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Câncer/Oncologia/Tumor

Uma nova arma contra o câncer

02/02/2007

 

O trabalho de inoculação e o acompanhamento dos pacientes vem sendo feito pelos médicos Milton Berger e Jorge Luiz Horst, sob a coordenação do professor Walter José Koff. Como resultado de uma parceria bem afinada entre a FK-Biotecnologia S/A, através do médico Fernando Thomé Kreutz, o Departamento de Biofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) e o Serviço de Urologia do Hospital de Clínicas, a vacina traz um método de modificação de células tumorais inédito no mundo.
O câncer de próstata é o mais comum na raça humana, atingindo um em cada seis homens e, hoje, é a segunda causa de morte por câncer no sexo masculino no Brasil – perdendo apenas para o câncer de pulmão. Estima-se que dos 18 milhões de homens com mais de 45 anos no país, 360 mil tenham a doença sem saber. No Estado, os números também são elevados. Acredita-se que, entre 1 milhão de homens com mais de 45 anos, 20 mil tenham câncer de próstata.
Segundo Kreutz, que é diretor da FK Biotecnologia S/A, empresa incubada da Cientec, uma das características mais traiçoeiras do câncer é a sua capacidade de “enganar” o sistema imunológico. Ao contrário do que ocorre com outras doenças, que colocam o sistema imunológico em ação ao menor sinal de ameaça ao organismo, no caso do câncer o sistema não identifica o perigo e a necessidade de agir, imediatamente. A estratégia de ataque à doença montada por Kreutz , é a de fornecer recursos ao sistema imunológico para que este passe a identificar as células doentes.
O método desenvolvido pelo médico passa pela retirada, através de intervenção cirúrgica, de uma parte de tecido cancerígeno do corpo do paciente. Depois disso, o material é enviado para laboratório e colocado em um meio de cultura contendo citoquina e outros nutrientes que o levam a crescer e a ganhar nova aparência. É como se o tecido fosse “pintado” e assim se tornasse “visível” ao sistema imunológico. As quantidades empregadas de citoquinas e os meios utilizados para a “pintura” ainda são guardados a sete chaves por Kreutz, que espera o resultado de um pedido de patente encaminhado em 2001.
Passados 45 dias entre cultura e “pintura”, as células recebem doses de radiação e morrem. Sua estrutura, porém, se mantém. Só então, o tecido modificado é inoculado no corpo do paciente. “O sistema imunológico é extremamente poderoso. Mas, no caso do câncer, não se consegue direcionar o sistema contra o tumor. A resposta imunológica, quando ocorre, é pequena e muito tardia. Essa vacina está baseada nesse raciocínio, fazendo com que se aumente o número de células de ajuda e de combate à doença”, explica Kreutz.
O médico acredita que, à medida em que o sistema imunológico aprender a “enxergar” o que há de errado com as células “pintadas”, também aprenderá a identificar a tempo outras células do tumor. Para ele, os resultados dos testes com os pacientes vêm superando as expectativas, e por isso aposta num futuro com resultados ainda melhores. “A vacina foi concebida como terapia, mas pode ser um primeiro passo para o desenvolvimento de uma vacina preventiva, à medida em que for se descobrindo as respostas do organismo ao tratamento”, diz o médico.
Também satisfeito com os resultados até agora apresentados, Koff destaca a importância desta descoberta ter sido feita no Brasil. “As perspectivas com essa vacina são muito boas, com a vantagem de que não estamos esperando que resultados positivos venham do exterior. Ao contrário, estamos fazendo, aqui, um trabalho de vanguarda”, diz.
Cinco pacientes já foram inoculados e outros cinco estão prontos para começar a receber as doses. Nessa primeira fase, está sendo avaliada a toxidade do tratamento. Segundo Kreutz, os efeitos colaterais são similares aos da vacina BCG, aplicada em crianças e que provocam reação local e coceira, pequena lesão ou febre. Os voluntários serão submetidos a sete doses durante seis meses: as quatro primeiras semanais, duas mensais e uma final.
A segunda fase deverá iniciar em 2004, testando a melhora dos pacientes. Para a última etapa, está previsto um trabalho abrangendo diversos hospitais de diferentes regiões do país, onde será feito um trabalho comparativo entre pacientes vacinados e não-vacinados.
As pesquisas realizadas pela FK-Biotecnologia, foram financiadas, a maior parte, com recursos próprios da empresa. A FK foi a primeira empresa de biotecnologia no Brasil a receber capital de risco (sistema em que investidores de um projeto têm como retorno ações da empresa responsável), através do Fundo de Investimento em Empresas Emergentes – RSTec, administrado pela CRP-Companhia de Participações. A empresa ainda recebe apoio da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), através do programa Inovar.

IDADE
O sinal amarelo para os homens acende com a chegada dos 50 anos. A partir daí, é essencial uma visita anual ao médico para controle. Isso porque o tempo é um dos motivadores para o surgimento do câncer de próstata. Nos últimos 20 anos, com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros – hoje é de 69 anos –, o número de casos disparou. O grande fator de risco desse tipo de câncer é a idade. E o pico de incidência é por volta dos 60 anos.
Em casos de histórico familiar, os cuidados devem começar mais cedo, aos 45 anos. E não é para menos. A estimativa é de que os riscos de câncer de próstata aumentam 2,2 vezes quando um parente de primeiro grau é acometido pelo problema; 4,9 vezes quando dois parentes de primeiro grau são portadores do tumor e 10,9 vezes quando três parentes de primeiro grau têm a doença.
Ainda não se sabe as causas, por isso o controle é o melhor remédio. O câncer de próstata, quando diagnosticado precocemente, é curável. O rastreamento passa, obrigatoriamente, por dois tipos de exames: o PSA (Antígeno Prostático Específico), uma proteína produzida exclusivamente pela próstata, que se eleva nos casos de câncer, e o exame de toque, onde o médico pode sentir se há alguma alteração. De acordo com Kreutz, apesar de ter diminuído um pouco o número de homens que relutam em fazer o exame de toque, os tabus ainda persistem. É fundamental que se faça, simultaneamente, os dois exames para a obtenção de resultados precisos.
Deixar a visita ao médico para amanhã é uma característica tipicamente masculina.O homem tende a deixar sempre as consultas para mais tarde. Mais recentemente, porém, o culto à saúde e à beleza tem contribuído para a mudança desse perfil. Hoje, é cada vez maior o número de homens que fazem um check-up anual, estimulados, muitas vezes, por companheiras atentas ou por empresas que apostam na qualidade de vida de seus funcionários.
Incluir a visita ao urologista na lista de compromissos pode fazer uma diferença definitiva. Quanto mais cedo se detectar o problema, melhores serão as condições de tratamento e as possibilidades de cura. Na maioria dos casos, quando os sintomas aparecem, o câncer já está se desenvolvendo há tempos: entre cinco e dez anos. A grande dificuldade que os médicos enfrentam no combate à doença é que o tumor apresenta células diferenciadas, ocasionando, muitas vezes, resistência às drogas ou a outros tipos de tratamento. Os principais sintomas são sangue na urina, dificuldade ou dor para urinar. O tempo também favorece a disseminação da doença, que pode atingir outras regiões do organismo.
Uma dieta alimentar rica em frutas, verduras, legumes, grãos, cereais integrais e baixo teor de gorduras, em especial as de origem animal, pode ajudar a diminuir os riscos do surgimento de câncer, como também o de outras doenças crônicas não-transmissíveis. O consumo de vegetais ricos em carotenóides – como o tomate e a cenoura – e de leguminosas – como feijões, ervilhas e soja – tem sido associado a um efeito protetor. Além disso, alguns componentes naturais dos alimentos, como a vitamina e os minerais (selênio), 7podem exercer um papel protetor.

 

http://www.ufrgs.br/jornal/abril2003/pag03.html


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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