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Tóxicos/Intoxicações

Amianto mata três mil por ano na França

30/10/2005
O Senado francês divulgou ontem seu relatório sobre as conseqüências da contaminação por amianto, definidas como 'catástrofe sanitária'. O trabalho constata a existência de 'responsabilidade coletiva', inclusive dos poderes públicos que negaram durante muitos anos 'a realidade dos perigos'. O documento acusa ainda o Estado francês de ter se deixado 'anestesiar pelo lobby do amianto', por meio de comitês de defesa desse minério cancerígeno, criados e financiados pela própria indústria do setor.

Além das numerosas ações indenizatórias em curso, a Justiça poderá iniciar a ação penal contra os responsáveis , já considerado 'o processo do século'. Toda comercialização do produto foi proibida na França em 1997, mas desde 1960 já eram conhecidos os danos causados à saúde, principalmente em pessoas que tiveram contato direto com o minério, manipulando-a por aspiração da poeira. O produto pode ser fatal a longo prazo, causando diversos tipos de câncer, além de outras doenças pulmonares. 'A epidemia é irreversível', afirma oficialmente - e pela primeira vez - o Senado francês. De 1965 a 1995, 35 mil pessoas morreram contaminadas pelo amianto.

E três mil morrem no país por ano. A estimativa para os próximos 25 anos , confirmada pelo relatório, é que de 60 mil a 100 mil pessoas devem morrer no país. O documento acrescenta que 10% dos cânceres de pulmão declarados na França são causados pelo produto, além de 80% dos casos de mesotelioma - um tipo raro de câncer na membrana pulmonar. Também a medicina do trabalho e alguns sindicatos são responsabilizados por não terem agido a tempo. Os setores profissionais mais expostos, além do da transformação do amianto, são: construção naval, isolamento, obras públicas, construção de material ferroviário.

Hoje, o Brasil, com sua mina em Goiás, está entre os maiores produtores mundiais do minério, mas as pressões políticas impedem os governos de agir. É um poderoso lobby de 'comunicação e manipulação' , revela o relatório francês. 'Nenhuma medida sanitária ou de segurança do trabalho foi adotada', diz o senador centrista Jean Marie Vanlerenberghe. 'O Estado é culpado de não ter feito qualquer intervenção bem mais cedo, cedendo ao lobby dos comitês de amianto, que estão a serviço dos industriais.'

O caso mais grave ocorre em Conde-sur-Noireau, no Calvados, mais conhecido como Vale da Morte, onde estavam instaladas numerosas indústrias que usam o amianto. 'A região não passa uma semana sem que sua população enterre uma ou duas pessoas', afirma Henri Martin, presidente da Associação de Defesa das Vítimas do Amianto.
Reali Júnior
 
Estado


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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