- Esofagite
Esta página já teve 132.448.190 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.706 acessos diários
home | entre em contato
 

Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Esofagite

17/10/2005



       Esofagite é uma inflamação da mucosa esofágica causada, na maioria das vezes, por refluxo de conteúdo gástrico. A mucosa do esôfago, mais sensível, não é adequada para receber conteúdo extremamente ácido como o suco gástrico.




Dúvida na anatomia ou quer explicações sobre estas estruturas, clique na figura
Por que ocorre Refluxo de Ácido do Estômago para o Esôfago?

       O refluxo ocorre na dependência de diversos fatores, desde alimentares até anatômicos, estando muitas vezes associado à hérnia hiatal, mas a falha do Esfíncter Esofagiano Inferior parece ser a principal causa. Vamos tentar explicar.

       A musculatura da região inferior do Esôfago é mais espessa e tem um maior tônus, estabelecendo uma zona de maior pressão, que é chamada de EEI (Esfíncter Esofagiano Inferior). Quando nos alimentamos, logo após a deglutição ocorre uma onda peristáltica esofágica que impulsiona o bolo alimentar em direção ao estômago. O esfíncter esofagiano inferior se relaxa com a chegada desta onda peristáltica permitindo que o alimento passe para o estômago, mas logo após isso, ele se fecha novamente, impedindo que haja refluxo de conteúdo gástrico para o esôfago. Assim, este esfíncter inferior do esôfago funciona como uma válvula, permitindo a passagem de conteúdo em uma só direção. Você pode observar que pessoas normais com o estômago cheio pode ficar de ponta cabeça (plantar bananeira) que o conteúdo gástrico não retorna para o esôfago. O conteúdo gástrico só retornaria se a pessoa provocasse vômitos.

       Muitas pessoas têm refluxos esporádicos, não sendo estes suficientes para provocar uma doença. A salivação e peristalse secundária do esôfago, são mecanismos para combater a ação lesiva do conteúdo gástrico (ácido) refluído sobre a mucosa esofágica. Entretanto estes mecanismos têm limites na neutralização do refluxo. Quando o refluxo é freqüente e prolongado, temos um quadro patológico chamado Doença do Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE). Geralmente isso ocorre devido ao funcionamento incorreto do EEI. A Esofagite é o principal sintoma da DRGE, podendo variar desde esofagite grau leve, até casos mais graves com úlceras esofágicas ou estenoses. Por outro lado a DRGE pode apresentar-se com sintomatologia extra-esofágica, já que o refluxo pode acometer outras áreas além do esôfago.

Sintomas da DRGE

       O sintoma principal da Doença do Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE), é a piroze ou sensação de queimação na região retro-esternal. Podemos ter dores torácicas de diferentes grau de intensidade, muitas vezes sendo confundida com problema cardíaco. As vezes o paciente percebe a regurgitação de ácido ou alimento até o esôfago superior ou boca. Halitose em alguns pacientes pode ser secundária à DRGE. Disfagia (dificuldade na deglutição) e odinofagia (dor à deglutição) podem ocorrer conseqüente a inflamação ou até mesmo estreitamento do esôfago. Problemas respiratórios (como pneumonia, tosse, asma) podem aparecer devido ao comprometimento da árvore respiratória que é atingida pelo refluxo. Laringite, gengivite e problemas dentários ocorrem em alguns casos devido a ação direta do líquido refluído. Salivação excessiva pode ocorrer devido a reflexos vagais aumentados, estimulados pela presença de ácido no esôfago. Dor de ouvido pode ocorrer, em casos raros. Hemorragia ocorre em esofagite mais severa.

O Refluxo Gastro-Esofágico é desencadeado ou agravado com:

Situações que aumentam a pressão intra-abdominal como esforços físicos, obesidade, gravidez;
Aumento da pressão intra-gástrica como refeições volumosas acompanhada de ingestão de líquidos excessivos, principalmente gasosos;
Consumo de substâncias que exercem efeito relaxante no esfíncter esofagiano inferior como café, álcool, gorduras, chocolate, fumo, etc.
A posição deitada pode favorecer o refluxo, pois há menor efeito da ação da gravidade sobre o líquido refluído. Entretanto, pode ocorrer refluxo na posição sentada e até mesmo em pé, pois no tórax temos uma pressão negativa que favorece a entrada de ar nos pulmões durante a respiração, e essa pressão torácica negativa tende sugar o conteúdo gástrico para o esôfago, principalmente quando há incompetência do EEI.
Hérnia de Hiato

       Pacientes com DRGE, na maior parte, apresentam Hérnia Hiatal. Em situação de normalidade, todo o estômago deve estar contido na cavidade abdominal. A cavidade abdominal é separada da cavidade torácica por uma estrutura muscular chamada de Diafragma que é o principal músculo da respiração. Na sua porção central existe uma abertura (hiato esofágico) por onde atravessa o esôfago. A Hérnia de Hiato ocorre quando há alargamento deste hiato, permitindo desta forma que uma porção do estômago migre para o tórax. Algumas pessoas podem ter hérnia de hiato sem apresentar DRGE.

Como é feito o diagnóstico?

       O diagnóstico é baseado nos sintomas, mas para verificação da gravidade da doença e da presença ou não de complicações, são necessários alguns exames.

A EDA (Endoscopia Digestiva Alta) é o melhor exame para diagnosticar a Esofagite. Ela verifica a gravidade da esofagite. No entanto, em casos raros, podemos ter refluxo sem esofagite endoscópica aparente. Assim é recomendável biópsia do esôfago para estudo histopatológico em pacientes sintomáticos com esôfago aparentemente normal. Outra finalidade da EDA é diagnosticar a hérnia hiatal e o esôfago de Barrett. Pela endoscopia possibilita realização de biópsias em áreas suspeitas de neoplasia. É também possível verificar o grau de sucesso do tratamento com exame posterior de controle.
O Estudo Radiológico talvez seja a melhor forma para se diagnosticar a Hérnia Hiatal (já que na Endoscopia pode passar desapercebida em alguns casos) e quando acompanhado de radioscopia pode-se documentar melhor a presença de refluxo.
A Phmetria é a melhor forma de se documentar o refluxo, porém isoladamente não fornece dados da gravidade da esofagite. Podemos ter paciente com muito refluxo e pouca esofagite e vice-versa.
A Manometria do esôfago identifica problemas de motilidade esofágica e determina a pressão do esfíncter esofagiano inferior.
       Enfim, muitas vezes pode ser necessário a realização de mais de um exame para um diagnóstico correto e conseqüente um tratamento adequado.

Como é o tratamento clínico da DRGE?

       O tratamento consiste em dieta alimentar, medidas comportamentais e medicamentos.

Dieta. Deve ser evitados substâncias que promovem relaxamento do esfíncter esofagiano inferior (como café, álcool, gorduras, chocolate, fumo, etc.). Refeições copiosas (volumosas) seguido de muito líquidos também deve ser evitado.
Medidas comportamentais. Esforço físico ou deitar-se após alimentação deve ser evitado. Atividades onde trabalha-se abaixado, deitado ou inclinado para frente como jardinagem, devem ser evitadas. Elevar os pés da cabeceira da cama ou deitar-se com o tronco mais elevado pode ser útil em casos em que o refluxo predomina no período noturno ou deitado.
Medicamentos.
Antiácidos (em líquidos ou em comprimidos mastigáveis) podem ser usados, mas têm efeito temporário, devendo ser ingerido várias vezes ao dia. Eles tem a finalidade de neutralizar o ácido produzido pelo estômago.
Inibidores da secreção de ácido: bloqueadores H2 (cimetidina, ranitidina, famotidina) e os inibidores da bomba de prótons ( I.B.P. ) como omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol e rabeprazol. Estes mais eficazes e recomendável nos casos mais graves e início de um tratamento.
Procinéticos. Medicamentos que têm a finalidade de aumentar a pressão do Esfíncter esofagiano inferior e a velocidade de esvaziamento gástrico. Entre eles incluem: Bromoprida, metoclopramida, domperidona, e cisaprida.

Pacientes com DRGE devem fazer exame endoscópico periódico, no mínimo 1 vez por ano, mesmo sem sintomatologia.
Pode ser necessário em intervalo de tempo menor, após um tratamento inicial, nos casos mais complicados ou no agravamento dos sintomas, ou melhor, sempre com acompanhamento médico e seguindo suas orientações.


O que acontece com quem que não trata adequadamente a DRGE? Pode vir apresentar Doença Maligna (Câncer)?

        Paciente que não trata o refluxo adequadamente pode evoluir de diferentes formas, a curto ou longo prazo, podendo variar desde uma simples esofagite crônica não complicada, até casos com úlceras e hemorragias. A esofagite também pode evoluir para uma estenose (estreitamento do esôfago) e consequentemente disfagia.

       A evolução depende muito da gravidade do refluxo. Podemos ter pacientes com DRGE e ausência de esofagite endoscópica, mas ter manifestações extra-esofágicas importantes, como problemas respiratórios.

       Nos casos mais graves, ao longo do tempo, podemos ter a substituição do epitélio normal do esôfago por epitélio colunar, chamado de Esôfago de Barrett. Este Epitélio ou Esôfago de Barrett, além de indicar severidade do refluxo, está associado à uma maior incidência de neoplasia maligna do esôfago. É portanto, um potencial precursor do Câncer de Esôfago.

Quando é indicado o tratamento cirúrgico?

Falha do tratamento clínico.
Defeito grave do Esfíncter Esofagiano Inferior (identificado no estudo manométrico).
Necessidade de uso prolongado e de altas doses de medicamentos (I.B.P.).
Complicações da doença como hemorragia, úlcera, e estenose.
Esôfago de Barrett.
Neoplasia.

Dr Silvio Luis da Silveira Lemos

www.cirurgias.hpg.ig.com.br

 


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos