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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Porfiria cutânea tardia

03/05/2007

 

 

As porfirinas resultam de deficiências das enzimas específicas da via de biossíntese do grupamento heme da hemoglobina. A porfiria cutânea tarda (PCT) é conseqüência de reduzida atividade da enzima uroporfirinogênio-descarboxilase (UROD-D), apesar da sua concentração normal. A URO-D converte uroporfirinogênio III em coproporfirinogênio III. Na forma esporádica da doença, tipo I, a atividade da enzima está reduzida em 50% nos hepatócitos mas não nos eritrócitos e, nos períodos de remissão da doença, a atividade catalítica da enzima pode tornar-se próxima do normal. Na forma familiar, tipo II, o defeito enzimático ocorre também em outros tipos de células, como os eritrócitos. Este defeito enzimático é essencial mas não suficiente para as manifestações clínicas da PCT.

Os fatores extrínsecos que modulam a expressão da doença incluem infecção pelo vírus da hepatite C (VHC), álcool, estrógenos e sobrecarga de ferro.(1) A prevalência do anticorpo do VHC varia de 62% a 100% entre os pacientes com PCT.(2,4) A freqüência da infecção pelo VHC em pacientes com PCT apresenta ampla variedade geográfica. Foi demonstrada alta prevalência (superior a 80%) do VHC na região sul da Europa (notadamente de povos de origem latina). No entanto, esta prevalência é significativamente menor em pacientes do norte da Europa e caucasianos da Oceania.(5)

A prevalência do VHC foi significativamente mais alta em pacientes com PCT do que em doadores de sangue saudáveis e controles sem doença hepática.(3) Herrero e cols. relataram que 79% dos pacientes com PCT esporádica e nenhum dos pacientes com PCT familiar eram positivos para VHC.(4) Biópsias hepáticas realizadas em pacientes com PCT e hepatite C evidenciaram alterações inflamatórias leves e graus variáveis de fibrose e esteatose. Cirrose hepática estava presente em 15% dos casos.(6,7) Em outros estudos histológicos demonstrou-se a presença de siderose com distribuição predominantemente periportal em mais de 80% dos casos e aumento do

depósito de ferro em mais de 60% dos pacientes.(9,10) Pacientes com PCT, infecção pelo VHC e cirrose hepática parecem apresentar maior risco para desenvolvimento de hepatocarcinoma quando comparados a outros grupos com cirrose hepática secundária a outras etiologias.

As manifestações clínicas da PCT caracterizam-se pelo surgimento de lesões cutâneas em áreas expostas ao sol (fotossensibilidade induzida pela luz solar), principalmente dorso das mãos e dos pés, face, antebraços e pernas. Aumento da fragilidade cutânea, secundária ao acúmulo de porfirinas no tecido subcutâneo, com conseqüente aparecimento de vesículas ou bolhas subepidérmicas que podem tornar-se hemorrágicas. Microtraumatismos podem anteceder a formação ou ocorrer após a

formação de bolhas ou causar desnudação da pele. A pele acometida normalmente cicatriza-se lentamente. O espessamento, a fibrose e a calcificação da pele são marcantes. Pigmentação, despigmentação, hirsutismo, hipertricose e esclerodermia (secundária a lesões de repetição ao longo do tempo) podem desenvolver-se com o tempo. O diagnóstico de PCT é feito em paciente com as lesões cutâneas descritas e com alterações laboratoriais demonstrando níveis elevados de uroporfirnas I e III na urina, coproporfirinas nas fezes e de porfirinas no plasma.

As opções terapêuticas incluem interrupção da ingesta alcoólica, do uso de estrogênio e do uso de suplemento de ferro.Outras opções baseiam-se na redução dos níveis de ferro do organismo. As flebotomias reduzem as reservas hepáticas de ferro as quais raramente estão muito aumentadas e ás vezes podem até estar normais. Portanto, a remissão da doença pode ser alcançada entre cinco a seis flebotomias com a retirada de 500 ml de sangue em intervalos de uma a duas semanas, até a

hemoglobina atingir 12 g/dL. Quando estão contra-indicadas as flebotomias de repetição, podem ser utilizados ciclos de cloroquina em doses baixas (125 mg via oral duas vezes por semana para adultos). A cloroquina concentra-se no fígado e forma complexos com as porfirinas em excesso e promove a sua remoção. A desferoxamina também pode ser utilizada no tratamento e em

pacientes refratários a terapêutica pode ser associada com cloroquina. Não existem dados disponíveis para tratamento com IFN em pacientes com PCT e hepatite C crônica. Pacientes com PCT devem ser testados para VHC.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

1. Gumber SC and Chopra S. Hepatitis C: A multifaceted disease: review of extrahepatic manifestations. Ann Intern Med 1995;123:615-620.

2. De Castro M et al. Hepatitis C virus antibodies and liver disease in patients with porphyria cutanea tarda. Hepatology 1993;17:551-7.

3. Fargion S et al. Hepatitis C virus antibodies and porphyria cutanea tarda: evidence of strong association. Hepatology 1992;16:1322-6.

4. Herrero C et al. Is hepatitis C virus infection a trigger of porphyria cutanea tarda? Lancet 1993;341:789-9.

5. Bonkovsky H et al. Porphyria cutanea tarda, hepatitis C, and HFE gene mutations in North America. Hepatology 1998;27:1661-9.

6. Navas S et al. Porphyria cutanea tarda, hepatitis C and B viruses infection: a retrospective sudy. Hepatology 1995;21:279-84.

7. Grossman M et al. Porphyria cutanea tarda. Clinical features and laboratory findigs in 40 patients. Amer J Med 1979;67:277.

8. Fakan F et al. Demonstration of needle-shaped hepatic inclusions in porphyria cutanea tarda using the ferric ferricyanide reduction test. Virchows Archive A 1987;411:365-8.

9. Bruguera M. Liver involvment in porphyria. Sem Dermatol 1986;5:178-85.

10. Fargion S et al. Genetic hemochromatosis in Italian pacients with porphyria cutanea tarda: possible explanation for iron overload. J Hepato 1996;24:564-9.

11. Ferri C et al. Hepatitis C virus-related autoimunity im patients with prophyria cutanea tarda. Eur J Clin Invest 1993;23:851-5.

12. Hussain I et al. The association of hepatitis C viral infection with porphyria cutanea tarda in the Lothian reion of Scotland. Clin Exp Dermatol 1996;21:283-5.

13. O’Reilly FM et al. Porphyrin metabolism in hepatitis C infection. Photodermatol Photoimmunol Photomed 1996;12:31-3.

 

 

http://www.infectologia.org.br/anexos/SPI_II%20Consenso%20tratamento%20hepatite%20C%202004.pdf

 

 

 

 

 

 

 

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