Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca - Novo stent libera artéria e é absorvido pelo corpo
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Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca

Novo stent libera artéria e é absorvido pelo corpo

09/12/2005
A cirurgia para o desentupimento de artérias deve oferecer menos riscos nos próximos anos. Os primeiros testes com o stent - molinha implantada exatamente para desentupir artérias - capaz de ser metabolizado pelo organismo foram bem-sucedidos. O feito é da empresa alemã Biotronik, uma das líderes mundiais na fabricação de marca-passos e que há oito anos começou a pesquisar o stent absorvível. A nova molinha é esperada por cardiologistas e radiologistas intervencionistas há pelo menos uma década.

O stent absorvível alemão é feito de magnésio. "O magnésio é uma substância resistente e, ao mesmo tempo, é um componente natural do organismo. Por ser natural, com o tempo ele é absorvido pelas células das paredes das artérias do corpo", explica Eduardo Maruo, técnico da empresa. "Depois de instalado nas artérias, ele começa a ser metabolizado em cerca de dez dias. Em 60 dias, 70% foi metabolizado e, em 90 dias, desaparece."

O novo stent está sendo testado principalmente em duas aplicações: nas artérias abaixo dos joelhos e nos vasos do coração. "A primeira aplicação, em fase mais avançada, deverá chegar ao mercado no início de 2007", afirma Marlou Janssen, vice-presidente mundial da Biotronik.

A empresa japonesa Igaki Tamai e a americana Guidant também estão pesquisando stents absorvíveis, mas de polímeros plásticos. Não há previsão de lançamento. "Os principais desafios dos pesquisadores do stent de plástico são a resistência do material e o fato de ele não ser metabolizado pelo corpo", avalia Gilberto Nunes, cardiologista da Santa Casa de Porto Alegre. "Ele vira um pó muito fininho."

O stent de magnésio começou a ser usado em porcos. Há dois anos, vieram as primeiras pesquisas em humanos. Foram selecionados para o primeiro grupo 20 pacientes com problemas sérios de irrigação sanguínea nas pernas, abaixo do joelho, e com altíssimo o risco de sofrer amputação. Os resultados, divulgados em maio de 2004, mostraram que ele cumpriu com a função em 94% dos casos. Ou seja, os stents desobstruíram as artérias, eles desapareceram, não se mostraram tóxicos e os pacientes não tiveram as pernas amputadas.

Em agosto deste ano, o protoloco de pesquisa foi ampliado já com a finalidade de conseguir a autorização do CE Mark, o departamento regulatório desse tipo de dispositivo médico na Europa. Agora, são 117 pessoas com problemas de circulação nas pernas participando de testes com os stents absorvíveis.

Há um ano, um grupo de 63 pacientes começou a testar o stent nos vasos do coração. Os primeiros resultados para o coração estarão prontos em março.

Colesterol - O colesterol, um tipo de gordura produzida pelo fígado ou vinda da alimentação, é uma das maiores causas de artéria entupida. Vale dizer que nem sempre o colesterol é ruim, já que ele participa na produção de hormônios sexuais, de enzimas digestivas e da membrana que envolve as células, por exemplo. Mas, em excesso, ele fabrica uma placa que se acumula na parede dos vasos.

As artérias podem ser desentupidas só com um balão. O balão é indicado, por exemplo, em lesões pequenas dos vasos, nos membros inferiores. Mas, na maioria das vezes, a desobstrução é reforçada com um stent.

Os stents convencionais foram usados em humanos pela primeira vez em 1987. Hoje, eles são fabricados com três materiais, aço inoxidável, uma mistura de níquel e titânio e outro feito de cobalto. "O aço inoxidável tem ótima força radial (força para abrir as obstruções) e, por isso, é bom para desobstruir placas mais resistentes", explica Felipe Nasser, cirurgião vascular intervencionista dos hospitais Albert Einstein e Santa Marcelina, em São Paulo. "O de níquel com titânio tem boa flexibilidade e indicado principalmente para vasos como os que irrigam as pernas. O cobalto, é o mais recente deles e tem mostrado ter as duas qualidades." Existe ainda um stent fabricado com marcas de ouro. O metal facilita a visualização do stent em exames de imagem. Alguns têm a capacidade de liberar remédios.

O stent é útil até que as paredes dos vasos se restabeleçam. Isso ocorre depois de cerca de seis meses. "Depois de um semestre, ele perde a função", conta Nunes, da Santa Casa. Com o tempo, o stent vai sendo coberto e preenchido por uma membrana.
Apesar de mínima, existe chance de inflamação com o stent nesse período. "Menos de 5%", avalia Nunes. E, a chance de o vaso estreitar novamente é de 15%, segundo o médico.

O absorvível ainda é pouco conhecido, mas os médicos já dão palpites sobre ele. "Se o absorvível for aprovado, ele terá toda a capacidade de servir para um sem-fim de casos e partes do corpo", avalia Nunes.

Crianças - Otimismo à parte, hoje, uma das maiores dificuldades com o stent convencional é na aplicação em crianças e em regiões flexíveis do organismo. "Em crianças, ele é muito pouco utilizado. Mas, quando usamos, vamos abrindo a molinha ao longo do tempo, para que ela acompanhe o crescimento dos vasos do paciente", explica Nasser. "Já em lugares flexíveis, como o joelho, o risco de rompimento é grande."

Há mais uma desvantagem no stent convencional, que o absorvível promete resolver. "Quando são aplicados vários stents nas veias coronária, dá muito trabalho trabalhar com ele depois", explica Nunes. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando o médico tem de fazer uma ponte de safena, que é a conexão da veia da perna nas artérias coronárias, as que irrigam o coração.
 
Adriana Dias Lopes
 
AE


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