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AIDS / HIV

Infectados pelo HIV passam dos 40 milhões no mundo

29/11/2005

Os números da aids no mundo bateram todos os recordes este ano. Apesar dos esforços internacionais, a doença ainda se espalha de forma mais rápida do que os resultados dos programas de combate à epidemia. Segundo dados divulgados ontem pela agência da ONU especializada no combate à aids, a Unaids, em 2005 o mundo terá registrado 5 milhões de novas infecções, mais de 3 milhões de mortes e um total de 40,3 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV. Em 2003, esse número era de 37,2 milhões.

A população afetada pelo HIV no mundo é o dobro da que existia em 1995 e 64% dos novos infectados, ou 3 milhões de pessoas, estão na África. Mais de 500 mil crianças são soropositivas.

Desde 1981, a doença já matou 25 milhões de pessoas, o que a torna uma das epidemias mais trágicas já registradas. E o que é pior: segundo a Unaids, um dos principais problemas é que apenas 10% da população afetada fez o exame e sabe que está contaminada.

A maior proliferação do vírus está ocorrendo na Ásia e no Leste Europeu, que têm uma incidência da doença 25 vezes maior hoje do que em 1995. Outro fenômeno é o da predominância de casos da doença entre mulheres. Na África, 75% dos jovens infectados são do sexo feminino.

A única boa notícia vem de países como Quênia, Haiti, Zimbábue e Burkina Fasso, onde os altos índices da doença começam a retroceder. No Quênia, por exemplo, o índice de portadores do vírus HIV sofreu uma redução de 10%, no fim dos anos 90, para 7%, em 2003. Também no Caribe não há registro de aumento do número de casos.

"Estamos entusiasmados com os ganhos registrados em alguns países. Mas a realidade é que a epidemia continua a superar os esforços globais e nacionais para freá-la", afirmou o diretor da Unaids, Peter Piot.

No Brasil - O Brasil ainda terá de percorrer um longo caminho antes de poder afirmar que a epidemia de aids está controlada, admite o coordenador do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer. Há duas semanas, um documento do Ministério da Saúde dizia exatamente isso. "Há uma tendência de estabilidade, mas é só."

O relatório da Unaids observa o aumento da prevalência de aids entre as mulheres, em especial as de classes econômicas menos favorecidas. E constata que, em alguns locais do Rio Grande do Sul, a taxa de infecção entre gestantes pode chegar a 6%. Chequer contesta este número e alega que ele é fruto de um estudo centrado só em algumas cidades. Diz, ainda, que a prevalência de casos entre gestantes está estável, em 0,5%.

Hoje, governo brasileiro, o Unicef e seis países anunciam medidas para conter a transmissão do HIV. O Brasil deverá se comprometer a reduzir para zero a transmissão vertical, de mãe para filho, tanto para sífilis quanto para HIV.

O relatório também faz menção às mudanças de hábitos do brasileiro. Hoje, jovens começam a vida sexual ativa mais cedo e têm mais parceiros. O Unaids destaca que no País houve um aumento do número de jovens que usam preservativos. Mas observa também que só 62% deles sabem como a doença é transmitida. No último ano, o País viveu duas crises no abastecimento de preservativos, o que, para alguns especialistas, poderia provocar um desestímulo para seu uso justamente entre os jovens. Chequer afasta essa possibilidade. Diz que o desabastecimento foi pontual e campanhas de prevenção com jovens são feitas de forma constante.

Ele acha indispensável ampliar os esforços mundiais na prevenção da doença, como recomenda a Unaids. "São dois pontos cruciais: acesso universal ao tratamento e prevenção." Chequer não poupou críticas à política americana, que prega a abstinência como a principal forma para prevenir a aids: "É muito mais do que ineficaz. É um desserviço no controle da doença, descolado de qualquer critério científico." Ele exortou países a seguir o exemplo do Brasil e se recusarem a receber recursos de órgãos que exigem o vínculo do dinheiro de prevenção a políticas específicas. Neste ano, o País recusou um financiamento da Usaid porque a entidade exigia, em troca, que organizações beneficiadas não apoiassem a legalização da profissão de profissional do sexo.

América Latina - Nunca a América Latina registrou um aumento no número absoluto de casos de aids tão grande num ano como em 2005. Foram 200 mil novos casos identificados na região e o número de portadores da doença já chega a 1,8 milhão. Em 2003, o aumento havia sido de 170 mil. No total, 66 mil latino-americanos morrerão de aids em 2005.

Segundo a Unaids, mais de um terço da população contaminada na América Latina está no Brasil. Os motivos são a população numerosa e uma alta taxa de jovens que não sabe como a doença é transmitida. Mas, em porcentagem da população, o Brasil ainda tem uma taxa pequena, menos de 0,5%.

Na região, os casos mais graves são o da Guatemala e o de Honduras, onde a contaminação atinge perto de 1% da população. No Paraguai, a ONU alerta para a alta incidência da doença nas fronteiras com Brasil e Argentina. Os principais motivos para o crescimento da aids na América Latina são o consumo de drogas com seringas infectadas e relações sexuais sem proteção.

Dificuldades - Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saída para lutar contra a doença é o fortalecimento dos programas de prevenção e tratamento. Pelos cálculos da Unaids, o mundo precisa, para isso, de US$ 8,6 bilhões em 2006 e US$ 10 bilhões em 2007. O problema é que o déficit entre 2005 e 2007 chega a US$ 18 bilhões. Sem recursos suficientes, apenas 1 milhão de pessoas conta com acesso gratuito ao tratamento. Na África, só 10% da população infectada tem acesso aos remédios. Na Ásia, a taxa chega a 15% da população.

A OMS reconhece que não conseguirá cumprir até o fim deste ano o objetivo de dar tratamento a 3 milhões de pessoas, mas informa que até 350 mil mortes foram evitadas em 2005 graças à expansão do tratamento.

A Unaids e a OMS também apontam que os preservativos são hoje a "tecnologia disponível que mostra maior eficácia na prevenção" e 55% dos novos casos de infecção poderiam ser prevenidos na África se a população tivesse acesso garantido a eles.

Jamil Chade e Lígia Formenti


www.estadao.com.br



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