Vascular/Cirurgia Vascular/Circulação - Carótidas
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Vascular/Cirurgia Vascular/Circulação

Carótidas

19/06/2003

 




    
As artérias carótidas são vasos sangüíneos que levam sangue arterial do coração para o cérebro. Cada indivíduo tem duas artérias carótidas. Elas têm sua origem no tórax (arco aórtico); passam através do pescoço, uma de cada lado, até alcançar o crânio.

    Além dessas duas importantes artérias, existem duas artérias menores na parte posterior do pescoço que também levam sangue para o cérebro: as artérias vertebrais.
As artérias do lado E do pescoço levam sangue para o lado E do cérebro e vice e versa. Existe, entretanto comunicação entre as carótidas D e E dentro do crânio.

   O lado E do cérebro controla os movimentos e sensações do lado D do corpo e vice e versa.
    A principal causa de obstrução das artérias carótidas é a doença aterosclerótica. A aterosclerose é uma doença que pode acometer todas as artérias do corpo. Quando acomete as coronárias pode gerar infarto agudo do miocárdio, quando afeta as artérias renais gera insuficiencia renal; quando afeta artérias de perna pode causar gangrena e quando acomete as carótidas pode gerar o "Derrame" (Acidente Vascular Cerebral).

    A maioria dos pacientes com sub-oclusões moderadas não apresentam nenhum sintoma devido a adaptação de fluxo pelas artérias vertebrais.
    O grande problema das sub-oclusões de artéria carótida é que as placas de ateroma são irregulares e apresentam acúmulo de coágulos que podem se desprender e serem levadas com o fluxo sangüíneo até o cérebro, aonde vão causar interrupções de pequenos vasos (Embolia Cerebral).


    Outro problema freqüente é a oclusão abrupta de uma área previamente estenosada, que geralmente leva a quadros de isquemia cerebral mais graves e irreversíveis.

Manifestações Clínicas




Existem dois quadros clínicos decorrentes de doença carotidea:
O Ataque Isquemico Transitório e o Derrame (isquemia definitiva).


   
 Ataque Isquemico Transitório

    O ataque isquemico transitório ocorre devido ao desprendimento de parte da placa ou coágulo (localizada na carótida) que vai se alojar numa pequena artéria no cérebro e causar quadro de isquemia.

    Esses coágulos podem ser rapidamente dissolvidos pelo próprio organismo; o fluxo sangüíneo retorna adequadamente a essa área e se não houve morte cerebral os tecidos voltam ao normal. Os sintomas desaparecem em alguns minutos ou horas. Os pacientes voltam ao normal em menos de 24 horas.

    Ocorre paralisia e perda de sensibilidade na perna, braço ou face em apenas um dos lados (D ou E) por alguns minutos ou horas. Muitas vezes a função da fala é afetada.


    Derrame (AVC)

    Ocorre quando o suprimento sangüíneo para uma área do cérebro é abolido definitivamente. O coágulo não regride.
    Geralmente há uma melhora do quadro motor após alguns dias e regressão (melhora) nos primeiros meses após o derrame.
O comprometimento clínico é variável, podendo ser leve (pequena diminuição de força) até severo (paralisia completa de um lado do corpo e perda da fala).
    Quando a área de isquemia é muito intensa, o derrame pode afetar regiões de controle vital e o paciente pode não sobreviver ao quadro.
Pacientes que apresentam derrame necessitam de cuidados especiais, geralmente em hospital.
    A cirurgia realizada na carótida após o derrame não tem a função de melhorar a circulação, cito que a área cerebral não é mais viável.

Diagnóstico




    O diagnóstico precoce de DAO carotidea é muito importante.


    Ultrassom de Doppler

    As artérias carótidas podem ser visibilizadas e estudadas de forma não invasiva, sem dor nenhuma, utilizando-se de modernos aparelhos de ultrassonografia, chamados Duplex Scan.

    Em um exame que demora ao redor de 30 minutos, são obtidas imagens das carótidas que possibilitam localizar e medir os diferentes graus de obstrução. O médico que realiza o exame pode fornecer com segurança ao paciente se a obstrução é maior ou menor que 60%.

Evolução dos pacientes com sub-oclusão




    Nos últimos 10 anos alguns estudos com grande número de casos vêm sendo realizados com o intuito de conhecer a evolução natural dos pacientes com sub-oclusão carotídea.


    Antiagregantes

    Os primeiros estudos realizados ainda na década de 80, demonstravam que pacientes tratados com AAS tinham menos chance de desenvolver Derrame que aqueles que não recebiam a droga. Isso se deve ao fato do AAS diminuir a agregação plaquetária tornando o sangue menos coagulável, diminuindo assim o risco de formação de trombos. A partir de então pacientes com doença carotídea passaram a ser tratados com AAS.
Outros antiagregantes plaquetários também podem ser usados, especialmente nos pacientes com doença Gástrica.

    No início da década de 90 dois grandes estudos multicêntricos (que envolvem várias instituições); um na Europa e outro nos EUA, compararam a cirurgia de desobstrução da carótida com a Aspirina.
Nos pacientes que eram portadores de Ataque Isquêmico Transitório, verificou-se que os pacientes que usaram AAS apresentam um risco de 26% de desenvolver Derrame após 3 anos de acompanhamento. A cirurgia diminuiu o risco de ocorrência de Derrame para 9% nos indivíduos com obstruções maiores que 70%.

    Nos pacientes que eram portadores de Estenose Assintomática de Carótida, verificou-se que os pacientes que usavam AAS apresentavam risco de 11% de desenvolver Derrame. A cirurgia diminuiu o risco de ocorrência de Derrame para 5%.

 Endarterectomia de Carótida

    A cirurgia consiste na retirada da placa de ateroma e trombos que obstrui parcialmente a artéria, sob visualização direta.
Retirando a placa e os trombos a artéria vai ficar totalmente aberta, havendo aumento de fluxo sangüíneo para o cérebro e reduzindo o risco de formação de novos trombos, descolamento e migração para o cérebro.


    A cirurgia pode ser feita sob anestesia geral ou mesmo local. Trata-se de cirurgia delicada, com risco de complicações graves em até 3% dos pacientes, especialmente no dia da cirurgia.
A principal complicação é o Derrame.


   
 Correção Endovascular

    No início da década de 90, um novo método passou a ser empregado para a correção da estenose carotídea: Correção Endovascular.
Uma endoprótese é introduzida na carótida através da artéria femoral ou pela própria carótida, evitando-se manipulação direta da lesão.

    Essa técnica vem se desenvolvendo de forma muito rápida, não pode ser utilizada em todos os casos e ainda não oferece resultados adequados quando comparados aos da cirurgia convencional.
Essa técnica é menos invasiva e oferece menor tempo de internação, entretanto ainda é muito cara e depende de aparelhagem disponível em poucos centros médicos.

www.carotida.com.br


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