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Biotecnologia/Tecnologia/Ciências

Utilização de novas tecnologias na área de saúde ainda é polêmica

25/09/2005

Entre as diversas áreas influenciadas pelas novas tecnologias a de saúde é uma das que desperta o maior interesse público. Nos últimos anos, o desenvolvimento da genética molecular e de novas terapias e tecnologias de diagnóstico vem transformando radicalmente a prática e a experiência sobre saúde e doença. Hoje, a capacidade tecnológica permite que se interfira em um nível fundamental da biologia humana o que provoca um aumento da incerteza sobre os riscos e implicações sociais e éticas de algumas intervenções e procedimentos. Em meio a tudo isso, o quanto as pessoas leigas estariam abertas a inovações tecnológicas? Alguns indicativos para responder a essa pergunta podem ser obtidos na pesquisa “O quanto são aceitáveis as inovações tecnológicas na área de saúde? Um estudo sobre a atitude e percepção pública na Inglaterra e Gales” (How acceptable are innovative health-care technologies? A survey of public beliefs and attitudes in England and Wales), veiculada na edição de maio (volume 60, artigo 9) do periódico científico Social Science and Medicine.
Esse estudo levantou a opinião do publico leigo desses dois países sobre o surgimento e utilização de novas tecnologias na área de saúde. Segundo os autores do estudo - Michael Calnana da Universidade de Bristol, David Montanerb e Rob Horneb da Universidade de Brighton - os resultados da pesquisa sugerem que o publico possui uma postura ambígua em relação as inovações tecnológicas na área de saúde. São particularmente céticos e resistentes para aquilo que não parece ter benefícios diretos para tratamentos de doenças e que as pessoas acreditam interferir em processos naturais. A aceitabilidade ou não de uma nova tecnologia foi relacionada a características como capacidade de controlar doenças sérias. Tratar e
detectar doenças é considerado bom, mas intervenções gerais com objetivo de mudar o processo natural – como terapias para retardar o envelhecimento - são menos aceitáveis.
Os pesquisadores, elaboraram para os estudo oito cenários possíveis relacionados ao uso de tecnologias para saúde a partir dos quais os entrevistados teriam que se posicionar como favoráveis, neutros ou desfavoráveis. Os cenários remetiam os respondentes a questões como clonagem humana, manipulação genética, tratamentos com células troco, terapia gênica, alimentos geneticamente modificados, transplantes de coração de porcos para humanos, vacinação contra meningite e introdução de pílulas contraceptivas masculinas. As perguntas foram enviadas por correio para 2.489 pessoas maiores de 18 anos da Inglaterra e Gales. Dentre essas pessoas, 48% completaram o questionário, 3% não aceitaram e quase 50%, não deram resposta.
O estudo buscou identificar também algumas das possíveis motivações para posturas favoráveis (pró-tecnologia) ou desfavoráveis (contra-tecnologia) como a crença ou ceticismo em relação a ciência e cientistas ou em relação aos benefícios da medicina ortodoxa e alternativa e confiança nos profissionais de saúde.  Por exemplo, apenas 27% concordam que os cientistas são confiáveis e possuem  conduta ética em relação as suas pesquisas, contra 35% que discordam. Ou ainda, 38% acreditam que as descobertas científicas tendem a tornar o mundo mais perigoso e 32% acreditam que os cientistas fazem coisas que estão fora do interesse das pessoas comuns. Nesse sentido, foi possível estabelecer uma relação positiva entre a aceitação de novas tecnologias para saúde e uma visão positiva sobre ciência (pró-ciência).
Apesar de variações nos níveis de aceitação para novos tecnologias médicas, as respostas indicaram que as pessoas que possuem uma visão negativa sobre uma determinada nova tecnologia tende a ter essa mesma visão sobre outras e vice-versa. As intervenções tecnológicas foram mais aceitas quando usadas para testes genéticos para detecção de cistos (84%) e em terapias com células tronco no tratamento de acidentes cerebrais (59%). Já em outros casos, como o de um jovem casal que tem problemas de infertilidade procurar uma clínica de clonagem humana, apenas 12% dos entrevistados consideraram aceitável contra  68% que rejeitaram. Outra forte rejeição apareceu no  cenário relacionado a utilização da terapia gênica para retardar o envelhecimento. Nesse caso, 37% foram contra, 5% pensam que deveria estar disponível apenas para quem pode pagar muito, 26% “não sabem” e apenas 30% pensam que deveria ser gratuíto. Sobre testes de campo com alimentos geneticamente modificados, 48% foram a favor e 30% contra.

Baseado em:How acceptable are innovative health-care technologies? A survey of public beliefs and attitudes in England and Wales

 Márcia Maria Tait Lima

Aluna do Curso de Especialização em Jornalismo Científico - Labjor/UNICAMP

www.comciencia.br


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