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Primeiros socorros/Emergência

Acidentes ofídicos 1

17/06/2003

(Ismar Caetano Monteiro Junior)

        "É o acidente provocado por serpentes, peçonhentas ou não”.

        Animal peçonhento – é o animal que produz o veneno e causa intoxicação por inoculação do veneno em sua vítima. Ex: cascavel, jararaca, surucucu, corais, escorpiões, etc.

        Animal venenoso – é aquele que produz o veneno e provoca intoxicação quando ingerido. Ex: Baiacú.

        Existem, principalmente, 4 grupos de serpentes peçonhentas:

  • Bothrops – jararaca (família viperidae)
  • Lachesis – surucucu (família viperidae)
  • Crotallus – cascavel (família viperidae)
  • Micrurus – corais (família elapidae)

        O maior parte dos acidentes ofídicos é provocado por jararacas e acometem mais os adultos. Os acidentes por coral são raros, já que estas vivem em locais subterrâneos (buracos) e não dá "bote". Na Amazônia a principal espécie que produz acidente é a Bothrops atrox.

  • Classificação das serpentes quanto à presença e posição das presas:

 

  • Áglifas – não possuem presas, portanto não são peçonhentas. Ex: jibóia e sucuri
  • Opstóglifas – possuem presa na parte posterior da boca; só inoculam o veneno raramente já que a abertura da sua boca é pequena, por isso podem ser consideradas como não peçonhentas. Ex: Philotria (cobra cipó)
  • Proteróglifas – possuem presas na parte anterior da boca, que são imóveis. Ex: coral. Na Coral verdadeira o diâmetro do olho é menor do que a distância entre a base do olho e a abertura bucal.
  • Solenóglifas – possuem presas móveis na parte anterior da boca; apresentam fosseta loreal ou lacrimal. Ex: Bothrops, Crotallus e Lachesis.

    Obs: olho em fenda é característico de animal que apresenta hábito noturno

·         A partir da cauda da serpente pode-se estabelecer a diferença entre as espécies:

·         Com chocalho – cascavel

·         Escamas eriçados (arrepiadas) no final da base da cauda e sem chocalho-surucucu

·         Escamas lisas e sem chocalho – jararaca

·         Epidemiologia:

        As jararacas e corais podem ser encontradas em qualquer parte do país, isto é, são encontradas em matas primárias (virgens), secundárias e nas cidades. Já as surucucus são encontradas em locais onde existe floresta primária ou bem próxima a estes locais. As cascavéis aparecem em alguns focos no país.

  • Quadro clínico:
  • Crotallus – efeito neurotóxico, miotóxico e coagulante;
  • Bothrops – proteolítico, coagulante e hemorrágico;
  • Lachesis – proteolítico, coagulante, hemorrágico e neurotóxico;
  • Micrurus – neurotóxico;

        As serpentes pertencentes aos gêneros Micrurus e Crotallus apresentam efeito neurotóxico por bloqueio das sinapses nervosas, em contrapartida, a Lachesis provoca efeito neurotóxico por estimulação do nervo vago.

·         Classificação dos acidentes provocados por jararacas:

 

  • Leve – edema presente somente no local da picada;
  • Moderada – edema no local da picada e ascendente;
  • Grave – moderado + presença de bolhas, necroses, sangramentos abundantes, insuficiência renal, choque, etc.

Obs: a gravidade do acidente ofídico depende da quantidade de veneno inoculada.

        As manifestações sistêmicas, como cefaléia, diarréias e outros, pode estar presente em qualquer tipo de acidente ofídico. Quanto mais rápido o atendimento ao paciente acidentado, menores são as possibilidades de complicações; geralmente, quando o atendimento é realizado com um período superior às 6h, após o acidente ofídico, estão presente complicações como abscesso, necrose e insuficiência renal aguda.

·         Diagnóstico:

        Antigamente fazia-se o teste intradérmico para verificar se o paciente era alérgico ao soro que seria utilizado no tratamento, porém este teste não tem valor preditivo para verificar a presença de reação. O teste de ELISA é utilizado em pesquisa com o objetivo de identificar a espécie de serpente que foi responsável pelo acidente.

·         Tratamento:

·         Pedra negra – pedra porosa de origem africana (tratamento folclore)

·         PAU-X – espécie de solução (tratamento folclore)

·         Específico pessoa - espécie de solução (tratamento folclore)

CLASSIFICAÇÃO E Nº DE AMPOLAS

GÊNERO

ACIDENTE

LEVE

ACIDENTE

MODERADO

ACIDENTE

GRAVE

TIPO DE SORO

Bothrops

4

8

12

SAB, SABL ou SABC

Crotallus

5

10

20

SAL ou SABC

Micrurus

X

X

10

SAE

Lachesis

X

10

20

SABL ou SAL

Obs: a quantidade de soro aplicada na criança é a mesma em relação à do adulto. Em gestantes não é abortivo.

·         Pré-medicação:

·         Prometazina 25mg – 1 amp. IM (bloqueador de H1 – anti-histamínico)

·         Hidrocortisona 500mg – 1 amp. EV (bloqueia os leucotrienos)

·         Cimetidina 300mg – 1 amp. + água destilada EV (bloqueador de H2)

        Fazer a pré-medicação 20min antes da utilização do soro com o objetivo de se evitar os efeitos indesejáveis da reação de hipersensibilidade. Hoje em dia vem sendo discutido o uso dessa pré-medicação. O soro é administrado por via EV, puro ou diluído (geralmente 100ml de soro fisiológico ou glicosado), de 30 a 40 gts/min e o paciente deve ficar sob rigorosa observação para que qualquer tipo de reação de hipersensibilidade possa ser diagnosticada o mais rápido possível.

·         Como proceder em caso de acidente ofídico:

·         Manter a vítima deitada;

·         Não se deve fazer o uso de torniquetes;

·         Se a picada for no membro, este deve ficar erguido e estendido;

·         Evitar a ingestão, por parte do paciente, de substâncias como pinga, querosene ou outros, somente pode ser feita a ingestão de água;

·         Não cortar a ferida e nem aplicar produtos como café ou folhas;

·         Encaminhar a vítima à assistência médica rapidamente;

·         Prevenção: 

  • Uso de botas;
  • Proteção para as mãos;
  • Eliminação dos roedores;
  • Preservação dos predadores;


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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