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Folha de pindaíba elimina microoganismos que provocam malária e doença de Chagas

07/02/2006

 


Folhas de pindaíba têm, em média, 10 a 15 centímetros de comprimento

 

Pesquisa da FCF mostra que extrato da folha inibiu crescimento e matou os protozoários causadores das duas doenças, podendo servir no futuro para produzir medicamentos. A árvore é encontrada desde Mato Grosso até o Rio Grande do Sul

As folhas da pindaíba, árvore encontrada desde Mato Grosso até o Rio Grande do Sul, têm ação comprovada na eliminação dos protozoários causadores da malária e da doença de Chagas, apontada em testes in vitro realizados pela farmacêutica Sônia Valéria Bonotto. Os frutos da espécie têm pouca polpa, por isso que se diz que uma pessoa "está na pindaíba" quando se sustenta com recursos escassos.

Em dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, Sônia fez a descrição botânica da Duguetia lanceolata (nome científico da pindaíba) e estudou as atividades químicas das folhas. "A árvore pertence ao gênero Annonaceae, o mesmo da graviola e da pinha, espécies ricas em alcalóides do tipo isoquiolínicos, testados em laboratório contra algumas protozoozes, como a malária e a leishmaniose", destaca. O trabalho foi orientado por Dominique Fischer, professora do Departamento de Farmácia da FCF.

A farmacêutica experimentou a ação do extrato hidroalcoólico da folha da pindaíba nos protozoários Plasmodium falciparum (malária), Trypanosoma cruzi (doença de chagas) e Leishmania chagasi (leishmaniose). "O extrato teve atividade in vitro, ou seja, inibiu o crescimento e matou os microorganismos, nos casos do Plasmodium e do Trypanosoma", relara. "Os resultados mais promissores foram obtidos com o protozoário da doença de Chagas, no qual a redução na sobrevida foi semelhante ao do benznidazol, usado como fármaco de referência.

Moléculas
Quando foi testado apenas um alcalóide isolado do extrato da folha, não houve atividade inibitória sob o Trypanosoma cruzi. "Provavelmente ele só possui esse efeito se combinado com moléculas de outras substâncias do extrato total", explica. "O próximo passo é isolar estas moléculas para sintetizá-las em laboratório e testar sua utilização como princípio ativo de medicamentos."

As amostras de pindaíba foram coletadas em uma reserva ambiental de Mogi Mirim, no interior de São Paulo. "A árvore é de médio porte, podendo chegar a 20 metros de altura, as folhas adultas têm em média de 10 a 15 centímetros de comprimento e os frutos são semelhantes a pinhas, só que mais avermelhados", descreve. "Embora seja uma espécie típica do cerrado, pode ser encontrada desde Mato Grosso até o Rio Grande do Sul."

Sônia alerta que a árvore corre risco de extinção. "Como a madeira tem pouco valor comercial e os frutos não são aproveitados, a árvore não é cultivada, sendo encontrada principalmente em reservas ecológicas", relata. "Conhecer as características botânicas e a propriedades químicas da espécie são um auxílio importante no processo de preservação."

A pesquisa sobre pindaíba integrou dois projetos multidisciplinares sobre atividade biológica de espécies vegetais brasileiras em protozoários de doenças tropicais. Os testes de laboratório com o Trypanosoma cruzi e a Leishmania chagasi tiveram a colaboração da equipe do farmacêutico André Temponi, do Instituto Adolfo Lutz

Os estudos sobre atividade anti-malárica tiveram a participação do Laboratório de Malária da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), com coordenação de Silvia de Santi, e financiamento da Fundacão de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O professor Paulo Moreno, do Instituto de Química (IQ) da USP, colaborou nos aspectos químicos da pesquisa.

www.usp.br


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