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Genética/Clonagem/Terapia gênica

Descoberto o código genético do Leishmania Chagasi e tratamento fica mais próximo

03/07/2006
LIB descobre código genético do Leishmania Chagasi e tratamento fica mais próximo

O Laboratório de Imunogenética e Biologia Molecular (LIB) da Universidade Federal do Piauí (UFPI) fez uma importante descoberta que pode salvar vidas. A equipe de pesquisadores do projeto “Sequenciamento e Seqüências expressas do Leishmania Chagasi”, descobriu recentemente todo o código genético do protozoário, causador do calazar, como é popularmente conhecida a doença.

A pesquisa constatou que 60% dos gens analisados não pertencem a nenhum outro organismo, são exclusivos do Leishmania Chagasi. Segundo a cooordenadora do LIB, professora doutora de Imunologia da Ufpi, Semírames Jamil Hadad Monte, a importância da descoberta abre uma frente para novas medidas de tratamento e até um diagnóstico definitivo, no futuro.

O projeto já está na fase de constatação de dados. As seqüências produzidas do Leishmania Chagasi serão liberadas para os bancos, possivelmente para o americano GENEBANK, que fará as publicações sobre o resultado da descoberta.

“Os genes expressos do parasita facilitarão a identificação de vacinas e drogas que possibilitem o controle da doença em seres humanos e animais. A doença já foi detectada em zonas urbanas do Nordeste, Norte e até Sudeste do país, antes concentrava-se só no Nordeste”, informou Semírames hadad.

De acordo com a Gerência de Controle de Zoonoses de Teresina, o Piauí tem uma taxa alta de óbitos causados pela doença. Só em 2003, foram 16 mortes humanas de 239 casos registrados. Ainda de acordo com o órgão, em 2004 já foram registrados 104 casos até junho, com três óbitos. A coordenadora de controle de Leishmaniose Visceral, Vânia Carvalho, acredita que o número de casos e óbitos deverá ter um pequeno decréscimo, em relação a 2003. “Mas ainda consideramos os números altos”, informou.
Sabe-se que 90% dos casos de calazar se encontram no Brasil; e desses, 85% no Nordeste. O Piauí está entre os estados onde concentra um dos maiores índices da doença. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, foi constatado o maior número de casos de óbito, segundo Vânia Carvalho.

No Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela (DTNP), em Teresina, todos os dias chegam pacientes com suspeita de calazar e das muitas amostras colhidas para exames entre cinco a oito dão positivas por dia, um índice considerado alarmante pelo diretor Carlos Nery. No DTNP, os exames e tratamento são gratuitos.

Semírames Hadad informou que o projeto de sequenciamento do Leishmania pertenceu ao Projeto Genoma Nordeste – PROGENE, um trabalho em rede que surgiu há três anos, com proposta de envolver os nove estados da região. Mas por falta de verba, somente as universidades federais de Pernambuco, Piauí, Maranhão e a Universidade Estadual do Ceará, com a coordenação em Recife, continuam o projeto.

O CNPQ aprovou um outro projeto no LIB, o qual vai avaliar o uso do Miltefosine, um medicamento para o tratamento do leishmania visceral canina. O canil já está quase concluído e tem um custo de R$ 50 mil. Os animais serão tratados e acompanhados durante dois anos. “Utilizaremos critérios de efetividade do tratamento, pesquisa do parasita, acompanhamento molecular por meio do PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) do parasita e acompanhamento imunológico”, descreveu a pesquisadora.

LIB É REFERÊNCIA

O LIB coloca o Piauí no mapa científico do mundo. No Nordeste, é o mais equipado e trabalha em pé de igualdade com os grandes centros. O LIB é referência na Região e presta serviços para o Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte, no que diz respeito aos testes de histocompatibilidade, fundamentais para a realização de transplantes de rins, fígado, coração e medula óssea. O equipamento custou R$ 250 mil (ao todo o LIB custou R$ 450 mil) e foi financiado com recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico do Banco do Nordeste. Além do sequenciador, equipamentos complementares para o laboratório foram adquiridos com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para permitir o mapeamento de DNA.


CALAZAR É QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA

O calazar ou leishmaniose visceral (LV) é uma doença tropical que se caracteriza pela presença de febre, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e hipergamaglobulinemia. Sua ocorrência predominava em áreas rurais, entretanto, nos últimos anos tem ocorrido
surtos em áreas periurbanas como é o caso das cidades de São Luís, no Maranhão, Teresina, no Piauí e Natal, no Rio Grande do Norte.

Em geral, a letalidade do calazar situa-se em 10 a 15% e os dados epidemiológicos
demonstram um aumento nos coeficientes de mortalidade que passaram de 0,04/100.000 em 1980 para 0,09/100.000 em 1990 ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos. Estes dados tornam esta endemia uma prioridade de saúde pública no Brasil.

Sabe-se que a desnutrição é um fator de risco para o desenvolvimento da doença clínica nas crianças, mas pouco se tem publicado sobre o papel dos micronutrientes no calazar.
A Leishmaniose visceral acomete além do homem, canídeos, felídeos, roedores e marsupiais, sendo transmitida por flebótomos O agente etiológico da LV é um protozoário da família Trypanosomatidae, gênero Leishmania. A espécie de ocorrência mais comum no Brasil é Leishmania (leishmania) chagasi, classificada anteriormente como Leishmania donovani. Apresenta duas formas: amastígota (intracelular em vertebrados) e promastígota (tubo digestivo dos vetores invertebrados).


Reservatórios - Cão (Canis familiaris), a raposa (Dusycion vetulus), que agem como rnantenedores do ciclo da doença. O homem, também, pode ser fonte de infecção.

Modo de transmissão - Transmitida pelo inseto hematófago flebótomo Lutzomia ongipalpis. Não há transmissão pessoa a pessoa, nem animal a animal.

Período de incubação - Varia de 10 dias a 24 meses, sendo, em média, 2 a 4 meses.

Período de transmissibilidade - A principal transmissão se faz a partir dos reservatórios animais, enquanto persistir o parasitismo na pele ou no sangue circulante.

Complicações - Várias complicações são citadas por autores brasileiros e estrangeiros, as mais frequentes: afecções pleuropulmonares, geralmente precedidas de bronquites; complicações intestinais; hemorragias; traqueobronquites agudas; anemia aguda em fase adiantada da doença, podendo levar o doente ao óbito.

Diagnóstico - Clínico-epidemiológico e laboratorial. Esse último baseia-se em: a) Exame sorológico: é o de detecção mais fácil para o diagnóstico do calazar (imunofluorescência e ELISA). b) Parasitológico: realizado em material retirado preferencialmente do baço e da medula óssea, o que exige profissional treinado para praticá-lo. c) Exames inespecíficos: são importantes devido às alterações que ocorrem nas células sanguíneas e no metabolismo das proteínas; orientam o processo de cura do paciente.
 



Pesquisa vai avaliar formas de prevenção do calazar
 
Pela 1ª vez no Brasil está sendo realizada uma pesquisa que avalia os métodos de prevenção do calazar (Leishmania). Esse estudo denominado de “Projeto de Controle do Calazar em Meio Urbano”, financiado pela Fundação Nacional de Saúde, com a participação da Universidade Federal do Piauí-UFPI, da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ e pelo Centro de Controle de Zoonoses em Teresina, consiste em analisar as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde em relação à doença, atualmente o ministério preconiza as seguintes ações: a eliminação dos reservatórios domésticos (cães), o controle do vetor (mosquito transmissor, conhecido popularmente com palhinha) e tratamento dos doentes.

A pesquisa foi iniciada em janeiro deste ano, sendo dividida em três etapas. De janeiro a julho de 2004 foi a primeira etapa, a segunda etapa vai de julho até dezembro e a terceira e última etapa de janeiro a julho de 2005.Foram selecionadas dez áreas de Teresina que deverão servir como base para o estudo , são elas: Angelim, Vila Irmã Dulce, Esplanada, Porto Alegre, Itararé II, Renascença I, Gurupi, Parque Mão Santa, Santa Bárbara e Nova Teresina. Essas áreas têm em comum o fato de estar havendo um crescimento de vilas e favelas, estando localizadas em periferias da cidade e próximas ao matagal, locais considerados de risco.

As regiões analisadas foram divididas em áreas de controle funcionando assim: numa área terá a eliminação dos reservatórios, isto é, os cães; em outra ocorrerá a eliminação do vetor (mosquitos transmissores) com a borrifação de inseticidas, na terceira área deverão ser feitas as duas medidas preventivas, que é a eliminação dos reservatórios e dos vetores e a quarta região será somente observada, sem nenhuma interferência. Em todos os procedimentos ocorre o monitoramento explica Fernando Aécio de Carvalho, doutor em Imunologia pela UFMG e coordenador dessa pesquisa em Teresina.
O monitoramento consiste em pesquisa de anticorpos feita pela sorologia (coleta de sangue) e pela reação de hipersensibilidade tardia, ou seja, a inoculação do antígeno (da Leishmania) de Montenegro nas pessoas que participarão da análise . Nesse caso vai se verificar a ocorrência de alguma positividade para o calazar.

Para Fernando Aécio de Carvalho a pesquisa enfrenta algumas dificuldades no que se refere à adesão da população. “Há uma resistência dessas pessoas em relação ao projeto, no que diz respeito a sua participação na pesquisa, ou seja, algumas se recusam a doar amostras de sangue, outras não entregam o animal infectado, além de não aceitarem a borrifação de inseticidas em suas casas”, outro aspecto apontado pelo coordenado é sobre a falta de informação da população sobre os risco de saúde no que diz respeito ao calazar.


http://www.fapepi.pi.gov.br/sapiencia2/pesquisa5.php


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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