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Imunologia/Imunidade

Estudo indica que vírus da gripe espanhola, provocou mais de 40 milhões de mortes por levar o organismo à uma resposta imunológica exagerada

19/01/2007
Estudo indica que vírus da gripe espanhola, causador da mais grave epidemia na história da humanidade, provocou mais de 40 milhões de mortes por levar o organismo à uma resposta imunológica exagerada (foto: CDC)

Imunidade fatal




Agência FAPESP - O vírus causador da gripe espanhola, que levou à mais grave epidemia na história da humanidade, matou cerca de 40 milhões de pessoas em 1918 e 1919, tendo infectado um terço da população mundial. Um novo estudo acaba de descobrir que o vírus da influenza A, causador da pandemia, também é letal em primatas não humanos.

Os resultados da pesquisa, descrita em artigo na edição de 18 de janeiro da revista Nature, confirmam que foi a grande virulência, atuando junto com o próprio vírus, que fez com que este se tornasse tão letal.

No estudo feito em macacos, o vírus se replicou rapidamente, causando problemas respiratórios, hemorragia e morte. De acordo com a pesquisa, liderada pelo japonês Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Tóquio e da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, o efeito fatal se deve a uma aberração na resposta imunológica inata.

“Os animais infectados acionaram uma resposta imunológica caracterizada pela desregulagem na resposta antiviral, que se mostrou insuficiente para a proteção, indicando que respostas atípicas podem contribuir para a letalidade”, escreveram. A violenta resposta destruiu os pulmões dos animais, que morreram em questão de dias.

“O estudo prova que o vírus de 1918 era realmente diferente de todos os outros tipos de vírus da gripe conhecidos”, disse Kawaoka em comunicado da Universidade de Wisconsin-Madison.

A resposta imunológica inata, primeira linha de defesa do organismo, é ativada em horas ou mesmo minutos após a infecção, atuando diretamente contra o vírus ou estimulando inflamações. No caso da gripe espanhola, o problema foi o excesso de estímulo, que fez com que o sistema imunológico dos indivíduos infectados trabalhasse além da conta.

Essa resposta violenta levou a um ataque ao próprio sistema respiratório do infectado. Com o ataque das células imunes, os pulmões se encheram de fluido e os afetados morreram como que por afogamento. De acordo com o estudo, essa resposta imunológica violenta e fatal explica por que a maioria dos mortos na pandemia de 1918 era de jovens adultos, justamente aqueles com sistemas imunológicos mais robustos.

“A estimulação excessiva da resposta imunológica inata pode ser danosa. Ela pode contribuir para a virulência de patógenos, causando excessiva infiltração dos tecidos pelas células imunes, resultando em destruição”, explicaram Yueh-Ming Loo e Michael Gale Jr., da Universidade do Texas, em comentário sobre o estudo de Kawaoka e colegas na mesma edição da Nature.

Segundo Loo e Gale, o estudo é importante para tentar entender os mecanismos por trás não apenas da influenza do pós-Primeira Guerra, mas também de outras linhagens do vírus. Preocupação que ganha força diante de exemplos como o da gripe aviária. Um caminho, segundo o novo estudo, seria atuar na proteção do sistema imunológico do infectado, o que poderia ajudar a diminuir a severidade da infecção.


Tragédia sem igual

A gripe espanhola surgiu ao final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). No Brasil, estima-se que 300 mil pessoas tenham morrido vítimas da pandemia. Entre as vítimas estava o quinto presidente brasileiro, Rodrigues Alves, que foi eleito para o segundo mandato, em 1918, e morreu em janeiro de 1919, aos 70 anos, antes de tomar posse.

Segundo o livro The great influenza: The epic story of the deadliest plague in history (Viking, 2004), de John Barry, o nome da gripe deve-se ao fato de que na Espanha, que não participou da guerra, as notícias não eram censuradas como nos países envolvidos no conflito.

Em abril de 1918, tropas francesas, britânicas e norte-americanas, estacionadas em portos de embarque na França, foram atingidas. Em maio, a doença atingiu Grécia, Espanha e Portugal. Em setembro, chegou ao continente americano.

Segundo o livro Influenza, a medicina enferma (Editora da Unicamp), da historiadora Liane Maria Bertucci, apenas na cidade de São Paulo a gripe espanhola matou em 1918 mais de 5 mil pessoas, depois de contaminar um terço de seus 528 mil habitantes.

“A gripe espanhola foi a maior epidemia da humanidade, maior que a peste negra. Em comparação com a tuberculose ou a Aids, considerando a relação tempo-quantidade de vítimas, a influenza é insuperável”, disse Liane, professora da Universidade Federal do Paraná, ao Jornal da Unicamp, em 2004.

http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=6625


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