Psiquiatria e Psicologia - Saiba mais sobre a epilepsia
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Psiquiatria e Psicologia

Saiba mais sobre a epilepsia

31/01/2006

 

 

O diagnóstico da epilepsia é clínico, ou seja, não se apóia exclusivamente em exames físicos. O neurologista baseia-se na descrição do que acontece com o paciente antes, durante e depois de uma crise. Se o paciente não lembra, as pessoas que acompanharam o episódio são testemunhas úteis. Além dos exames neurológicos de rotina, um eletrencefalograma (EEG) pode reforçar o diagnóstico, ajudar na classificação da epilepsia e investigar a existência de uma lesão cerebral. No EEG, eletrodos fixados no couro cabeludo registram e amplificam a atividade cerebral. Não há passagem de corrente elétrica. Hiperpnéia e fotoestimulação podem mostrar anomalias nas ondas cerebrais e, por isso, costumam integrar o exame. Na primeira, o paciente respira fundo e simula estar cansado; na segunda, é estimulado por algumas freqüências de luz. O neurologista poderá solicitar, ainda, o exame durante o sono, com privação de sono ou com monitoramento 24h. Entretanto, um resultado normal no EEG não descarta a epilepsia. As alterações ocorrem, por vezes, tão no interior do cérebro, que não são captadas; é possível também que nenhuma alteração tenha ocorrido no momento do exame. Outros exames comumente solicitados na investigação da epilepsia são tomografia computadorizada e ressonância magnética, principalmente para verificar se a epilepsia está ligada a um tumor ou a outra lesão cerebral.

 

Cura e tratamento

 

Quando se fala em epilepsia, é impossível falar em dados ou probabilidades sem associá-los ao tipo de crise em questão. Algumas crises desaparecem com o tempo e a medicação pode ser suspensa; outros pacientes precisam de tratamento a vida inteira para controlar as crises, e outros não respondem bem aos medicamentos. Da mesma forma, a eficácia do tratamento medicamentoso depende de pessoa para pessoa e do tipo de crises que ela tem. Em geral, cerca de 50% terão seus ataques totalmente controlados, 30% terão seus ataques reduzidos em freqüência e intensidade a ponto de poderem levar vidas normais, e os outros 20% ou serão resistentes à medicação, ou precisarão de uma dose tão alta de remédio que será melhor aceitar um controle parcial. Mas as pesquisas nessa área são constantes e novas drogas têm chegado ao mercado. Atualmente, as substâncias mais usadas para tratar a epilepsia são: carbamazepina, clobazam, clonazepam, etosuximida, fenitoína, fenobarbital, primidona e valproato de sódio (ácido valpróico). Medicamentos mais novos incluem a lamotrigina, a oxcarbazepina, o topiramato e a vigabatrina. Às vezes, é necessário experimentar mais de um medicamento para obter o efeito desejado, ou mesmo combinar mais de uma medicação. A maneira como os anticonvulsivantes alteram o limiar convulsivo ou previnem a ocorrência de descargas elétricas anormais não é totalmente conhecida. Pesquisas mostram que algumas drogas podem evitar que os impulsos nervosos anormais se espalhem, enquanto outras aumentam o fluxo de íons de cloro, que estabilizam as células nervosas. Uma dieta rica em lipídios e calorias, a dieta cetogênica, tem sido utilizada em especial nas crianças, mas deve ser muito bem acompanhada pelo médico e estritamente seguida. O metabolismo criado pela preparação cuidadosa dessa dieta pode aumentar o limiar convulsivo em alguns indivíduos. A cirurgia torna-se uma solução quando a medicação falha e quando apenas uma parte do cérebro é afetada, de forma que ela possa ser removida com a segurança de não causar prejuízo à personalidade ou a outras funções. Paralelamente ao tratamento médico, uma vida saudável tem efeitos benéficos sobre a epilepsia. Isso inclui dieta balanceada, exercícios, descanso, redução de stress e de depressão e a não utilização de álcool e drogas ilegais.

 

Falsas crises

 

Tanto pessoas que têm quanto pessoas que não têm epilepsia podem sofrer ataques desencadeados por um desejo consciente ou inconsciente de mais atenção e cuidados. Sob stress, uma respiração rápida ocasiona a produção de dióxido de carbono e muda a química corporal, podendo causar sintomas semelhantes a determinados tipos de crises. Hipoglicemia, abuso de drogas e febre, por exemplo, também podem ocasionar crises. O médico sempre deve ser consultado, pois são os exames e o histórico do paciente que determinarão o procedimento a ser seguido em relação às convulsões.

 

Epilepsia e os pais

 

Os pais geralmente reagem ao diagnóstico de epilepsia com uma mistura de apreensão, vergonha, ansiedade, frustração e desesperança, colaborando para que a criança veja sua condição como estigmatizante. Em um estudo feito com familiares de crianças com epilepsia, foi observado que alguns pais sentem vergonha de ter um filho epiléptico e centram o problema apenas na criança, e não na família como um todo. A palavra "epilepsia" não é usada, nem dentro nem fora do círculo familiar. A criança não pode discutir sua condição abertamente e cedo começa a vê-la como algo negativo. A superproteção também deve ser evitada, pois leva a alterações de comportamento e personalidade, com freqüência tornando a criança socialmente isolada. As habilidades sociais de relacionamento não são aprendidas e ela permanece insegura, dependente e emocionalmente imatura. Fica desadaptada socialmente não pela epilepsia em si, mas pela superproteção exagerada dos pais.

 

O paciente epiléptico e sua família

A epilepsia pode romper com o senso familiar de autonomia e competência. Para que o equilíbrio familiar seja recuperado, evitando conflitos e favorecendo a união, é importante que seus membros consigam chegar a um consenso sobre o que é epilepsia e como lidar com ela. O paciente e seus familiares podem beneficiar-se de grupos de apoio, por meio do contato com outras pessoas que convivem com a epilepsia e profissionais da área.

Casamento e gravidez

 

O casamento entre pessoas com epilepsia torna-se mais ou menos comum de acordo com o tipo e freqüência de crises enfrentadas. Na relação entre o casal, o cônjuge da pessoa com epilepsia costuma ficar extremamente preocupado quando ocorre uma modificação no esquema habitual: se a pessoa se atrasa, por exemplo. A constante supervisão pode se tornar uma obsessão e o paciente pode se sentir aborrecido por seus problemas nunca serem esquecidos. O cônjuge deve, então, tratar o epiléptico com mais naturalidade. Vale lembrar que alguns anticonvulsivantes interagem com as pílulas anticoncepcionais, diminuindo sua confiabilidade. As drogas antiepilépticas aumentam, ainda que em pequena proporção, o risco de malformações fetais. Entretanto, interromper o uso da medicação é perigoso para a mãe e para o bebê. O acompanhamento médico durante a gravidez é a melhor maneira de prevenir complicações.

 

 

A criança com pais epilépticos

 

Sempre nos preocupamos com a criança ou o adulto com epilepsia, mas com freqüência esquecemos de orientar a criança que é filha de pais epilépticos. Não há dúvida que assistir a uma crise é uma experiência muito angustiante para a criança; por isso, ela precisa ser ajudada a lidar com a epilepsia de seu pai ou de sua mãe. Uma estratégia é ensiná-la a cooperar durante a crise. A criança poderá ter um pequeno papel, como por exemplo, colocar um travesseiro, um pano ou um casaco embaixo da cabeça do epiléptico e falar palavras de conforto. Negar à criança uma participação em tal situação só serve para aumentar o medo e a ansiedade ante uma crise. Assim, é importante que ela veja um adulto agir com calma e tranqüilidade ao atender uma pessoa com crise.

 

A epilepsia e a escola

 

Com diagnóstico e tratamento adequados, aproximadamente 80-90% das crianças terão sua crises controladas com um mínimo de efeitos indesejados. Isso lhes permitirá acesso a uma vida normal. O tempo de crise é infinitamente pequeno em relação ao restante do tempo sem crises, e a criança não deve organizar sua vida ou restringir atividades escolares em função desses momentos críticos. Os pais podem avisar o(s) professor(es) da condição da criança e orientá-los.

 

Dificuldades de aprendizagem

 

A epilepsia normalmente não afeta a inteligência. As dificuldades de aprendizagem podem ocorrer por crises freqüentes e prolongadas ou por efeitos colaterais dos medicamentos, como fadiga, sonolência e diminuição da atenção.Eventualmente uma pessoa com retardo mental poderá ter epilepsia; isso não significa que a epilepsia é a causa do retardo mental, mas ambos podem ser conseqüência de um comprometimento cerebral mais amplo.

 

www.epilepsia.org.br


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