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Pneumologia/Pulmão

Estudo PLATINO:Prevalência da DPOC em cinco cidades latino-americanas

22/02/2006

Introdução

A DPOC, apesar de ser importante causa de morbidade e mortalidade em todo o mundo, é freqüentemente subdiagnosticada e, conseqüentemente, uma parcela considerável de pacientes deixa de receber tratamento adequado. Com o objetivo de avaliar a prevalência da DPOC na América Latina, foi desenvolvido o estudo PLATINO (The Latin American Project for the Investigation of Obstructive Lung Disease).

Métodos

Estudo populacional conduzido entre indivíduos com mais de 40 anos nas seguintes cidades: São Paulo, Santiago, Cidade do México, Montevidéu e Caracas. Áreas representativas dos diferentes níveis sócio-econômicos de cada cidade foram sorteadas e, em cada uma delas, em média quinze residências foram selecionadas. O cálculo do tamanho da amostra sugeriu a necessidade de 800 indivíduos em cada cidade para se poder estimar a prevalência de DPOC de até 30%, com margem de segurança inferior a 4%. Projetando-se uma taxa de recusa em participar do estudo de 20%, os autores objetivaram avaliar 1020 indivíduos em cada cidade.

Todos os indivíduos foram avaliados no domicílio, sendo investigados os principais fatores de risco para DPOC (idade, sexo, etnia, tabagismo, nível de escolaridade, admissão por doença pulmonar na infância, exposição domiciliar ou profissional a fumaça, índice de massa corpórea) e o seu possível diagnóstico. O diagnóstico espirométrico da DPOC foi definido pela relação VEF1/CVF pós-broncodilatador menor que 0,7.

Resultados

Foram avaliados 1.000 indivíduos em São Paulo, 1.208 em Santiago, 1.063 na Cidade do México, 943 em Montevidéu e 1.357 em Caracas. A prevalência da DPOC variou de 7,8% na Cidade do México a quase 20% em Montevidéu. Houve um constante padrão de maior prevalência em homens, indivíduos mais velhos, com menor escolaridade, com menor índice de massa corpórea e com maior exposição ao cigarro. A tabela 1 ilustra os resultados mais importantes.

Tabela 1. Prevalência de DPOC na América Latina segundo alguns fatores relevantes

 

São Paulo

Santiago

C. México

Montevidéu

Caracas

Sexo

 

 

 

 

 

Masculino

18,0%

23,3%

11,0%

27,1%

15,7%

Feminino

14,0%

12,8%

5,6%

14,5%

10,2%

Tabagismo

 

 

 

 

 

Ausente

12,5%

15,9%

6,2%

15,3%

6,6%

Ex-fumante

15,6%

15,5%

12,3%

23,3%

16,9%

Fumante

21,8%

18,7%

8,0%

22,5%

15,4%

Anos-maço

 

 

 

 

 

0-9,9

12,8%

13,9%

6,3%

14,3%

8,1%

10-19,9

15,3%

15,5%

15,7%

14,7%

15,3%

>20

24,6%

30,8%

15,4%

32,0%

24,8%

IMC (kg/m2)

 

 

 

 

 

<25

19,3%

20,7%

14,6%

23,7%

15,1%

25-29,9

13,9%

16,4%

7,5%

20,8%

11,5%

>30

13,2%

14,4%

4,3%

15,0%

9,6%

Conclusão

A prevalência de DPOC na população com mais de 40 anos na América Latina é elevada, acima do que era esperado com base em estudos internacionais anteriores, nos quais ela variava de 4% a 10%.

Comentários

Este excelente estudo epidemiológico traça um perfil preocupante da DPOC na América Latina. Sua prevalência é alta, resultado, principalmente, dos altos índices de tabagismo na região. Tratando-se de uma condição progressiva, este resultado mostra que um grande número de indivíduos apresentarão a enfermidade clinicamente manifesta, com todas as suas implicações sobre a morbidade e mortalidade da população e com grande ônus para os sistemas de saúde. Este cenário é agravado pelo fato de que a DPOC muitas vezes é detectada tardiamente ou mesmo não é diagnosticada, fazendo com que a instituição do tratamento não seja feita prontamente. Embora não tenha sido relatado neste trabalho, outros autores já demonstraram que parcelas importantes de pacientes com DPOC identificados em estudos epidemiológicos não tinham, até então, diagnóstico clínico. De posse de todas essas informações, cabe às autoridades, tanto dos órgãos de saúde, como das sociedades médicas, implementarem medidas para redução dos fatores de risco, sobretudo o tabagismo, e para educação dos profissionais para o adequado diagnóstico e tratamento da DPOC. Caso contrário, não conseguiremos reduzir o crescimento da doença e nem lidar de forma adequada com os casos já existentes.

Outro dado interessante encontrado foi que a prevalência de DPOC na Cidade do México foi menor, mesmo quando ajustada para as características da população e para a exposição aos fatores de risco. Especula-se que a grande altitude tenha correlação inversa com o desenvolvimento de DPOC, talvez por um maior desenvolvimento das vias aéreas. Resultados semelhantes obtidos no Himalaia corroboram essa hipótese. Não se pode, entretanto, afastar a possibilidade de fatores étnicos e/ou genéticos alterarem o risco de DPOC entre as diferentes regiões.


Chronic obstructive pulmonary disease in five Latin American cities (the PLATINO study): a prevalence study
Menezes AMB, Perez-Padilla R, Jardim JRB et al.
Lancet 2005;366:1875-1881

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