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Fertilização in vitro/Infertilidade/Reprodução

Microcirurgia em Reprodução Humana: Recanalização Tubária

17/06/2003

 

A laqueadura tubária é um método contraceptivo cirúrgico, muito praticado em nosso meio. Embora muito eficiente, a sua indicação deveria ser mais restrita, nunca em pacientes muito jovens ou casais não muito bem estruturados, onde mais freqüentemente ocorre o arrependimento e a busca pela reversão é inevitável. Se considerarmos um casal que deseja ter filhos e a mulher tem as tubas laqueadas, aparentemente poderiamos resolver esta dificuldade de duas maneiras: operá-la para a reconstrução morfo-funcional das tubas ou colocá-los em um programa de fertilização ïn vitro.

A melhor conduta será aquela que, com o menor trauma e o menor custo, ofereça as maiores chances para a gravidez e isto, só podemos concluir de maneira segura se avaliarmos o casal, indiferentemente de sabermos que a mulher tem as tubas bloqueadas cirurgicamente. Assim, se após avaliarmos o seu companheiro e chegarmos à conclusão que a quantidade e a qualidade do sêmen não são adequadas, a melhor indicação será de colocá-las num programa assistido (fertilização in vitro, ICSI), que dependerá em última instância das células dele. Por outro lado, quando o homem possui espermograma indicando que a reprodução natural é possível, os melhores resultados serão obtidos com a recanalização microcirúrgica das tubas.

Planejamento Pré-Operatório

Um exame fundamental para planejar a recanalização tubária é a histerossalpingografia. Ela nos permite avaliar a cavidade uterina e mais importante ainda, estimar o comprimento dos segmentos proximais das tubas, ou seja, os cotos proximais, que determinarão em última instância o método cirúrgico a ser empregado. Por outro lado, quando os cotos proximais forem muito longos (20% na nossa casuística), é recomendável a realização de videolaparoscopia prévia, pois a porção final das ampolas tubárias podem ter sido extirpadas, não sendo portanto uma verdadeira laqueadura tubária.

Ato Operatório

Quando nos referimos à recanalização microcirúrgica das tubas não estamos nos referindo apenas ao auxílio das lentes, mas sim, a todos os cuidados apropriados para uma cirurgia de detalhes. A hemostasia deve ser extremamente rigorosa, desde a parede abdominal até a abordagem dos cotos propriamente ditos.

Freqüentemente usamos clipes metálicos na mesosalpinge para evitar o trauma da eletrocoagulação. Quando o segmento proximal é curto (geralmente com menos de 1,5 cm de comprimento, não incluindo a porção intramural), a reconstrução deve ser feita com o auxílio do microscópio (aumento 10 a 15 vezes) e o fio é de mononáilon 9.0 com duas agulhas. Usamos 4 pontos equidistantes na muscular, depois protegemos a anastomose com alguns pontos na camada serosa com o mesmo fio. Por outro lado, quando o coto proximal é maior que 1,5 cm, geralmente trata-se da junção istmo-ampolar, com luz variando entre 2 a 4 mm e a reconstrução pode ser feita com auxílio de lupa (4,5 x de aumento) e fio prolene 7.0, com duas agulhas. Outros aspectos intra-operatório importantes referem-se à manutenção da cavidade abdominal umedecida com solução fisiológica, não introduzir nenhum corpo estranho como gazes e compressas, mas luvas sem talco e instrumentos de microcirurgia.

Evolução

Se o marido não tiver nenhum problema, a maioria das pacientes assim operadas ficará grávida em menos de 4 meses. Na nossa experiência, isto ocorre em 80% das pacientes. Se a gravidez não ocorrer até 6 meses, deve se fazer uma histerossalpingografia de controle.

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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