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Ginecologia/Mulher

Novos estudos avaliam reposição hormonal precoce

18/02/2006



A terapia de reposição hormonal já foi vista como o caminho do céu e o do inferno para as mulheres na menopausa. Após uma estada no paraíso, na segunda metade do século 20, desceu ao inferno ao serem constatados os riscos de câncer de mama e de eventos cardiovasculares relacionados ao tratamento. Isso deixou muitas mulheres que sofrem com os sintomas da chamada síndrome do climatério no limbo do estrógeno --o hormônio utilizado no tratamento.

Em 2006, começa uma nova etapa. Se comprovada a hipótese das novas pesquisas controladas sobre o tratamento, iniciadas neste ano, esse pode se mostrar benéfico, particularmente em relação à progressão da aterosclerose, quando feito mais precocemente.

O benefício indiscutível da reposição é melhorar a sintomatologia da síndrome do climatério, como ondas de calor e secura vaginal. Das mais de 11 milhões de brasileiras com idade entre 45 e 64 anos, 75% apresentam os sintomas, mas, segundo dados da Sobrac (Sociedade Brasileira do Climatério), apenas 8% fazem o tratamento.

O ponto mais polêmico da reposição hormonal é o risco cardiovascular. Acreditava-se que a reposição poderia prevenir problemas como o infarto do miocárdio, mas, em 2002, o maior estudo controlado já feito sobre a terapia foi interrompido ao verificar-se que, no grupo que recebia hormônios, aumentaram eventos cardiovasculares, como o AVC (acidente vascular cerebral), e tromboembólicos, como tromboses e embolia pulmonar, além do risco do câncer de mama. A pesquisa, iniciada em 1995, era parte do programa Iniciativa da Saúde da Mulher (WHI, na sigla em inglês) e envolveu 16 mil mulheres com idade média de 63 anos. Nas últimas semanas, outra pesquisa do mesmo programa também criou polêmica ao divulgar que os hábitos alimentares não influenciavam nem preveniam o desenvolvimento de certas doenças.

Janela de oportunidade

Um dos questionamentos feitos à pesquisa da reposição hormonal é que, na faixa etária prevalecente entre as pesquisadas, muitas mulheres já iniciaram o processo de aterosclerose (formação de placas de gordura nas veias) e, nesses casos, o estrógeno pode desestabilizar as placas e desencadear os problemas. A hipótese de parte dos médicos é que, em mulheres na pré-menopausa ou no início da pós-menopausa, a reposição pode aproveitar uma "janela de oportunidade" para, além de diminuir os riscos, ter uma função preventiva. Esse é o objeto de estudo de pesquisas como o Keeps (Estudo Kronos da Prevenção Precoce com Estrógeno), do Kronos Longevity Research Institute, de Phoenix (EUA), com a Universidade de Yale.

Segundo o protocolo do Keeps, serão estudadas mulheres na fase de transição menopausal, entre 40 e 55 anos. Quarenta? Tanta precocidade pode assustar os leigos, mas não é novidade para os médicos. "Após os 40, a mulher começa a ter ciclos menstruais sem ovular. A partir dos 45, começa a insuficiência hormonal, mas ainda não absoluta", diz o ginecologista Wilson Carrara, de São Paulo.

A psicóloga Marilene Simão Kehdi, 40, está entre as que perceberam cedo os sintomas. Há nove meses fazendo terapia hormonal, ela conta que buscou o auxílio de um especialista quando começou a ter ondas de calor, instabilidade de humor e insônia --sintomatologia clássica dessa fase de transição.

"Na época em que as manifestações começaram, cabia a mim decidir o melhor tratamento e busquei informações sobre os aspectos positivos e negativos desse tipo de intervenção." Sua avaliação é que o tratamento está sendo eficiente, entre outras coisas, por ser "adequado e feito no tempo certo".

IARA BIDERMAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo

BBC Brasil


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