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Ortopedia/Fisioterapia/Coluna/T.O.

Luxação lateral bilateral isolada do cotovelo

19/05/2006

Acta ortop. bras. v.14 n.1 São Paulo 2006

RELATO DE CASO

 

 

 

 

Leandro José ReckersI; José Luiz Pozo RaymundoII; Renato LocksIII

IProfessor Assistente de Ortopedia da Universidade Católica de Pelotas/RS. Mestre pela UNIFESP
IIProfessor Adjunto de Ortopedia da Universidade Federal de Pelotas/RS e Universidade Católica de Pelotas/RS. Mestre em Cirurgia do Ombro pela UNIFESP
IIIAcadêmico de medicina da Universidade Federal de Pelotas/RS

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Os autores apresentam um caso de luxação lateral bilateral isolada de cotovelo em uma paciente do sexo feminino de 48 anos. Optou-se pelo tratamento conservador através de redução fechada sob anestesia geral. Ambos os cotovelos foram imobilizados com gesso axilo-palmar e mantidos a 90º de flexão por três semanas, quando se iniciou a reabilitação. No seguimento de dezoito meses observou-se boa estabilidade e recuperação do arco de movimento de ambos os cotovelos.

Descritores: Cotovelo; Luxação; Imobilização


 

 

INTRODUÇÃO

As luxações agudas do cotovelo em adultos ocorrem na grande maioria das vezes na articulação umeroulnar(1). No que diz respeito à classificação, a maioria delas refere-se à posição da ulna em relação ao úmero(2). A mais comum manifestação desta patologia é a luxação posterior, sendo que outras localizações como anterior, medial, lateral e divergente são raras(1).

Algumas lesões podem estar associadas à luxação aguda do cotovelo, tendo destaque à fratura da cabeça e do colo do rádio, a do epicôndilo medial ou lateral, e do processo coronóide(2). Duas teorias são sugeridas para explicar o mecanismo de lesão nos casos de luxação do cotovelo. A teoria da hiperextensão sugere que a lesão ocorre após a aplicação de uma carga sobre a mão com o cotovelo estendido, fazendo com que o olécrano colida com sua fossa, o que promove um mecanismo de alavanca da ulna e rádio contra suas restrições capsulares. Concomitantemente, as forças em valgo podem levam a fratura da cabeça radial. Outra teoria sugere que o deslocamento ocorra de modo que a carga seja direcionada para o antebraço com o cotovelo em uma posição fletida(2).

Nossa proposta é relatar esta rara patologia e apresentar o tratamento instituído para este caso, salientando que não foi encontrado relato de luxação lateral bilateral isolada do cotovelo na literatura especializada.

 

RELATO DE CASO

Paciente feminino, 48 anos, dona de casa, 103kg, sofreu queda com os cotovelos em extensão, passando a apresentar dor importante ao nível dos cotovelos direito e esquerdo. A paciente procurou o Serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas duas horas após o trauma. Solicitou-se radiografias dos cotovelos direito e esquerdo, nas incidências de antero-posterior (AP) e perfil.

As radiografias evidenciaram luxação lateral do cotovelo direito e esquerdo (Figura 1), sendo a paciente imediatamente encaminhada ao centro cirúrgico para redução incruenta sob anestesia geral, auxiliada pelo intensificador de imagens, minimizando assim, o risco de lesões adicionais de partes moles que pudessem comprometer a recuperação futura da paciente(1). Procedeu-se, então, a redução da luxação incruenta do cotovelo esquerdo sem intercorrências. Tal redução foi realizada por contra-tração no braço, tração distal no antebraço em extensão, e a seguir, pressão direta lateral. No entanto, ao reduzir-se o cotovelo direito, a luxação lateral foi convertida em posterior involuntariamente, sendo de imediato convertida para a posição correta. Após a redução, a paciente foi imobilizada com gesso braquio-palmar por três semanas. Ao final deste período foi levada novamente para o centro cirúrgico para realização de estresse em valgo e varo sob anestesia, sendo constatada uma boa estabilidade de ambos os cotovelos. A partir de então, a paciente foi liberada para reabilitação do cotovelo.

 

 

DISCUSSÃO

A luxação posterior ou postero-lateral é encontrada em mais de 80% de todas luxações do cotovelo(2). Quando lateral, constitui acontecimento muito raro, provocando normalmente lesão extensa de todo o compartimento medial dos tecidos moles(3).

Embora a luxação do cotovelo possa ser diagnosticada clinicamente, o edema muitas vezes obscurece os marcos ósseos em torno do cotovelo, as fraturas supracondilianas do úmero ou fraturas associadas devem ser consideradas, tornando essencial o exame radiológico(2).

O objetivo do tratamento da luxação do cotovelo é restaurar a congruência articular sem causar maiores danos aos tecidos moles(3), e devido a isto, a anestesia adequada é essencial para diminuir a força necessária à redução(2). Antes de qualquer redução deve ser realizada a avaliação neurovascular cuidadosa que documente qualquer déficit sensitivo ou motor(2). A patologia das luxações do cotovelo nunca foi claramente definida, o que justifica o fato de que vários procedimentos cirúrgicos tenham sido elaborados para o tratamento deste problema(2).

Josefsson et al(4), em 1987 mostraram os resultados obtidos através da análise do tratamento cirúrgico versus não cirúrgico da luxação do cotovelo, concluindo que não cabe o tratamento cirúrgico para uma luxação simples que possa ser reduzida por meios fechados(4).

No presente trabalho, a paciente recuperou o movimento de flexo-extensão total do cotovelo esquerdo, com boa estabilidade de valgo e varo. O cotovelo direito evoluiu com flexão total e boa estabilidade mediante ao estresse em valgo e varo, porém manteve uma limitação de extensão nos seus últimos dez graus, que pode ser atribuída ao fato de ter ocorrido a conversão da luxação lateral em posterior no momento de sua redução, o que pode ter causado um dano adicional aos tecidos moles(1). O seguimento de dezoito meses mostrou controle radiográfico dentro da normalidade, e a paciente com retorno total às suas atividades diárias (Figuras 2 e 3).

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1- Hotchkiss RN, Green DP. "Fraturas e luxações do cotovelo". In: Rockwood CA Jr, Green DP, Bucholz RW, editors. Fraturas em adultos. Tradução de Nelson Gomes de Oliveira. 3a. ed. São Paulo:Manole; 1993. p. 729-812.

2- Mckee MD, Júpiter JB. "Trauma do cotovelo adulto e fraturas do úmero distal". In: Browner BD, Júpiter JB, Levine AM, Trafton PG. editors. traumatismos do sistema musculoesqueléticos. Tradução de Osvandré Lech. 2ª ed. São Paulo: Manole, 2000. p. 1455-522.

3- Linscheid RL. "Elbow dislocations". In: Morrey BF. The elbow and its disorders. Philadelphia: Saunders; 1985. p. 414-32.

4- Josefsson PO, Gentz CF, Johnell O, Wendeberg B. Surgical versus non-surgical treatment of ligamentous injuries following dislocation of the ellbow joint. A prospective randomized study. J Bone Joint Surg Am. 1987; 69: 605-8.

 

 

Endereço para correspondência
Rua: Almirante Barroso - 1797 aptº 502, Centro
CEP: 96010-100, Pelotas/RS
E-mail: leandroreckers@uol.com.br

Trabalho recebido em: 04/07/05 aprovado em 17/08/05

 

 

Trabalho realizado na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas - RS

 

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-78522006000100009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt


 


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