Imunologia/Imunidade -
Esta página já teve 133.133.223 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.659 acessos diários
home | entre em contato
 

Imunologia/Imunidade

Aspectos metabólicos e clínicos da resposta inflamatória de fase aguda

15/04/2006

A lesão tecidual que se associa com traumatismos graves, queimaduras, invasão por microorganismos e outros tipos de agressão representa um risco para a integridade do animal e determina respostas locais e sistêmicas, que visam a manutenção da homeostasia e a sobrevivência do organismo. Nesta revisão, alguns termos serão usados indistintamente, embora muitas vezes impliquem em diferentes diagnósticos clínicos ou mesmo anatomopatológicos. Dessa forma, a inflamação pode significar infecção se no local existe colonização e proliferação bacteriana, viral ou fúngica.  

O traumatismo orgânico (por exemplo causado por fraturas, queimadura, trauma cirúrgico, etc.) desencadeia o processo inflamatório e, se ocorre contaminação por microorganismos, ocorrerá infecção grave, com eventual desenvolvimento de falência de múltiplos órgãos e morte. A resposta local a agentes externos é denominada inflamação e sua manifestação clínica (dor, calor, rubor, tumor e perda da função do tecido afetado) resulta de reações neurológicas, vasculares, humorais e celulares, no local inflamado.  Tal resposta serve para destruir, enfraquecer ou barrar o agente lesivo, bem como propiciar a reconstituição e cura do tecido atingido.

O objetivo desta revisão é dar subsídios para a compreensão da resposta sistêmica à inflamação grave, denominada resposta de fase aguda (RFA), que inclui fenômenos tãos comuns na prática clínica diária, incluindo a presença de febre, anorexia, hiperglicemia, hipoalbuminemia, anemia ou emagrecimento. Pode-se dizer que essa resposta sistêmica tem por objetivos os mesmos da inflamação local, ou seja, conter ou destruir os agentes infecciosos, remover o tecido lesado e reparar o tecido afetado (Figura 1).  

Assim como a inflamação local, a  resposta de fase aguda pode ser leve, como por exemplo aquela associada a uma pequena cirurgia não complicada; pode ser intensa, como em casos de politraumatismo complicado com infecção, septicemia e desenvolvimento de falência de múltiplos órgãos.

 

A resposta metabólica à inflamação e ao estresse orgânico grave

A resposta normal à inflamação grave (e principalmente ao trauma) consiste numa série de alterações metabólicas que facilitam a recuperação do organismo e diminuem a extensão da lesão do hospedeiro. Classicamente, essa resposta inclui pelo menos duas fases bem características, sendo que a fase inicial (Ebb phase, ou Fase de Choque), há o predomínio da circulação inadequada, metabolismo anaeróbico, acidose e hiperlactiacidemia.  

Na fase seguinte (Flow phase), as alterações do metabolismo decorrem do aumento da secreção e atividade de interleucinas, catecolaminas, corticosteróides e hormônio do crescimento, com hiperinsulinemia. Após trauma (ou inflamação) grave, o hipotálamo presumivelmente recebe sinais neuronais aferentes, transmitindo estímulos como dor, hipoxia, hipotensão, medo, ansiedade, etc. 

Substâncias como a interleucina-1 (IL-1), as prostaglandinas, os fatores do complemento, corpos estranhos e endotoxina estimulam o hipotálamo, que por sua vez secreta (ou induz a secreção pancreática e da supra-renal) hormônios como o cortisol, catecolaminas, glucagon,  insulina,  ADH,  GH,  endorfinas,  etc. Outros mediadores da resposta de fase aguda podem ser visualizados no quadro em anexo. 

Alterações metabólicas associadas à RFA

  • Hiperglicemia

  • Aumento do gasto energético basal

  • Aumento do catabolismo protéico

 

Essa fase do estresse orgânico caracteriza-se pela hiperglicemia, pelo hipercatabolismo e pelo hipermetabolismo. A hiperglicemia geralmente é moderada (130 a 200 mg%) e decorre do aumento da resistência à ação periférica da insulina, fenômeno associado ao aumento da atividade de: 

O hipermetabolismo é definido pelo aumento do gasto energético e das necessidades calóricas.  Normalmente o gasto energético total (GET) de um indivíduos depende principalmente do gasto energético basal (GEB), acrescido da energia consumida durante atividade física. (Consulte tabelas sobre gasto energético associado ao exercício físico). Embora a ocorrência do hipermetabolismo seja questionada, geralmente se acredita que há correlação entre o tipo e gravidade da lesão ou trauma com a porcentagem do aumento do gasto energético do organismo (Tabela sobre gasto energético em situações de estresse). 

O hipercatabolismo refere-se às perdas teciduais associadas ao estresse, sendo indicada pela excreção anormal e excessiva de nitrogênio urinário, com balanço nitrogenado negativo. Resumidamente, pode-se descrever o metabolismo em homens sadios em jejum de 24 horas e naqueles com a síndrome da resposta de fase aguda da seguinte forma:

 

Jejum

Resposta de fase aguda

Gasto de Energia

Gliconeogênese

Síntese Protéica

Catabolismo

Oxidação de aminoácidos

Ureagênese

Subnutrição

-

Acelerada

http://www.fmtm.br/instpub/fmtm/nutrologia/aspectos_clinicos_e_metabolicos_%20da%20RFA.htm


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos