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Ginecologia/Mulher

Estude a epidemiologia do câncer genital e mamário

08/04/2006

 

As tentativas atuais no estudo da epidemiologia dos cânceres está se desenvolvendo rápido.

Um dos mais antigos relatos da epidemiologia do câncer foi feito por Ramazzini, em 1917, que observou a alta incidência de câncer de mama em freiras (nulíparas), suspeitando que a gestação poderia ter efeito protetor contra a doença. De fato, a nuliparidade ou primiparidade tardia são fatores de risco para a doença e estão associadas ao aumento da incidência observado nas últimas décadas.

Na tabela 1 temos um resumo dos principais fatores de risco para os tumores malignos das mamas e órgãos genitais femininos. O câncer de tuba uterina, por ser extremamente raro, não apresenta dados epidemiológicos confiáveis.

Tabela 1 - Principais fatores de risco para as neoplasias malignas genitais e mamárias

Órgão

Idade (anos)

Menarca

Menopausa

Paridade

Outros

Mama

45 a 55 (peri-menopausa)

Precoce

Tardia

Nuliparidade

Antecedente familiar, primiparidade idosa, obesidade na pós- menopausa.

Ovário

50 a 60

Precoce

Tardia

Nuliparidade

Ovulações ininterruptas.

Endométrio

55 a 65 (Pós-menopausa)

Precoce

Tardia

Nuliparidade

Hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, obesidade, anovulação crônica, estrogenioterapia prolongada sem progestágeno.

Colo Uterino

35 a 45 (menacme)

-

-

Multiparidade

Infecção pelo HPV.

Vagina

35 a 45

-

-

-

Infecção pelo HPV.

Vulva

50 a 60

-

-

-

Infecção pelo HPV.

Câncer de mama:

O pico de incidência ocorre dos 45 aos 55 anos (perimenopausa).

O fator genético mais evidente é a presença de mutação no gene BRCA2, localizado no cromossomo 13, que é oncosupressor (anti-oncogene). Quando ocorre a mutação, existe alta incidência da doença na família (câncer de mama hereditário), com a ocorrência de doença bilateral e de aparecimento precoce. Além deste, o gene BRCA1 também está associado à maior ocorrência de câncer de mama. Recentemente, vem sendo pesquisada a presença de outro gene no cromossomo 13, que poderia explicar o restante dos casos hereditários de câncer de mama, pois o BRCA1 e BRCA2 estão presentes em apenas 50% dessas mulheres.

O antecedente familiar é muito importante, mesmo na ausência da mutação dos genes BRCA1 ou BRCA2, pois mais de 90% dos casos de câncer de mama não se enquadram nos critérios de hereditariedade. Quando existe histórico da doença em parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) o risco da doença aumenta cerca de duas vezes. No entanto, na maioria das vezes não existe histórico familiar de câncer de mama, acreditando tratar-se de uma mutação esporádica, e não a um gene herdado.

Quanto mais precoce a menarca e mais tardia a menopausa, maior o risco de câncer de mama. A explicação seria o maior estímulo do epitélio mamário pelos estrogênios, com provável ação sinérgica da progesterona.

A primeira gestação a termo precoce (principalmente antes do 20 anos) reduz o risco de câncer de mama. Partos após os 40 anos, ao contrário, elevam o risco de desenvolver a doença, assim como abortamentos de repetição antes da primeira gestação.

O uso prolongado de anticoncepcional hormonal oral antes da primeira gravidez é também fator de risco.

A terapêutica de reposição hormonal no climatério, quando utilizada por mais de 10 anos, eleva o risco de câncer de mama em cerca de 30%.

Câncer de Ovário:

Os tumores epiteliais malignos do ovário ocorrem principalmente após os 40 anos, com maior freqüência entre os 50 e 60 anos. Já os tumores de linhagem germinativa aparecem mais cedo, em torno dos 20 anos de idade.

Ocorrem mais nas mulheres de raça branca.

As mulheres que apresentam maior número de ovulações (nuliparidade) têm maior risco. O uso de anticoncepcional hormonal oral, ao contrário, reduz o risco.

Pacientes portadoras de disgenesia gonadal com cariótipo 46XY (síndrome de Swyer) têm maior risco de apresentar tumores de linhagem germinativa.

O câncer de ovário pode estar associado à síndrome de Peutz-Jeghers.

Câncer de Endométrio:

Aparece geralmente após os 55 anos (pós-menopausa).

Está associado ao estímulo estrogênico prolongado, na ausência de ação da progesterona, como ocorre nas pacientes com anovulação crônica (síndrome dos ovários policísticos).

Menarca precoce e menopausa tardia são fatores de risco.

Mais freqüente em nuligestas.

Associado a hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e obesidade (a chamada tríade clínica).

Câncer de colo uterino:

O carcinoma invasivo surge geralmente entre 35 e 55 anos.

O principal fator de risco é, sem dúvida, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

Associado a precocidade e promiscuidade sexual.

Mais freqüente em multíparas.

Câncer de vagina:

Os tumores originados próximo do colo uterino (terço superior da vagina) seguem a epidemiologia da cervix uterina.

A infeção pelo HPV é fator de risco.

A exposição intra-uterina ao dietilestilbestrol aumenta o risco de carcinoma de células claras, com aparecimento em torno dos 20 anos de idade.

Câncer de Vulva:

Surge geralmente após os 60 anos.

A infeção pelo HPV é fator de risco.

Prevenção primária e secundária

Prevenção primária significa evitar a ocorrência de uma doença, eliminando fatores de risco ou tratando lesões precursoras, enquanto que na prevenção secundária realiza-se o diagnóstico precoce.

Os métodos diagnósticos de rastreamento devem apresentar as seguintes propriedades:

  • alta sensibilidade;
  • simplicidade;
  • baixo custo;
  • pouca invasividade;
  • boa aceitação pelas pacientes.

Na tabela 2 temos um resumo das principais formas de prevenção primária e secundária dos tumores malignos das mamas e órgãos genitais femininos.

Tabela 2 - Prevenção primária e secundária das Neoplasias malignas genitais e mamárias

Órgão

Prevenção Primária

Prevenção Secundária

Quando iniciar
Prevenção Secundária

Mama

Controle da obesidade após a menopausa, tamoxifeno para as mulheres de alto risco.

Mamografia

Após os 40 anos.

Ovário

Anticoncepcional hormonal oral

Ultra-Sonografia Transvaginal

Após os 40 anos.

Endométrio

Progestagênios, controle da obesidade.

Ultra-Sonografia Transvaginal

Após a menopausa.

Colo Uterino

Uso de condom

Citologia

Ao iniciar atividade sexual.

Vagina

Uso de condom

Citologia

Ao iniciar atividade sexual.

Vulva

Uso de condom

Vulvoscopia

Ao iniciar atividade sexual.

http://www.virtual.epm.br/material/gineco/prevca.htm

 

 


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