Ginecologia/Mulher - Tricomoníase
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Ginecologia/Mulher

Tricomoníase

17/06/2003

 

 

Introdução 

Infecção do trato genito-urinário baixo e ânus, causada pelo Trichomonas vaginalis, um protozoário oval ou piriforme, anaeróbio, flagelado, que possui movimento contínuo rotatório. Corresponde a cerca de 15% a 30% dos casos de corrimentos genitais em mulheres, sendo uma grande porcentagem assintomática. A transmissão é, na maioria das vezes, sexual. A associação com o gonococo é comum, provavelmente pela sua capacidade em fagocitá-lo. O sinergismo infeccioso com flora anaeróbia é freqüente. 

Fisiopatologia 

O protozoário encontra condições ótimas para a colonização na vagina de mulheres pós-púberes. Não há proliferação nos órgãos genitais imaturos. 

Na flora vaginal normal destacam-se os bacilos de Doderlein (Lactobacillus sp) , produtores de água oxigenada e ácido lático, a partir do glicogênio das células vaginais. Estes dois produtos diminuem o pH vaginal, mecanismo importante para inibir a proliferação de microorganismos oportunistas. 

O Trichomonas vaginalis libera aminoácidos que rapidamente se degradam em aminas alcalinas, acarretando aumento do pH vaginal, que por sua vez, inibe a proliferação de bacilos Doderlein favorecendo a manutenção de um pH vaginal elevado, ideal para seu desenvolvimento. 

Quadro clínico e diagnóstico 

A principal manifestação de vaginite por Trichomonas é o corrimento vaginal amarelo-esverdeado e fétido após 3 a 28 dias da infecção. O aspecto bolhoso depende da associação com o Micrococcus alcaligenes aerogenes. O quadro inflamatório é importante, e pode levar a disúria, dispareunia, polaciúria e dor abaixo do ventre. A sintomatologia geralmente piora após a menstruação e relação sexual, devido a elevação do pH. 

Ao exame físico, observa-se vagina e colo uterino hiperemiados e edemaciados, além do conteúdo vaginal aumentado. A colpite, de natureza focal, expressa-se clinicamente pelo colo em framboesa e pelo aspecto tigróide ao teste de Schiller . 

O diagnóstico é clinico e microscópico. O pH vaginal fica,em geral, em torno de 5,0 a 7,0 e o teste de aminas pode ser francamente positivo. O exame microscópico a fresco aqui apresenta sensibilidade pouco maior que o corado, pois permite identificar a motilidade característica do agente. Ao exame corado, o protozoário revela forma ovóide, aspecto borrado e tamanho intermediário entre os leucócitos e as células epiteliais de descamação. Os polimorfonucleados são numerosos e, os lactobacilos, escassos. Eventualmente, as alterações nucleares podem ser intensas e simular alterações coilocitóticas ou displásicas, que regridem por completo após tratamento adequado. 

Tratamento 

A terapia específica consiste no emprego dos nitroimidazólicos, tópico e sistemático. Prefere-se o uso oral pela maior biodisponibilidade da droga e por ser a infecção não apenas genital, como também uretral e vesical; daí a necessidade de terapêutica sistêmica. Empregam-se os derivados 5-nitroimidazólicos tópicos, dos quais os mais eficazes são o metronidazol, o tinidazol, o ornidazol e o secnidazol, na dose de 2,0 gramas, pôr via oral, em uma única dose. O parceiro deve ser igualmente tratado, sendo este na maioria das vezes assintomático. A resistência aos imidazólicos é relativa e dose-dependente, bastando, em geral, repetir o tratamento. Como medidas terapêuticas coadjuvantes, indica-se a acidificação do meio vaginal e a embrocação com mercurocromo, na fase aguda e na gravidez. 

Na gestação, aconselha-se clotrimazol tópico, de eficácia moderada (cura em 40-60% dos casos). Porém deve ser contra-indicada no primeiro trimestre e evitada no segundo e terceiro trimestres.. Na nutriz, pode ser empregado esta medicação ou os derivados nitroimidazólicos, tendo-se o cuidado, no último caso de interromper a amamentação por 24 horas. 

OBS: A metronidazol tem efeito dissulfiram-like e, por isso, a paciente deve evitar a ingesta de álcool.
 
Referências Bibliográficas  
 1. Morse, Stephen A.; Moreland, Adele A. Atlas de doenças sexualmente transmissíveis e AIDS, 2a.edição.
 2. Alchorne, M.M.A.; Alchorne, A.O.A. Doenças tegumentares dos genitais

 

Gloria Martinez 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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