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Gravidez/Parto/Obstetrícia

Mau atendimento na região Sul de SP favorece partos domiciliares

12/10/2005

 

 

A região Sul da cidade ainda apresenta problemas no atendimento à saúde. Estudo da FSP mostra que esta é uma das principais causas dos partos domiciliares ocasionais que acontecem na região.

 

O atendimento precário à saúde na região Sul da cidade de São Paulo é um dos fatores que ainda levam algumas mulheres a terem seus filhos em suas casas. De acordo com uma pesquisa do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o risco de mortalidade perinatal nos "partos domiciliares ocasionais" é 3 vezes maior que nos partos hospitalares da mesma região.

Os "partos domiciliares ocasionais" são aqueles que não ocorreram no domícilio por opção das mães, mas porque estas não conseguiram chegar a tempo nos hospitais. A pesquisa envolveu moradoras de bairros de 14 distritos da Capital localizados entre o Jabaquara e Parelheiros.

Segundo a professora Márcia Furquim de Almeida, que coordenou o estudo, foram constatados, entre agosto de 2000 e janeiro de 2001, 21 nascimentos por "partos domiciliares ocasionais". Os números contrariam os índices do Sistema Nacional de Informações de Nascimentos (SINASC) e do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), ambos do Governo Federal que indicaram, no mesmo período, apenas 5 nascimentos. "Esses partos foram identificados por meio de entrevistas com as mães no domicilio e confirmados com consulta aos prontuários dos hospitais, onde as pacientes receberam atendimento após o parto", lembra a pesquisadora, ressaltando que a região é a maior da cidade e concentra cerca de 23% da população.

Problemas na assistência

Além das precariedades na região que envolvem entre outros problemas, a falta de leitos e dificuldades no atendimento, verificou-se que 20% das mães envolvidas na pesquisa e que tiveram parto hospitalar haviam procurado dois ou mais hospitais, o que indica falta de acesso para receber assistência adequada. "Devido às dificuldades algumas pacientes acabavam por procurar outros estabelecimentos fora daquela região, distante dos bairros analisados.

"Ficaram evidentes também as dificuldades de transporte nesta região", conta Márcia, ressaltando ainda a deficiência do serviço de resgate. "Na maioria dos casos, as mulheres prestes a dar a luz eram socorridas pelos parentes, vizinhos e pela Polícia Militar. Apesar de procurarem pelo serviço de emergência, este não chegou a tempo."

Nos partos domiciliares, 28,6% das mulheres tiveram seus bebês sozinhas, sem a ajuda de qualquer pessoa. A maioria delas, 57%, foi auxiliada por familiares ou vizinhos. "Após o parto, 43% delas foram levadas a um hospital por vizinhos ou parentes", lembra Márcia, lembrando que a equipe de resgate auxiliou apenas em um dos nascimentos.

A pesquisadora também destaca outras características entre as mães que tiveram seus filhos em casa, como a baixa escolaridade e a idade: a maioria eram adolescentes. "Observamos que 48% destas mães estavam sem seus companheiros", diz a professora. Outro ponto importante destacado pela pesquisadora é que a reação negativa à gestação por parte das famílias pode ter contribuído para não realização de pré-natal neste grupo de mulheres. O estudo é parte de uma pesquisa maior sobre mortalidade perinatal na região Sul da cidade de São Paulo iniciada em 2001, no Departamento de Epidemiologia da FSP.

 

www.usp.br


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