As meias vidas são, da cocaína de 0,5 a 1,5 horas, da metil-ester-ecgonina 3 a 4 horas e da benzoilecgonina de 4 a 7 horas.

      O teste de triagem, que é um imunoensaio, pode detectar a benzoilecgonina até 3 dias após um uso único. Indivíduos em uso crônico e com altas doses podem ter este prazo estendido para 10 a 22 dias após a última dose.

      Os Canabinóides se constituem num grupo de substâncias encontradas na planta Cannabis sativa e o componente psicoativo mais importante é o delta-9-tetrahidrocanabinol (D 9THC).

      A forma de consumo mais comum é por inalação da fumaça do denominado cigarro de maconha, que é feito com proporções variadas de folhas, inflorescências, caules e frutos da planta, que são secos e amassados. Haxixe é um preparado resinoso obtido das inflorescências da mesma planta que geralmente é fumado através de cachimbos. Esta preparação possui teores mais elevados de THC do que a maconha. Recentemente, surgiram duas novas preparações: AMP e SKUNK. O AMP é a maconha embebida em formaldeído, seca e posteriormente fumada e o SKUNK é a maconha de laboratório, cultivada em condições especiais para maximizar a concentração do THC.

      Os efeitos tóxicos relacionados com o consumo de THC incluem sensação inicial de euforia e bem estar, perda da discriminação de tempo e espaço, coordenação motora diminuída, prejuízo da memória recente, falha nas funções intelectuais e cognitivas, taquicardia, hiperemia das conjuntivas, aumento do apetite com secura na boca e garganta.

      A meia vida do THC é de cerca de 1 dia para uso ocasional e de 3 a 5 dias no uso crônico.

      A velocidade de excreção dos canabinóides no organismo humano é lenta, isso porque o THC é lipofílico e, pode se acumular nos tecidos ricos em gordura. Estudos sugerem que produtos urinários podem ser eliminados durante várias semanas após a interrupção do uso de maconha. Assim, em usuários crônicos, o D 9THC pode ser detectado na urina de 20 a 60 dias após o início da abstinência.

      Pode ocorrer flutuação nos níveis séricos e urinários de THC de forma a serem obtidos resultados seqüênciais negativos e positivos, mesmo na ausência de nova exposição à droga. Uma regra prática é considerar que apenas uma elevação maior do que 50% em relação ao resultado anterior reflete re-exposição. Por esta razão, para o acompanhamento de pacientes em tratamento, o resultado deve ser expresso por mg de creatinina.

      O nível sérico de THC não reflete adequadamente a concentração da droga no cérebro.

Referências Bibliográficas

1. OGA, S. - Fundamentos de Toxicologia. Cannabis pg. 319-328. Ed Atheneu - São Paulo - SP 1996.
2. AACC - Professional Practice in Toxicology: A Review. pg. 209 e 210. American Association for Clinical Chemistry - E.U.A 1994.

Dr. Adagmar Andriolo

www.fleury.com.br

 


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