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Enxaqueca/Cefaléia/Dor de cabeça

Auto-medicação para dor de cabeça, abuso de medicação por adolescentes

12/10/2005

Num estudo foi observado que crianças e adolescentes com dor de cabeça podem usar de forma abusiva medicamentos para alívio da dor, uma prática que pode exacerbar a patologia inicial e levar a outros problemas.

Os investigadores também notaram que os pais não fazem idéia da quantidade de medicamentos para dor de cabeça que crianças e adolescentes estão ingerindo. O uso abusivo e a dificuldade de controle deste hábito fazem lembrar a importância de que os pais forneçam exemplos positivos do uso correto de analgésicos que não necessitam prescrição, como diz John Ring, MD, professor de pediatria da Universidade de Tenessi Centro de Ciências da Saúde Colégio de Medicina de Menfis.

O fato de que os pais não sabem da prática da auto medicação por parte de seus filhos é um indicador de que pais e adolescentes não conversam entre si, como relata Ring.

O estudo apresentado na Reunião Científica da Sociedade Americana de Cefaléia em Vancover British Columbia, por David Rothner, MD, encontrou que mais de 20% das crianças e adolescentes referidos para clínicas de dor de cabeça, usavam freqüentemente analgésicos com a finalidade de alívio de seus sintomas

"Estou assustado com o grande número de crianças usando de forma abusiva medicamentos 5 a 6 vezes por semana e algumas vezes 15 a 20 vezes por semana" afirma Rother, emérito neurologista pediatra e diretor da Clínica de Cefaléia para Crianças e Adolescentes do Hospital da Criança da Clínica Cleveland em Ohio. Refere alguns casos de insuficiência renal ou desenvolvimento de sangramento digestivo devido aos medicamentos ingeridos.

Consequências Médicas

De modo geral indivíduos com cefaléia tratam sua patologia com analgésicos de venda não controlada. Estes analgésicos apresentam conseqüências médicas decorrentes do uso abusivo. Também adultos não estão livres do uso freqüente de analgésicos e seu conseqüente efeito rebote ou mesmo a evolução para cefaléia crônica. Para todos os pacientes, sejam adultos, adolescentes ou crianças, que não procuram tratamento médico por considerarem sua patologia como somente um sintoma menor ou simplesmente uma dor de cabeça pode ser observada a evolução em cascata com o uso de volumes cada vez maiores de medicamentos que tendem a piorar os episódio e realimentar o processo.

Ironicamente a solução pode ser a simples descontinuação do uso de analgésicos, como sugerem estudos em um pequeno número de pacientes. Uma revisão de 12 casos de crianças no Reino Unido que apresentavam dor de cabeça com o uso de acetaminofem, acetaminofem com codeína ou ibuprofem, demonstrou que a suspensão súbita dos medicamentos resultou em desaparecimento da dor crônica em 8 dos pacientes. Uma análise retrospectiva de 8 meses de 24 crianças e adolescentes tratados no Clínica de Cefaléia Pediátrica Vanderbilt Nashivile, 10 apresentaram resultados semelhantes. A freqüência da cefaléia nestes pacientes que faziam uso de analgésicos diariamente diminuiu de uma média de 27,5 dias por mês para 7,3 dias por mês após o primeiro mês em que os medicamentos foram suspensos; a severidade da dor de cabeça também diminuiu.

Um problema comum

A dor de cabeça faz parte da vida de muitas crianças e adolescentes. Os pesquisadores de Vanderbilt notaram que 75% das crianças experimentam uma cefaléia significativa até a idade de 15 anos. A prevalência da cefaléia crônica diária aumenta à medida que a criança se torna mais velha observando-se a freqüência de 15% de cefaléia até a idade de 15 anos segundo Rother.

O estudo da clínica Cleveland incluiu 650 novos pacientes com idades de 6 a 18 anos, observados por período de 2 anos. Cerca de 41% foram diagnosticados com cefaléia tipo migraine, 28% com cefaléia tipo tensão, 22% com uma forma mista de migraine e cefaléia tensional, 5% com cefaléia devido à doença ou problema físico e 4% com outras formas de cefaléia.

No geral 22% dos pacientes se supermedicavam com analgésicos não prescritos (definido como ingesta de mais de 3 doses de medicamento por semana por mais de 6 semanas). Os pesquisadores encontraram que 1 em cada 7 pacientes usavam a medicação sem comunicar seus pais, não devido a intenção de esconder, mas sim por não achar que seus pais necessitassem ser consultados.

Rotner afirma que a incapacidade de observar os problemas relacionados a supermedicação, significa que os pediatras devem conversar com crianças, adolescentes e seus pais sobre cefaléia e seu tratamento", diz Alain Joffe, MD, diretor do Centro Saúde e Bem Estar Universidade Johs Hopkins Universidade de Baltimore '' Médicos necessitam de perguntar especificamente sobre cefaléia''.

Dose abusiva de medicamentos para cefaléia por jovens não é surpreendente, diz Ring. Uma ação deve ser desenvolvida a partir da ação dos pais, discussão intra familiares além de alertas na mídia, esclarecendo que os analgésicos não são a primeira opção para o tratamento de cefaléias e outras dores de pequena intensidade.

''Existe uma valorização generalizada do uso de medicamentos para solução rápida de problemas'' como diz Ring.

Para os pacientes Ring observa uma hierarquia de indicações no uso de analgésicos para alívio da cefaléia considerando o risco da cefaléia de rebote. Este conceito também é relacionado com o retardo do diagnóstico de uma condição de base, uso inapropriado de analgésicos (como o uso de acetaminofem para enxaqueca), e o tratamento inadequado do stres.

Estudo da Clínica Cleveland em estudantes encontrou que 85% dos participantes classificavam sua vida como estressante. Estes estudantes podem se beneficiar de exercício e melhores hábitos alimentares para minimizar stress, ao invés de se automedicarem.

Pais devem ter a oportunidade de discutir hábitos de saúde com seus filhos incluindo a prática de automedicação, crianças e adolescentes devem também ser mais receptivos a estas mensagens.

Pergunta

Assinale a afirmativa correta em relação a automedicação com analgésicos para cefaléia por crianças e adolescentes.

a) Na maioria das vezes os medicamentos são oferecidos pelos próprios pais.
b) O uso de analgésicos por crianças e adolescentes não chega a constituir um risco para estes pacientes.
c) A cefaléia de rebote por uso excessivo de medicamentos é uma realidade a ser observada somente em casos de enxaqueca.
d) A automedicação pode confundir o diagnóstico de uma doença subjacente.
e) Em casos de enxaqueca o uso de acatinofem é indicado como primeiro tratamento.

RESPOSTA (D)

O uso continuado e abusivo de analgésico para uma cefaléia crônica pode retardar o diagnóstico de uma doença de base.

Mike Mitka

JAMA. 2004;292:424-425. Vol. 292 No. 4, July 28, 2004

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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