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Meio Ambiente/Ecologia

Barreira de proteção para recuperar florestas de araucárias

04/04/2006

Parceria entre Paraná e Ministério do Meio Ambiente pretende implantar corredor para tentar recuperar a floresta de araucária, que tem apenas 1% da cobertura vegetal original (foto: PUCRS)

Por Eduardo Geraque, de Curitiba

Agência FAPESP - A floresta de araucária, parte do bioma Mata Atlântica, mantém apenas 1% de sua cobertura vegetal original. Por isso, qualquer iniciativa que tente reverter o quadro catastrófico merece atenção. Desta vez, a proposta parte de duas esferas governamentais, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o governo do Paraná.

Com base em informações de variabilidade genética, os autores do novo projeto identificaram quatro áreas de proteção ambiental, que ficam nas extremidades de um corredor da floresta de araucária que será o foco da iniciativa – corredor virtual, pois só há árvores nas extremidades, o meio está todo transformado. São a Reserva Biológica da Araucária e o Parque Nacional dos Campos Gerais, no Paraná, e, do outro lado, a Estação Ecológica Mata Preta e o Parque Nacional das Araucárias, em Santa Catarina.

“Esses dois conjuntos estaduais estão distantes um do outro cerca de 200 quilômetros e a variabilidade genética medida da Araucaria angustifolia entre eles é bastante grande”, disse o pesquisador Paulo Kageyama, diretor de florestas do MMA, à Agência FAPESP.

Kageyama explica que o conceito científico embutido no programa é o de “corredor em trampolim”. No caso das quatro áreas de preservação, como a variabilidade genética é alta, elas vão funcionar como um banco de sementes. Serão as bases para o trampolim proposto.

Para o diretor de florestas do MMA, que apresentou a proposta do corredor na Oitava Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica (COP 8), que terminou no dia 31, em Curitiba, o processo de recuperação da floresta pode ocorrer muito por causa da biologia da araucária. “Em todas as coníferas, os pólens são distribuídos a longas distâncias, pelo vento. E é isso que vai fazer com que o corredor funcione”, explicou.

O que terá de ser resolvido agora, segundo Kageyama, é como será feito o processo de estímulo ao plantio de novas sementes e mudas no meio do corredor de proteção. “Todas as áreas são particulares, de modo que será preciso discutir uma maneira de estimular financeiramente os proprietários”, disse. Segundo ele, deverão ser gastos R$ 400 mil para essa etapa do projeto, em área de 2 mil hectares.

A estimativa é que toda a iniciativa custe em torno de R$ 5 milhões. Os recursos federais virão de um programa conjunto com a Alemanha. O Paraná entrará com dinheiro obtido do Global Environment Facility (GEF).

http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5300

 


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