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Tóxicos/Intoxicações

Contaminação da Cidade do México

14/03/2006
Pesquisadores tentam entender qual é o impacto regional e global da poluição produzida na Cidade do México, uma das zonas mais poluídas do mundo ao lado de São Paulo
 


Por Eduardo Geraque, da Cidade do México

O tamanho do esforço científico é compatível com a grandiosidade do problema. Cerca de 400 pesquisadores de vários países estão envolvidos com as campanhas do programa Milagro (Megacity Initiative: Local and Global Research Observations), que começaram a ser realizadas este mês na Cidade do México, uma das mais poluídas do mundo.

A iniciativa é liderada por Luisa Molina, pesquisadora filipina e mulher do mexicano Mario Molina, ganhador do prêmio Nobel de Química em 1995 e que também participa das atividades.

O Brasil está representado por Andréa Castanho, doutora pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo e que faz pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts com uma das equipes que fazem parte do programa Milagro.

“Vou participar no desenvolvimento de métodos para estudar aerossóis atmosféricos por meio de sensoriamento remoto”, explicou a pesquisadora à Agência FAPESP durante o lançamento do programa, no dia 2 de março, em evento que chamou a atenção da sociedade local.

No fim da década 1980, a população da capital mexicana praticamente se rebelou depois que a contaminação atmosférica chegou a níveis alarmantes. Mesmo com a melhora na qualidade do ar, ainda hoje é difícil, num dia de céu aberto, ver os vulcões que cercam a cidade. A altitude média de 2,4 mil metros e o ar seco do inverno chegam a dar, aos acostumados com climas mais úmidos, a sensação de sufocamento em algumas partes do dia. A região metropolitana da Cidade do México tem cerca de 18 milhões de habitantes.

Para conseguir cumprir com seus objetivos, centenas de cientistas, que representam 45 instituições mexicanas e 60 norte-americanas, contam com uma série de ferramentas poderosas. Para as campanhas aéreas, por exemplo, estarão à disposição do grupo seis aeronaves. Além disso, foi montado um laboratório móvel e três sítios físicos de monitoramento.

Segundo Luisa Molina, todos os quatro projetos que fazem parte da megaoperação, a primeira no mundo feita nesses moldes para o estudo da poluição do ar local e regional, custarão US$ 25 milhões. Uma das campanhas aéreas de medição, por exemplo, será feita num DC-8 da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Os vôos, com a devida aprovação da Força Aérea Mexicana, partirão de Houston, no Texas, para a coleta das amostras no ar mexicano. “Os recursos são oriundos de instituições mexicanas e européias, mas principalmente do Departamento de Energia dos Estados Unidos e da National Science Foundation”, disse Luisa.

O programa Milagro pretende realizar medições de contaminantes de forma gasosa e em aerossóis, além de estudar o transporte e a transformação dos gases em escala local, regional e até global. Mas os organizadores pensam em algo maior. Segundo eles, é preciso ultrapassar as fronteiras acadêmicas.

Para Luisa, do Centro Molina para Estudios Estratégicos sobre Energía y Medio Ambiente, sediada na Cidade do México, um dos desdobramentos do Milagro é de extrema importância. Parte dos recursos obtidos será destinada para um programa de educação e capacitação de jovens estudantes e de representantes de vários setores interessados pelo tema.

Ao divulgar os dados e os resultados do Milagro para um número maior de pessoas, os responsáveis pelo programa pretendem incentivar a formação de mão-de-obra e, ao mesmo tempo, influir na elaboração de políticas públicas que levem em consideração o problema da contaminação do ar.

Mais informações: http://mce2.org/megacities/fieldcampaign2006

Agência FAPESP -

http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5193


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