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Meio Ambiente/Ecologia

ÁGUA

04/03/2003

 


A água é, sem dúvida, o mais comum e mais importante de todos os compostos. Graças às propriedades da água, a vida foi capaz de surgir e se desenvolver em nosso planeta. Estas propriedades são extremamente peculiares: a água sólida (gelo) é menos densa do que o líquido - por esta razão, o gelo bóia sobre a água líquida. Embora extremamente trivial, é exatamente o oposto do observado na grande maioria das substâncias. E, graças a esta habilidade, os peixes e plantas de lagos e rios que congelam, no inverno, não morrem, pois a capa de gelo que se forma SOBRE o lago funciona como uma barreira de proteção contra o frio. Se o gelo fosse mais denso, os peixes teriam um piso congelado, embaixo, e acima uma atmosfera fria. Uma situação muito mais sinistra!
O simples fato da água ser líquida à temperatura ambiente já é completamente intrigante. Todos os compostos análogos à molécula H 2 O são gases. Se não conhecessemos a água, certamente iriamos deduzir que ela seria um gás, e iria se tornar líquido somente em temperaturas muito inferiores a 0 oC. Isto é extremamente importante para que ela possa ser usada por organismos vivos; além de promover a vida diretamente, ainda serve como meio de transporte, para recreação, e como um habitat para plantas e animais. Como é facilmente transformada em vapor (gás), pode ser transferida, pela atmosfera, dos oceanos até os continentes, onde pode precipitar sobre a forma de chuva.


 


A água é tão importante, que os gregos antigos consideravam-na como sendo um dos elementos fundamentais da matéria. Aristóteles achava que a água fosse um dos quatro elementos fundamentais. Por mais de 2000 anos ainda pensou-se que a água era um elemento; somente no século 18 é que experimentos evidenciaram que a água era um composto, formado por hidrogênio e oxigênio. Mesmo assim, reflita: a água está presente nas montanhas, na atmosfera, nas rochas, nos pássaros, nas formigas, nos oceanos... de certo modo, os gregos não estavam tão enganados!


Cerca de 97% de toda a água encontrada na superfície de nosso planeta está nos oceanos. Como a população dos continentes está aumentando, a demanda por água fresca cresce a cada ano. Processos de purificação e reciclagem da água tornam-se cada vez mais importantes. A água exibe uma capacidade de dissolver compostos, tanto iônicos como moleculares, como nenhum outro líquido exibe. A água dos oceanos não pode ser consumida, pois deve ser dessalinizada. Os processos mais comuns são o de destilação, troca iônica (onde os íons são substituídos por H + e OH - , que se combinam e formam H 2 O) e osmose reversa. Todos são processos caros, que tornam a purificação da água do mar economicamente inviável.


 


O estado líquido da água tem uma estrutura complexa e dinâmica, que envolve associação entre as moléculas. A forte e extensa ligação hidrogênio entre as moléculas (vide quadro) produz um valor muito alto de certas propriedades físicas, tais como temperatura de ebulição, viscosidade, tensão superficial, calor específico, entre outros. Se comparado com análogos, a temperatura de ebulição da água deveria ser -200 o C! A água, também, é um dos líquidos com a maior tensão superficial conhecida - que faz com que as gotas sejam esféricas e que alguns insetos possam caminhar sobre ela. Por capilaridade, a água consegue subir até a mais alta folha e uma árvore, contrariando a atração gravitacional da Terra. A estrutura do vapor (gás) da água é mais simples: as moléculas estão relativamente distantes e independentes uma das outras.


 








Uma das propriedades mais importantes da água líquida é a sua capacidade de dissolver substâncias polares ou iônicas para formar soluções aquosas. O oceano, o sangue ou uma xícara de chá são exemplos de soluções aquosas. Todas as reações que ocorrem em nosso organismo se dão em soluções aquosas. A interação entre as moléculas do solvente (água) e as do soluto é que são responsáveis pelo processo de solubilização: quando uma substância iônica é dissolvida em água, os cátions são atraídos pelo lado "negativo" da molécula de água e os ânions pelos lados "positivos". Este processo é chamado de hidratação. A hidratação dos íons é que promove a "quebra" do retículo cristalino da substância iônica, ou seja, a dissolução: as forças existentes entre os cátions e ânions no sólido (ligação iônica) são substituidas por forças entre a água e os íons.


Muitos compostos não iônicos também são solúveis em água. É o caso de, por exemplo, do etanol. A cerveja, o vinho e a cachaça são exemplos de misturas homogêneas entre água e etanol. Esta molécula contém uma ligação polar O-H tal como a água. Isto permite à molécula fazer ligações intermoleculares com a água.









O açúcar não é uma substância iônica - é molecular. Mas, mesmo assim, dissolve-se em água. Isto ocorre porque, tal como a água, a sacarose é uma molécula polar, isto é, com regiões "carregadas" negativa e positivamente. Neste caso, a interação com a água é do tipo dipolo-dipolo; como a sacarose contém grupos -OH, também ocorre ligação hidrogênio entre as moléculas de sacarose e de água. Isto promove a sua solubilização na fase aquosa. Você já pensou nisso enquanto adoça o seu café? :)


Existem muitas substâncias, entretanto, que não são solúveis em água. Um exemplo é a gordura: a natureza não-polar de suas moléculas as torna incompatíveis com as moléculas polares de água. Uma regra geral para a solubilidade é que "o semelhante dissolve o semelhante", isto é, moléculas polares são miscíveis com moléculas polares, e apolares com moléculas apolares.


 







 


As propriedades da água, entretanto, são completamente diferentes em condições de alta temperatura e pressão. Acima de 300 o C, em altas pressões, a água líquida é capaz de dissolver muitos compostos apolares. Mais diferente ainda é a água quando a pressão for igual ou maior de 218 atm e a temperatura maior do que 374 o C (temperatura crítica): a água se torna um fluído supercrítico. Nestas condições, a água reune propriedades de seu gás (tal como a densidade) e de seu líquido (capacidade de dissolução). Além de dissolver substâncias polares e iônicas, a água supercrítica é capaz de dissolver praticamente todos os compostos apolares. Uma das aplicações é na destruição de lixos tóxicos: a água supercrítica é misturada com os resíduos orgânicos e gás oxigênio; iniciado a chama, a combustão ocorre "embaixo" d'água! Isto só é possível graças às propriedades tipo-gás da água supercrítica e de sua capacidade de dissolver os resíduos.

A molécula de água também é especial por participar de muitas reações orgânicas e inorgânicas. Várias delas resultam da habilidade que a água tem em se comportar tanto como um ácido (doador de prótons) como uma base (receptora de prótons). De fato, em 1 litro de água pura, não existem apenas moléculas de água: ocorrem também 1 x 10 -7 mol de íons H 3 O + (aq) e 1 x 10 -7 mol de íons OH - (aq) . Estes íons são o produto da reação abaixo, que é a equação para a auto-ionização da água:
H 2 O (l) + H 2 O (l) H 3 O + (aq) + OH - (aq)
O íon H 3 O + é chamado de íon hidrônio. É justamente na sua concentração que a escala de pH de uma solução é baseada: quanto maior a concentração de íons hidrônio, menor o valor de pH e, consequentemente, mais ácida é a solução. Quando um ácido, tal como o HCl ou o ácido acético, são adicionados à solução, tanto a água como o ácido contribuem para a formação e elevação da concentração de íons hidrônio. Uma base, por outro lado, neutraliza os íons H 3 O + , diminuindo a sua concentração e aumentanto o valor de pH.
A água é capaz de promover a ionização de compostos moleculares. O ácido acético, por exemplo, é um composto molecular. Mas, em água, algumas moléculas se ionizam, gerando o íon acetato e H 3 O + . A equação química ao lado ilustra o processo da dissociação do ácido acético em água. Nesta reação, a molécula de água participa ligando-se covalentemente ao hidrogênio (o próton, H + ) da hidroxila do ácido acético. Em outras reações, a água pode fazer exatamente o oposto: ceder um próton! É o que acontece na reação com a amônia, ilustrada na figura ao lado. A molécula de amônia, agora, é quem recebe o próton, atuando como uma base. A água, neste caso, comporta-se como um ácido. Como vemos, a água pode se comportar tanto como um ácido ou como uma base: por isso, é chamada de anfótera. (Este termo, "anfótero", foi recentemente utilizado por FHC ao referir-se a certos políticos brasileiros...)


 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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