Soja - Leia: Efeito de isoflavonas de soja na síndrome de climatério
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Soja

Leia: Efeito de isoflavonas de soja na síndrome de climatério

15/11/2006

Dong Koo Yim (1)
Kyung Koo Han(2)
Manoel Baptista C. Girão(2)
Edmund Chada Baracat(2)
Cristiane Vieira Ferreira(3)


(1) Korea Research Institute of Bioscience and Biotechnology (KRIBB)
(2) Departamento de Tocoginecologia - Escola Paulista de Medicina, UNIFESP
(3) Departamento de Engenharia de Alimentos - FEA - UNICAMP.


INTRODUÇÃO

Estima-se que no Brasil a população feminina na fase de menopausa esteja em torno de 5 milhões de pessoas e o gasto hospitalar para tratar as complicações decorrentes da menopausa (como fraturas do colo de fêmur, doenças cardiovasculares e hipertensão) alcance a cifra de 84 milhões de reais, sem levar em consideração a péssima qualidade de vida destas pacientes. A grande maioria delas não faz tratamento de reposição hormonal, devido à falta de informação ou por ineficiência dos postos de saúde disponíveis e , mesmo que tendo acesso ao tratamento médico, muitas delas desistem por causa do custo elevado(em torno de R$35,00/mês) do tratamento, que geralmente dura pelo resto da vida. Encontrar uma forma barata e fácil para o tratamento da menopausa é um desafio para os cientistas, já que a expectativa de vida da população (principalmente a feminina) está em ascensão dia-a-dia.

Na dieta alimentar do século XX, a soja representa uma fonte de proteína rica (40%), gordura (20%) e, principalmente, de isoflavonas (um fitoestrógeno encontrado em grande concentração na soja). O aparecimento da soja remota há mais de cinco milênios na região da Coréia e Manchúria. Hoje, no sudeste asiático, a soja representa 20-60% da proteína ingerida pela população, na forma de queijo de soja (Dudu), sopa de soja, pasta de soja fermentada (Doenjang), leite de soja (Duyu) e extrato de soja. A isoflavona é uma alternativa terapêutica nestes casos.

As isoflavonas têm atividade estrogênica fraca e, às vêzes, anti-estrogênica. Estas substâncias já demonstraram a capacidade antiviral, anticarcinogênica, bactericida, anti-fúngica, antioxidante, antimutagê-nica, anti-hipertensiva, antinflamatória e propriedade anti-proliferativa. O consumo diário de 45 mg de isoflavona, o que corresponde a cerca de 60 g de soja, é suficiente para obter todos os benefícios desta substância.

A proposição deste trabalho foi avaliar os efeitos benéficos de isoflavona nas mulheres na fase de menopausa, com relação aos sintomas e prevenção de doenças decorrentes da síndrome de climatério.


PACIENTES E MÉTODOS

O grupo populacional foi constituído pelas pacientes assistidas na Disciplina de Ginecologia no Setor de Climatério da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM), no período de agosto de 1999 a novembro de 1999.

Foram estudadas 80 pacientes, através do estudo duplo-cego randomizado, sendo divididas em dois grupos de 40. A duração do estudo foi de 16 semanas.

o primeiro grupo (G1) recebeu 100 mg de isoflavona, na forma de cápsula diariamente, divididos em três tomadas (3 cápsulas de 33 mg), além da orientação de dieta adequada para não modificar os níveis iniciais de colesterol e glicose, supervisionado pelo Departamento da Nutrição. O segundo grupo (G2) recebeu placebo.


RESULTADOS


- Com relação aos sintomas de menopausa, avaliados pelo índice de Kupperman, 32 (82%) das pacientes do G1 melhoraram, enquanto que no G2 esse número foi 5 (12,5%). Esta diferença é estatisticamente significativa;

- Os níveis de FSH e Estradiol também sofreram modificações significantes com a diminuição de 42% e aumento de 37%, respectivamente, no G1. No G2 não houve modificações significantes;

- Os níveis de colesterol sanguíneo apresentaram diminuição em 35 pacientes do G1 que corresponde a 87,5%, enquanto que no G2 a diminuição foi de apenas em 13 pacientes (32,5%). Estes valores têm diferença estatística;

- A ultra sonografia transvaginal de controle mostrou que apenas 4 pacientes do G1 apresentaram espessamento do endométrio e 2 pacientes do G2, não tendo significância estatística;

- Do G1 18 pacientes (45%) sofreram redução do peso corporal e 3 apresentaram aumento. No G2 2 pacientes sofreram redução do peso corporal e 12 apresentaram ganho do peso. As restantes das pacientes dos dois grupos não mostraram alteração do peso significante;

- Do G1 4 pacientes relataram diminuição da libido, com o tratamento e do G2 6 pacientes relataram a mesma queixa;

- A citologia vaginal do G1 mostrou que em 28(70%) pacientes houve alteração celular presente na vigência do estrogenismo (proliferação das células de descamação vaginal). no G2 este fenômeno foi observado em apenas 3 casos.


CONCLUSÃO

Os resultados mostraram que as isoflavonas da soja constituem uma alternativa terapêutica ao tratamento dos sintomas da menopausa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- CHALLEM, J. Soy isoflavones for women´s health. Nutr. Scienc. News, 3(9), 1998

- CHIECHI, I. M. Dietary phytoestrogens in the prevention of long-term postmenopausal diseases. Intl. Journal of /Ginecology & Obstetrics, 67: 39-40, 1999

- DUNCAN, ALISSON et al. Modest hormonal effects of soy isoflavones in postmenopausal women. Journal Clin. Endocrinal Metab., 84:3479-3484, 1999

- HENDRICH, SUZANNE et al. A diet high in wheat fiber decreases the biovailability of soybean isoflavones in a single of meal fed to women. Journal Nutr., 126:871-877, 1996

- MESSINA, M. J. ; PERSKY, V.; SETCHELL, K. D.; BARNES, S. Soy intake and cancer risk: a review of the in vitro and in vivo data. Nutriition and Cancer, 21: 113-131, 1994

http://www.nutrisoy.com.br/htmls/dicas/climaterio.htm#artigo


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