Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O. - Tratamento da osteoporose
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Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O.

Tratamento da osteoporose

15/06/2003

A osteoporose pode ser previnida e tratada. A principal forma de tratamento da osteoporose ainda é a prevenção; entretanto uma vez diagnosticada ela pode ser tratada.

Para a prevenção o ideal é obter uma maior massa óssea durante o crescimento. Isto pode ser conseguido com uma alimentação rica em cálcio e vitamina D e com exercícios físicos. Como uma poupança, quem "guarda mais osso" tem mais para "gastar" no futuro.

Ainda como prevenção é importante a regularidade dos ciclos menstruais femininos, haja vista que existe uma importante ação protetora dos ossos feita pelo hormônio estrógeno e a prevenção da reabsorção óssea pós-menopausa.

No tratamento com medicamentos a atuação se faz sobre a reabsorção óssea; a maioria dos agentes terapêuticos são anti-reabsortivos, outros atuam sobre a formação do osso.

Cálcio :


Para a aquisição do máximo de massa óssea e manutenção da saúde do osso é necessária uma ingestão adequada de cálcio durante a vida. O esqueleto contém 99% do estoque de cálcio do organismo; quando a fonte externa é inadequada o cálcio é extraído dos ossos para manter os níveis sanguíneos dentro dos valores normais.

A principal fonte de cálcio na dieta é o leite e seus derivados, mas existe também em vegetais como espinafre, agrião, brócolis e couve-manteiga.

O consumo de cálcio aumenta com a atividade física e também é maior na gravidez e lactação. As necessidades diárias variam de acordo com a faixa etária : no adolescente é cerca de 1200 mg/dia; no adulto, 800 mg/dia; na perimenopausa, 1000 mg/dia; na pós-menopausa, 1500 mg/dia; na gravidez aumenta para cerca de 1500 mg/dia e, na lactação, para 1500 a 2000 mg/dia.

A regra abaixo serve para ajudar a calcular a ingestão de cálcio da alimentação :

1º passo : estimar a quantidade de cálcio dos derivados do leite

Produto Nº de porções/dia Quantidade de cálcio por porção, em mg mg de cálcio
Leite (240 ml) __   X 300 =
Iogurte (240 ml) __   X 400 =
Queijo (30 gr) __  X 200 =

2º passo : cálcio de derivados do leite + 250 mg (para outras fontes) = total de cálcio da alimentação

Muitas vezes é difícil obter a quantia necessária apenas da dieta, nesses casos pode estar indicada a suplementação, com medicamentos. Seu médico é a pessoa mais indicada para saber se você pode receber suplementação, quanto deve ser sua necessidade e o tipo de suplemento mais adequado para seu caso.

A suplementação de cálcio, assim como de vitamina D, é uma maneira econômica de ajudar a reduzir o risco de fraturas.


Vitamina D :


A vitamina D é sintetizada na pele pela ação dos raios solares ultravioleta e sofre transformações no fígado e rins para transformar- se em sua forma ativa.

Para o nosso clima tropical o mínimo de exposição solar diária é suficiente para a ação dos raios solares. A vitamina D favorece a formação óssea e facilita a absorção intestinal do cálcio.

É encontrada em alimentos como leite, queijos, óleo de fígado de bacalhau, ostras, camarões e peixes, especialmente cavalinha, salmão, sardinha e atum.

Uma suplementação com 400 a 800 UI (unidades internacionais) de vitamina D é recomendada para pessoas com risco de deficiência, como idade avançada, portadores de doenças crônicas e sedentarismo.

A suplementação pode aumentar a massa óssea e diminuir o risco de fraturas; como todo medicamento a vitamina D também pode apresentar efeitos colaterais, portanto, sua prescrição deve ser feita pelo seu médico.

Exercícios :


Os exercícios precisam fortalecer os músculos para que estes atuem sobre os ossos, assim sendo, exercícios com sustentação do peso do corpo (onde os ossos e músculos trabalham contra a gravidade enquanto os pés e pernas aguentam o peso do corpo) são mais efetivos para fortalecimento ósseo.

Um programa ideal de atividade física deve ter exercícios aeróbios de baixo impacto, exercícios de fortalecimento muscular e outros para melhorar o padrão da marcha, o equilíbrio e os reflexos, a fim de diminuir a incidência de quedas.

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Atividade física para melhorar o equilíbrio e prevenir quedas

Os exercícios aeróbios de baixo impacto, como caminhadas, corridas leves, dançar, jogar tênis, etc., melhoram especialmente o condicionamento cárdio-circulatório mas também estimulam a formação do osso e previnem sua reabsorção.

Como a massa óssea é relacionada à ação da musculatura sobre o esqueleto, o exercícios com pesos leves, como na musculação, aumentam a massa muscular e a força dos músculos esqueléticos.

Esta atividade é especialmente benéfica para os idosos porque melhoram a composição corporal (diminuem as gorduras e aumentam a massa magra) e são seguros, porque os fatores de risco, como amplitude de movimentos, velocidade de realização, carga, freqüência e intensidade de treinamento podem ser controlados.

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Exercício com resistência para combater o dorso curvo

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Exercício resistivo para fortalecimento dos extensores do joelho

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Exercício resistivo para fortalecer os abdutores das coxas

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Exercício resistivo para fortalecer os abdutores dos ombros

Fotos : Lourdes Soares, 70 anos

Entretanto deve ser realizada em locais onde existam pessoas treinadas e habilitadas para a realização e sob orientação médica.

A natação e a hidroginástica são mais apropriadas para promover relaxamento global e manutenção da amplitude de movimentos do que para estimular a produção óssea.

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Hidroginástica

Medicamentos :

Antes do início de qualquer tratamento farmacológico é necessária a conscientização da importância do cálcio, da vitamina D e dos exercícios como parte de qualquer programa de tratamento.


A escolha e prescrição de um medicamento só deve ser feita pelo médico, sempre levando-se em conta seus benefícos e os possíveis efeitos colaterais.

1) Reposição Hormonal

1.1 Estrógenos

Os estrógenos inibem a reabsorção óssea e, possivelmente, também possam atuar na formação. Podem ser administrados por via oral, sublingual, transdérmica, percutânea, subcutânea ou intravaginal.

Os estrógenos bloqueiam a perda acelerada de osso que se verifica nos primeiros anos após a menopausa. Também melhoram o perfil das gorduras do sangue da mulher após a menopausa, podendo assim, indiretamente, auxiliar na prevenção das doenças cardiovasculares; protegem os dentes, o cérebro e diminuem o risco da doença de Alzheimer.

São contra-indicados quando existe grande tendência familiar de câncer de mama ou história pessoal de tromboflebite ou ainda de acidente vascular cerebral (derrame cerebral).

Existem evidências indicando que a administração de estrógenos associados à progesterona diminuem a incidência de câncer do útero relacionado à hormônios, mas não diminui a incidência do câncer da mama relacionada a estes hormônios.

Acredita-se que o tratamento prolongado com estrógeno (em torno de 10 anos) pode aumentar em até 43% a chance de ocorrer câncer de mama. Por outro lado, estatísticamente, o risco de fratura do quadril é igual à soma dos riscos de câncer de mama, útero e ovário e os estrógenos podem diminuir a incidência de fraturas da coluna em até 50% e do quadril, em menor escala.

1.2 Moduladores Seletivos dos Receptores de estrógeno (SERMs)

Têm uma ação semelhante aos estrógenos em alvos desejados, como ossos e fígado e ação contrária (ou atuação semelhante mínima) nas mamas e no útero. Atualmente a droga deste grupo mais utilizada é o raloxifeno.

Esse medicamento foi desenvolvido para promover os efeitos benéficos dos estrógenos sem suas desvantagens potenciais. Sua utilização é uma alternativa para pacientes pós-menopausa mas, da mesma forma que os estrógenos, também aumentam o risco de trombose venosa profunda.

Estudos atuais mostram que o raloxifeno pode diminuir a incidência de fraturas da coluna, mas não diminui a incidência de fraturas de quadril.

1.3 Isoflavona

A isoflavona, presente na soja, é um fitoestrógeno (substância vegetal, semelhante ao hormônio feminino estrógeno) que pode ter efeito benéfico na prevenção de inúmeras doenças crônicas, inclusive a osteoporose.

Estudo conjunto realizado na Escola Paulista de Medicina em conjunto com o Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Campinas e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostrou que 100mg de isoflavona em forma de cápsulas (divididos em 3 tomadas) por 16 semanas pode produzir melhora nos sintomas de menopausa, diminuição dos níveis de colesterol plasmático e do peso corporal.

2) Calcitonina

A calcitonina é um hormônio produzido pelas células C (parafoliculares) da tireóide. Utiliza-se mais freqüentemente como tratamento a calcitonina de salmão, na forma de spray nasal, à noite. Sua principal ação é inibir a reabsorção óssea e possui importante ação analgésica.

Pesquisas sugerem que seu uso pode diminuir a incidência de fraturas da coluna vertebral em 37%, porém não tende a alterar as taxas de fraturas do quadril.

3) Bisfosfonatos

Apresentam "atração" pela superfície do osso, diminuem a reabsorção e podem aumentar a formação óssea. Atualmente os mais frequentemente utilizados no tratamento da osteoporose são os alendronatos.

Estes são também indicados para aquelas que não querem ou não podem fazer reposição hormonal.

Estudo recente mostrou que esse medicamento pode produzir aumento de 5% da massa óssea dos corpos vertebrais e de 2,3% no colo femoral, além de proporcionar uma redução de 47% na incidência de fraturas não vertebrais.

As reações adversas mais comumente observadas com os alendronatos são dor abdominal e esofagite, em até 30% dos casos.

Existem cuidados especiais em sua administração para tentar melhorar a absorção: devem ser tomados com um copo cheio de água, em jejum e a pessoa deve esperar pelo menos meia hora para se alimentar e também não pode voltar a deitar.

Estudo publicado em 2000, na revista Aging Clinical and Experimental Research por Schnitzer e col. sugere que o esquema posológico semanal (70 mg) tende a apresentar menor porcentagem de irritação no trato gastrointestinal superior, com os mesmo benefícios para o esqueleto.

4) Ipriflavona

Inibe a reabsorção e possivelmente também possa atuar na formação óssea.

5) Fluoreto de sódio

Pode aumentar a mineralização do osso. A vitamina D potencializa sua ação nos células responsáveis pela formação de tecido ósseo.

osteoporose.med.br


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