Urologia/Andrologia/Homem - Bexiga e intestino
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Urologia/Andrologia/Homem

Bexiga e intestino

15/06/2003

O corpo humano possui os mecanismos da micção, evacuação, respiração e transpiração para a eliminação de suas toxinas. Nesta página, serão abordados os dois primeiros.


Mecanismo da Micção

 

Órgãos e Funções

O mecanismo da micção é composto por dois rins, dois ureteres, pela bexiga, pelo esfincter e uretra. Os rins são órgãos responsáveis pela filtragem do sangue; os ureteres são canais que ligam os rins à bexiga e tem por função, conduzir as toxinas, ou seja, a urina até à bexiga; a bexiga é um órgão elástico, é um músculo que relaxado armazena a urina e quando contraído, expulsa a urina; o esfincter também é um músculo, que contraído permanece fechado para reter a urina e relaxado permite a saída da mesma; a uretra é a parte final do mecanismo, ela é ligada a bexiga, com a finalidade de conduzir a urina ao exterior.

VISTA FRONTAL
 
ESFINCTER FECHADO
VISTA FRONTAL
 
ESFINCTER ABERTO
VISTA FRONTAL

 
 
O esquema representa um esfincter fechado, como se observado frontalmente pela uretra.   O esquema representa um esfincter aberto, como se observado frontalmente pela uretra, permitindo a saída da urina.
         

O sangue, ao circular por todo o corpo, leva até as células os nutrientes e oxigênio e retira as toxinas. Devido a este processo, ele deve ser constantemente filtrado, para que tais impurezas sejam eliminadas. Ao passar pelos rins, o sangue é filtrado e as impurezas são conduzidas até à bexiga, onde se acumulam mais e mais, até que a sensação de bexiga cheia, através de nervos e posteriormente da medula, parte em direção ao cérebro. Chegando lá, a sensação de bexiga cheia é sentida e, caso a pessoa queira esvaziá-la, mandará o comando de esvaziamento, que também será conduzido através da medula e nervos até chegar ao mecanismo de micção, fazendo com que a bexiga se contraía e o esfincter relaxe, afim de proporcionar o esvaziamento total. Caso a pessoa não queira urinar neste momento, o comando será para reter a urina na bexiga, fazendo com que o esfincter permaneça fechado e a bexiga relaxada.

O esquema ao lado, mostra as sensações de bexiga cheia partindo da bexiga e seguindo em direção ao cérebro, representadas pelo caminho em vermelho. Os comandos para reter a urina ou provocar a micção, estão representados pelo caminho em azul, ilustrando o comando que parte do cérebro, desce pela medula e sai da medula através de nervos, chegando até a bexiga.


Bexigas Reflexa, Não-Inibida e Autônoma(Flácida)

Na lesão medular, a bexiga pode funcionar de três maneiras, de acordo com o tipo de lesão.


Bexiga Reflexa

A bexiga se comportará de forma reflexa quando a lesão for acima da cauda equina e do cone medular. Neste caso a pessoa terá espasticidade, ou seja, reflexos e a bexiga funcionará de modo reflexa, sendo chamada de Bexiga Reflexa. Chegando em um certo ponto de acúmulo de urina na bexiga, a sensação de bexiga cheia partirá em direção ao cérebro. Como existe uma lesão medular, esta sensação será interrompida no ponto da lesão, não chegando até o cérebro, logo, a pessoa não sentirá a sensação de bexiga cheia. O aviso de bexiga cheia, ao chegar na medula, imediatamente colocará em ação o arco reflexo, ou seja, provocará o funcionamento da bexiga através deste estímulo recebido, fazendo com que a bexiga contráia e o enfincter relaxe, para que haja o esvaziamento, independente da vontade da pessoa, pois como existe a lesão, além de não sentir o aviso de bexiga cheia, a pessoa também não terá o controle, pois o comando de reter ou urinar será bloqueado no ponto da lesão, não chegando até a bexiga.

Em uma lesão medular, haverá uma disfunção de funcionamento do corpo abaixo do nível da lesão. Com isso, pode não haver um sincronismo entre contração de bexiga e relaxamento do esfincter, não permitindo assim um esvaziamento total da bexiga, o que é prejudicial ao corpo. Para contornar tal fato, existem manobras de esvaziamento, afim de esvaziar ao máximo ou totalmente a bexiga, o que é ideal. Para este tipo de bexiga, existem três manobras que podem ser aplicadas. Estimulando a bexiga com pequenas batidas feitas com a mão na região pélvica, que corresponde a altura da bexiga, uma pessoa estará desencadeando o arco reflexo, pois tais estímulos chegarão até a medula e esta responderá com a contração da bexiga e o relaxamento do esfincter, promovendo a saída da urina. Neste ponto, enquanto a urina estiver saindo, pode ser feita a manobra de valsalva, enchendo os pulmões de ar, comprimindo assim as visceras e estas à bexiga, e também, a de credê, pressionando a bexiga de cima para baixo com a mão, fazendo com que a pressão interna fique grande na região da uretra, aumentando o esvaziamento.


Bexiga Não-Inibida

Caso haja uma lesão incompleta, a parte de sensibilidade pode estar preservada. Desta forma, as sensações de bexiga cheia chegarão até o cérebro, mas os camandos serão bloqueados no ponto onde existe a lesão. Portanto, neste caso, chamado de Bexiga não Inibida, a pessoa terá a sensação de bexiga cheia, mas não terá controle sobre ela. Para o melhor esvaziamento, serão usadas as mesmas manobras da bexiga reflexa.

Bexiga Autônoma ou Flácida

Finalmente, caso ocorra uma lesão no cone medular e ou na cauda equina, os reflexos não estarão presentes, caracterizando a Bexiga Flácida ou Autônoma. Esta bexiga terá uma grande capacidade de extensão e acúmulo de urina, pois não existe o arco reflexo para que a bexiga se contraía, o esfincter relaxe e haja um esvaziamento espontaneo. As manobras de esvaziamento serão a de valsalva e a de credê. Pode acontecer um gotejamento ou pequena perda de urina, caso a bexiga esteja muito cheia, podendo alcançar um litro ou mais, sendo muito prejudicial ao corpo.



Infecções, Pedras e Hidronefroses

Para estes três diferentes casos abordados anteriormente, as manobras tem que ser feitas em intervalos de tempo não superiores a quatro horas, pois quanto mais tempo a urina ficar retida na bexiga, maior será o risco de desenvolver uma infecção urinária, devido a proliferação das bactérias contidas pela a urina. Procedendo desta forma, será evitado também o acúmulo de grande quantidade de urina na bexiga, principalmente na Bexiga Flácida. Uma infecção urinária pode apresentar os seguintes sintomas: caso haja sensibilidade local, dor e ardor na bexiga e uretra, dificuldade para urinar, urina com mau cheiro, turva, com sedimentos, sangue presente a urina, puz e talvez febre.

Outros problemas que podem surgir são as pedras nos rins, ureteres e bexiga. Tais pedras aumentam o risco de infecção urinária, podem trazer sangramentos, aumento de espasticidade e dores.

RIM COM PEQUENAS PEDRAS
 
RIM COM GRANDES PEDRAS
 
PEDRAS NA BEXIGA

 
 


 
 
Pequenas pedras

Pedra irregular

Pedra volumosa
Quando há pequenas pedras, a eliminação pode ocorrer naturalmente. Caso isto não ocorra, podem ser utilizadas técnicas que quebrarão as pedras, as deixando bem pequenas, como grãos de areia, facilitando assim, a eliminação pelas vias urinárias.   Neste caso, como as pedras são grandes, serão necessários métodos cirúrgicos para a retirada. Também, devido ao grande volume, o rim sofreu uma perda na capacidade de filtragem, pois as pedras diminuiram a região responsável por este evento.        

MÉTODO UTILIZADO PARA TRITURAR PEDRA NA BEXIGA
 
CIRURGIA PARA A RETIRADA DE PEDRA DA BEXIGA

 


 
Este método consiste na introdução de um catéter pela uretra, até alcançar a bexiga, onde a pedra será localizada e triturada por uma espécie de alicate que se abre na ponta do catéter. Em seguida, será ingetado um soro para mais tarde ser retirado juntamente com os sedimentos.   Nesta ocorrência, a cirurgia terá que ser feita, devido ao grande volume da pedra.

Outra complicação que pode ocorrer, caso uma pessoa não siga os cuidados, é a hidronefrose, que corresponde ao refluxo e/ou acúmulo de urina nos ureteres e rins. Esta complicação pode se tornar grave e em casos extremos, os rins podem ficar inutilizados.

RIM SEM HIDRONEFROSE RIM COM HIDRONEFROSE




Crise Autonômica Hipertensiva ou Disreflexia

Em lesões acima de T6, pode ocorrer a crise autonômica hipertensiva, também conhecida como disreflexia. Isto ocorre devido a falta de sincronismo entre a contração da bexiga e o relaxamento do esfincter no momento da micção. O processo correto consiste em contração da bexiga e relaxamento do esfincter. Caso isto não ocorra, ou seja, a bexiga contrair e o esfincter não relaxar, a pressão interna na bexiga se elevará, pois a bexiga estará contraída, tentando expulsar a urina que não sairá, devido a contração do esfincter, que desta forma estará fechado. Tais fatos, são caracterizados pelo aumento da pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos, aumento da intensidade da respiração, sudorese, ruborização da pele e fortes e latejantes dores de cabeça. Caso ocorra todos estes sintomas, em hipótese nenhuma poderão ser feitas as manobras de esvaziamento, pois as mesmas aumentariam a pressão interna da bexiga, agravando o quadro instalado. O procedimento a ser feito é o esvaziamento da bexiga através de uma sonda de "alívio"(sonda vesical estéril, descartável, fina e flexível), fazendo com que os sintomas desapareçam imediatamente e todo o quadro seja revertido.



Mecanismo da Evacuação

Introdução

O aparelho digestivo é composto, basicamente, pela boca, esofago, estomago, intestino delgado e intestino grosso. Ele é responsável pela ingestão e processamento dos alimentos. Tais alimentos, após serem ingeridos, começam a percorrer um longo caminho pelo aparelho digestivo, para que as substâncias nutritivas sejam processadas, separadas e absorvidas pelo organismo. O processo de absorção se dá, sobretudo, no intestino delgado, onde as vitaminas, sais minerais, proteínas, carboidratos e gorduras são passadas ao sangue, para que o mesmo leve até às células todas estas substâncias. Após o uso dos alimentos, tudo aquilo que não é aproveitado pelo corpo será eliminado, formando, assim, as fezes que serão eliminadas pelo intestino grosso, que corresponde a parte final do intestino.
Para que todas estas substâncias percorram todas as partes do aparelho digestivo, são necessários os movimentos peristálticos, presentes ao longo de todo o aparelho.
O reto, corresponde a parte final do intestino grosso e é local onde as fezes se acumulam. Para que estas permaneçam retidas no reto, existe o esfincter do intestino, chamado de ânus, que por ser um músculo tem o poder de contração e relaxamento. Quando relaxado, o ânus se abre, quando contraído, permanece fechado. As fezes, ao se acumularem, provocarão uma sensação de intestino cheio que através de nervos e posteriormente da medula, partirão em direção ao cérebro. Chegando lá, a sensação de intestino cheio será sentida e, caso a pessoa queira esvaziá-lo, mandará um comando de esvaziamento, que também será conduzido através da medula e nervos até chegar à parte final do intestino grosso, fazendo com que os movimentos peristálticos aumentem e o esfincter, ou seja, o ânus relaxe, afim de expulsar as fezes do reto. Caso a pessoa não queira evacuar neste momento, o comando será para reter as fezes, fazendo com que o ânus permaneça fechado e que não haja o aumento dos movimentos peristálticos.


Lesão Medular

Na lesão medular, assim como no mecanismo da micção, o mecanismo de evacuação pode se comportar de três maneiras, de acordo com o tipo de lesão.


Lesão acima da cauda equina e do cone medular

Neste tipo de lesão, o intestino se comportará de modo reflexo, pois o arco-reflexo estará preservado. Chegando em um certo ponto de acúmulo de fezes, a sensação de intestino cheio partirá em direção ao cérebro. Como existe uma lesão medular, esta sensação será interrompida no ponto da lesão, não chegando até o cérebro, logo, a pessoa não sentirá a sensação de intestino cheio. O aviso de intestino cheio, ao chegar na medula, imediatamente colocará em ação o arco-reflexo, ou seja, provocará o funcionamento do intestino através deste estímulo recebido, fazendo com que os movimentos peristálticos aumentem e o ânus relaxe, para que haja o esvaziamento do reto, independente da vontade da pessoa, pois como existe a lesão, além de não sentir o aviso de intestino cheio, a pessoa também não terá o controle, pois o comando de reter ou expulsar as fezes será bloqueado no ponto da lesão, não chegando até a parte final dos intestino grosso.
Devido a estas disfunções, pode haver dificuldades na evacuação. Para contornar estes problemas, existem as manobras de esvaziamento dos intestinos. Como há a presença de reflexos, uma pessoa pode provocá-los, afim de estimular a evacuação e esvaziar ao máximo o intestino. Existem diferentes formas de se provocar os estímulos e é necessário que uma pessoa conheça e experimente todas, para descobrir qual responderá melhor. Uma das maneiras é através do toque anal, onde, utilizando-se uma luva, uma pessoa introduzirá o dedo ao ânus e fará movimentos circulares; outra é através do uso do "chuveirinho" de chuveiros domésticos, onde será jogada na região do ânus, uma água de temperatura moderada; outras formas serão através do uso de supositórios de glicerina ou pequenas bisnagas com veículo glicerinado, ambos sendo introduzidos ao ânus. Além destes artifícios, também poderão ser feitas manobras na região abdominal, com movimentos circulares no sentido horário, obedecendo o sentido final do intestino grosso, gerando estímulos e ajudando o esvaziamento. A respiração também pode coloborar. Ao encher os pulmões de ar, a região abdominal será comprimida, o que acarretará a compressão dos intestinos, facilitando assim, o esvaziamento.


Lesão medular incompleta

Caso haja uma lesão incompleta, a parte de sensibilidade poderá estar preservada. Desta forma, as sensações de intestino cheio chegarão até o cérebro, mas os camandos para reter as fezes ou de esvaziamento do reto serão bloqueados no ponto onde existe a lesão. Portanto, neste caso, uma pessoa poderá sentir a sensação de intestino cheio, mas não terá controle sobre o mesmo. Para o melhor esvaziamento, serão usadas as mesmas manobras do caso anterior.


Lesão de cauda equina e/ou de cone medular


Nestes tipos de lesão, como o arco-reflexo não está presente, o esvaziamento do intestino não ocorrerá de modo reflexo. A sensação de intestino cheio enviada pelo reto, não chegará ao cérebro e nem ao cone medular, pois tal sensação será bloqueada pela lesão da cauda equina ou pela lesão de cone medular. Desta forma, quando o reto estiver cheio, não haverá o arco-reflexo para que o mesmo se esvazie.
As manobras de esvaziamento serão diferentes dos casos anteriores, pois como não há o arco-reflexo, não surtirão efeitos as estimulações para o seu desencadeamento. Por se tratar de lesões baixas, a musculatura abdominal estará funcionando, o que permitirá a sua contração, para que haja a compressão de toda a região abdominal, possibilitando o esvaziamento. Outra manobra que ajudadrá no esvaziamento, será a de encher os pulmões para que a região abdominal sofra mais compressão. Tais manobras devem ser executadas em conjunto, para que haja melhor resultado.

O ideal é que a evacuação seja feita todos os dias, ou no máximo de dois em dois dias, ou seja, um dia com evacuação e dois dias sem. A falta de evacuação durante dois dias ou mais, levará ao endurecimento das fezes, pois estas ficarão paradas no reto e constantemente será absorvido pelo intestino o líquido contido nas fezes, levando à um ressecamento, dificultando assim, a evacuação.
É aconselhável reservar uma determinada hora do dia para a evacuação e habituar o corpo à este horário, promovendo desta forma, a "educação" dos intestinos, ou seja, ele irá se acostumar a funcionar naquela determinada hora do dia, possibilitando às pessoas, uma vida social sem riscos de evacuação em horas inapropriadas.
Após as refeições, fica mais fácil a evacuação, pois a ingestão de alimentos provocam o aumento do peristáltismo, facilitando à saída das fezes.

 

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