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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Resposta sensorial e dinâmica dos gases intestinais em pacientes com distensão abdominal funcional e em voluntários assintomáticos

01/09/2005
Passos , MCF
Os distúrbios gastrointestinais funcionais constituem parcela expressiva da prática médica, sendo especialmente prevalentes nos atendimentos ambulatoriais de clínica médica e de gastroenterologia. Tais desordens funcionais são atualmente definidas como uma combinação variável de sintomas digestivos crônicos e recorrentes, não explicáveis por anormalidades estruturais ou bioquímicas.
Distensão abdominal, borborigmo, eructação e flatulência são queixas observadas com freqüência em indivíduos portadores de várias síndromes funcionais do trato gastrointestinal. Tem sido especulado se tais sintomas ocorrem por uma alteração da dinâmica (trânsito e eliminação) do gás intestinal, permanecendo, no entanto, obscuro se seriam secundários a um excesso de gás intestinal ou representariam apenas uma intolerância à sua presença, devido a um aumento de sua percepção. Assim, indivíduos sadios, ao contrário de portadores de algumas afecções funcionais gastrointestinais, toleram grandes variações do volume de gás intestinal sem referirem sintomas associados.
A dinâmica do gás intestinal constitui processo complexo e importante na homeostase do intestino, estando ainda mal elucidados os mecanismos que regulam o trânsito dos gases. A somatória de possíveis anormalidades fisiológicas (volume, motilidade e sensibilidade visceral) com distúrbios psicológicos (como a ansiedade, que estimula a aerofagia) poderia explicar como um pequeno incremento no volume dos gases intestinais (não percebido por indivíduos sadios) é capaz de induzir sintomas abdominais em pacientes com transtornos funcionais digestivos.
Um grupo de pesquisadores, capitaneada pelos professores Malagelada, Azpiroz e Serra dedica-se há anos e de forma pioneira, ao estudo da dinâmica dos gases intestinais. Estudos clássicos deste grupo têm demonstrado que a maior parte dos indivíduos é capaz de eliminar apreciáveis volumes de gás pelo reto na mesma velocidade em que são infundidos experimentalmente no intestino proximal. Entretanto, aquela pequena parcela de indivíduos que não o fazem (especialmente os portadores da síndrome do intestino irritável) exibe sintomas associados e apresenta um aumento do perímetro abdominal. Outros estudos para avaliar os mecanismos envolvidos nessa retenção de gases sugerem que a retenção voluntária de gases no reto não constitui fator significativo e que a distensão retal é capaz de acelerar o trânsito de gás em voluntários assintomáticos. Subseqüentemente, esses mesmos autores, desenvolveram em ensaios terapêuticos, um modelo de retenção de gás, reproduzível em voluntários assintomáticos, envolvendo a infusão concomitante de gás e de lípides. Foi demonstrado que a infusão de doses fisiológicas de lípides no duodeno retarda o trânsito do gás intestinal, favorecendo a retenção do mesmo com conseqüente distensão abdominal em indivíduos sadios. Outros estudos revelaram também que a infusão intraluminal de lípides exacerba a sensibilidade gastrointestinal, aumentando a percepção induzida por uma distensão gástrica e, ao mesmo tempo, determinando respostas reflexas tanto retrógradas como anterógradas.
A tolerância ao gás intestinal e o seu trânsito têm sido avaliados através de novo instrumental, desenvolvido no laboratório de provas funcionais do Hospital Universitário Vall d´Hebron, em Barcelona, com o qual se podem determinar, durante uma infusão contínua de gás no jejuno, a liberação de gás pelo reto e sua percepção subjetiva. Resumidamente, esta técnica se baseia na infusão de lípides e de uma mistura de gases intestinais. Simultaneamente determinam-se a eliminação de gás (através de sonda intra-retal conectada a um barostato), a percepção abdominal (por meio de escala graduada de 0 a 6) e o perímetro abdominal (com fita métrica). A distensão retal é realizada mediante utilização de um tensostato e aplicação de um nível fixo de tensão (predeterminado por percepção retal leve), de forma contínua, durante todo o procedimento.
Na seqüência de investigação nessa área torna-se necessária a realização de estudos comparativos entre voluntários sadios e pacientes com distúrbios funcionais (especialmente aqueles com queixa de distensão abdominal) para determinar suas eventuais diferenças quanto à capacidade em propelir e eliminar o gás intestinal, ao desenvolvimento de mecanismos reflexos de inibição do trânsito intestinal, à percepção dos sintomas e aos efeitos da distensão retal sobre o trânsito de gás.


- ESTE TRABALHO FOI EXECUTADO NO SERVIÇO DE GASTROENTEROLOGIA―LABORATÓRIO DE PROVAS FUNCIONAIS― DO HOSPITAL VALL D’HEBRON, UNIVERSIDADE AUTÔNOMA DE BARCELONA, COORDENADO PELOS PROFESSORES JUAN RAMON MALAGELADA, FERNANDO AZPIROZ E JORDI SERRA, ATRAVÉS DE BOLSA SANDUÍCHE DO CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO (CNPq), PROCESSO No. 200855/00-0.


Graduação: DOUTORADO
Ano: 2004
Orientador: Luiz Gonzaga Vaz Coelho e Juan Ramon Malagelada
Instituição: aculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte, MG
 
 
 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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