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Pneumologia/Pulmão

Efeitos do treinamento específico de músculos inspiratórios por um ano em pacientes com DPOC

26/02/2006

The effects of 1 year of specific inspiratory muscle training in patients with COPD
Beckerman M, Magadle R, Weiner M, Weiner P
Chest 2005;128:3177-3182

Introdução

Reabilitação pulmonar é parte fundamental do tratamento da DPOC. Atualmente ela é baseada em exercícios de recondicionamento físico, não estando claro ainda se há benefícios da associação de exercícios voltados especificamente para os músculos inspiratórios. Neste trabalho, os autores avaliam o impacto de um programa de treinamento dos músculos inspiratórios por um ano na evolução de pacientes com DPOC.

Métodos

Estudo prospectivo, controlado, randômico, que foi conduzido com 42 pacientes com diagnóstico de DPOC estável, com obstrução importante ao fluxo aéreo (VEF1/CVF<70% do previsto e VEF1<50% do previsto). Todos os pacientes encontravam-se em tratamento regular com broncodilatador inalatório e 32 estavam recebendo corticóide inalatório. Nenhum paciente participava de qualquer programa de reabilitação pulmonar no momento da inclusão no estudo.

Os pacientes incluídos foram divididos aleatoriamente em dois grupos: controle (n=21) e treinamento (n=21). No grupo treinamento, eles eram submetidos a duas sessões diárias de 15 minutos, seis dias na semana. O treinamento consistia na respiração contra resistência (threshold), começando com 15% da Pimáx (pressão inspiratória máxima) na primeira semana, com posterior aumento de 5% a 10% em cada sessão, até que fosse alcançado 60% da Pimáx, carga que seria mantida durante os doze meses do estudo, sempre ajustada pela Pimáx medida mais recentemente. Avaliações foram feitas a cada três meses e incluíam espirometria, medida da força da musculatura inspiratória (Pimáx), teste de caminhada de seis minutos e questionário de qualidade de vida relacionada à saúde (St. George Respiratory Questionnaire – SGRQ).

Resultados

Os pacientes dos dois grupos apresentavam, no início do estudo, características demográficas e clínicas semelhantes. Os que foram submetidos ao treinamento apresentaram, já após três meses, melhora da Pimáx e do teste de caminhada de seis minutos, resultados que persistiram ao longo de doze meses (tabela 1).

Tabela 1. Evolução da Pimáx e do teste de caminhada de seis minutos nos dois grupos

 

Basal

3 meses

6 meses

9 meses

12 meses

Pimáx (cmH2O)

 

 

 

 

 

- G. treinamento

71

90*

95*

97*

101*

- G. controle

67

70

68

69

66

T. caminhada (m)

 

 

 

 

 

- G. treinamento

256

312*

319

324

328

- G. controle

268

252

258

250

247

* - p<0,01 entre os grupos

Houve ainda melhora na qualidade de vida medida pelo SGRQ, em comparação com o grupo controle, a partir de seis meses de treinamento, a qual se manteve até o final do estudo (p<0,001). Não houve diferença entre os dois grupos em relação ao número de internações, mas a duração média de cada internação foi menor entre os pacientes submetidos ao treinamento muscular (8,6 versus 11,1 dias, p<0,05).

Conclusão

O treinamento de músculos inspiratórios na DPOC associou-se a aumento da força dos mesmos e a melhora clínica dos pacientes.

Comentários

A reabilitação pulmonar é, atualmente, tópico obrigatório no tratamento de pacientes com DPOC. Mais de 20 estudos randômicos e controlados dão suporte às bases da reabilitação pulmonar, que é recomendada para todos os pacientes com DPOC que tenham VEF1 abaixo de 80% do previsto. Um candidato ideal é aquele que, apesar do tratamento médico otimizado, ainda apresenta significante anormalidade na sua função e na participação nas atividades da vida diária, levando-o a alteração da qualidade de vida relacionada à saúde. Com os objetivos de reduzir sintomas, melhorar atividade e função diária e dar ao indivíduo o mais alto grau de independência, a reabilitação baseia-se no recondicionamento físico do paciente, não havendo consenso quanto aos benefícios de se associar exercícios respiratórios ao programa.

Neste estudo os autores demonstraram aumento da força da musculatura respiratória com o seu treinamento específico, resultado que foi acompanhado de melhora na tolerância ao exercício, medida pelo teste de caminhada, e melhora na qualidade de vida. Esses resultados foram observados já com três meses de treinamento e foram mantidos ao longo dos doze meses de estudo. O que não se sabe é se eles persistem ou não após o fim do programa. Assim, não se sabe ainda se eles devem ser mantidos indefinidamente e, caso isso seja necessário, qual o nível de aderência dos pacientes a este tipo de recomendação. Independentemente dessas dúvidas que ainda existem, este estudo é de grande importância, pois abre mais uma perspectiva de tratamento da DPOC, doença progressiva, não completamente reversível e que impõe limitações importantes aos pacientes.

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