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Clínica médica/Intensiva/Enfermagem

Proteína contra as inflamações

24/03/2006

 


Gerada no corpo humano, a anexina-1 evita os efeitos indesejáveis dos antiinflamatórios conhecidos'

Uma proteína produzida pelo próprio organismo humano, a anexina-1, pode ser a esperança para o fim dos efeitos indesejáveis provocados pelo uso contínuo de antiinflamatórios, como depressão, hipertensão arterial, fraqueza muscular e osteoporose. Também conhecida como lipocortina-1, ela está sendo testada no campus da UNESP de São José do Rio Preto, com eficácia comprovada em diversos processos inflamatórios.

“Os antiinflamatórios são utilizados para o tratamento agudo ou crônico das inflamações, mas seu funcionamento ainda não está totalmente esclarecido e, por isso, essa pesquisa com a anexina-1 é relevante”, argumenta a bióloga Sonia Oliani, coordenadora dos estudos realizados no Departamento de Biologia do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce). “O uso desses antiinflamatórios em altas doses ou por um período prolongado causa muitos efeitos prejudiciais à saúde”, ressalta. Ela cita, como exemplo, os medicamentos usados por pacientes que sofrem de artrite reumatóide, doença ainda sem cura, caracterizada pela inflamação crônica e progressiva das articulações, que atinge cerca de 1,5 milhão de brasileiros.

Os antiinflamatórios mais potentes são os que possuem corticóides em sua fórmula. Estes medicamentos inibem os mecanismos que induzem à inflamação, diminuem o acúmulo de líquido que causa inchaço no tecido inflamado e reduzem a migração de células de defesa – que podem promover a destruição do tecido pela liberação de substâncias inflamatórias. “A ação dos corticóides é muito ampla, atuando não apenas na inflamação, mas também aumentando a concentração de hormônios, sais e glicose no sangue, o que desencadeia os efeitos colaterais”, esclarece a bióloga.

Ação da proteína

A anexina-1 tem função semelhante à dos corticóides. A diferença é que, por ser produzida pelo próprio corpo humano, tem uma ação mais específica e natural na inibição da migração de glóbulos brancos para o tecido inflamado, mantendo, assim, o equilíbrio dessas células no processo inflamatório. “Dessa forma, a possibilidade de efeitos colaterais poderá ser menor”, acrescenta a docente.

Segundo Sônia, os estudos com a anexina-1têm obtido importantes resultados, que poderão ter aplicação também nos casos de infarto e transplante. Em ratos, a proteína conseguiu reduzir os danos do processo de obstrução de vasos sanguíneos que irrigam o miocárdio, o músculo do coração. “Após 25 minutos do infarto induzido, a administração da anexina reduziu a migração dos glóbulos brancos dos vasos para o miocárdio e produziu uma significativa proteção contra a lesão cardíaca, o que representa um potencial para a aplicação clínica da proteína”, aponta.

Também nesses animais foi induzida a isquemia renal, fenômeno de obstrução dos vasos que irrigam os rins. De acordo com a bióloga, ao bloquear a migração de glóbulos brancos para a região afetada, a anexina-1 protegeu os órgãos contra o processo inflamatório. “Se estes resultados forem reproduzidos em rins transplantados, a anexina-1 poderá se tornar uma arma valiosa, já que nestes casos ocorre a oclusão dos vasos sanguíneos, que provoca inflamação do tecido, prejudicando o funcionamento renal tanto no caso dos doadores quanto dos receptores do órgão”, revela Sônia.

Equipe internacional

Para confirmar a atuação dessa proteína, os pesquisadores obtiveram uma linhagem de camundongos deficientes na produção do gene da anexina-1. Esses animais apresentaram uma exacerbação da inflamação no peritônio, membrana que reveste órgãos digestivos. “É uma proteína que poderá representar uma alternativa na redução da administração de drogas à base de corticóides ou mesmo ser usada nos casos em que ocorre migração de glóbulos brancos”, prevê a bióloga, que espera, em breve, iniciar os testes clínicos com a nova droga.

Sônia desenvolve seus estudos em colaboração com um dos descobridores da anexina-1, Roderick Flower, pesquisador do Instituto de Pesquisa William Harvey, da Universidade de Londres, na Inglaterra. A importância da anexina no meio científico levou à criação de uma revista específica, Annexins, de cujo corpo editorial Sonia faz parte, como única representante da América do Sul.

No Ibilce, também estão envolvidos no estudo os pós-graduandos Amílcar Sabino Damazo, Thaís Gastardelo, Tatiana Pimentel, Pierre Sebastião da Silva, os estudantes de graduação Rodrigo Parra Teixeira, Fernanda Castanheira, Leandro Pires Araújo, Esther Cunha e a técnica Rosana Silistino de Souza. Na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, participam a pós-doutoranda Ana Cláudia Polli Lopes e os professores Cristiane Damas Gil, Emmanuel Burdmann e Fernando Nestor. No Instituto William Harvey, na Inglaterra, além de Flower, trabalha o pesquisador Mauro Perretti.

 

 

A estrutura das anexinas possui quatro repetições de seqüências com 70 a 75 aminoácidos. A região N-terminal é o local onde ocorrem atividades biológicas e se promove a ação antiinflamatória

 

http://www.unesp.br/aci/jornal/209/proteina.php


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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