Gravidez/Parto/Obstetrícia - Saiba mais sobre a placenta
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Gravidez/Parto/Obstetrícia

Saiba mais sobre a placenta

28/02/2008

PLACENTA

 

 

A Placenta é uma estrutura fundamental para o desenvolvimento fetal. Tem a capacidade de órgão endócrino, assume o papel dos rins, pulmões e intestinos, depurando catabólitos, oxigenando e nutrindo o concepto. É a estrutura fetal em contato mais íntimo com o organismo materno, invadindo a decídua e promovendo modificações fundamentais na hemodinâmica uterina, além de produzir substâncias como as gonadotrofinas, que interagem diretamente com o organismo materno permitindo o desenvolvimento de um ser estranho de maneira harmônica.

 

A ultra-sonografia é um método não invasivo, que permite o estudo de diversos parâmetros placentários desde a sua formação.

 

EMBRIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO

 

Após a concepção, o ovo passa por sucessivas divisões, transitando pela trompa em direção ao útero, configurando-se em mórula, depois em blástula. As células do polo interno da blástula darão origem ao embrião, alantóide e vesículas vitelínica e amniótica; as células do revestimento externo constituem o trofoblasto.

 

A gravidez inicia-se com a nidação da blástula entre o 6o e 8o dia pós concepção,  completando-se no 11o dia.

 

Observa-se nesta fase uma diferenciação do trofoblasto em duas camadas de células : uma externa composta por células fundidas compartilhando o mesmo citoplasma, formando uma massa plasmodial semeada de núcleos (sincicio) e com grande poder invasor, chamada de sinciciotrofoblasto e outra interna, com células bem individualizadas e claras, o citotrofoblasto.

 

A invasão do sinciciotrofoblasto no tecido decidual determina uma erosão de vasos e glândulas, formando espaços lacunares contendo sangue materno e secreções endometriais, que nutre o embrião, inicialmente por difusão. Estes espaços são a base do espaço interviloso.

 

Alguns autores têm sugerido que estes espaços não contêm sangue materno, mas apenas um filtrado plasmático devido à obstruções das arteríolas espiraladas por “plugs” de células trofoblásticas. A passagem do sangue e portanto o estabelecimento de uma circulação hemocorial, ocorreria mais tarde, entre a 12a e 14a semanas.

 

Rapidamente o citotrofoblasto emite digitação para estes espaços (vilo primário), logo acompanhados pelo mesênquima extra-embrionário (vilo secundário). Ao redor do 15o dia após a fecundação começam a aparecer capilares nestas digitações, passando-se a chamar vilo terciário.

 

Estes vilos subdividem-se por toda a superfície do saco gestacional. Ao ultra-som é possível observarmos, a partir da 4,5 - 5 semanas, a presença do saco gestacional e do trofoblasto, representado por um anel ecogênico periférico.

 

Por volta da 8a semana, devido à expansão ovular, apenas a porção vilosa em contato com a decídua basal recebe nutrição adequada, proliferando-se e formando o córion frondoso, que será o corpo placentário; as demais porções em contato com a decídua capsular atrofiam, dando origem ao córion liso.

 

Ramos vilosos do córion frondoso subdividem-se durante toda a gestação, formando aproximadamente 50 a 60 cotilédones, cada um                     derivado de um vilo primário. Cada cotilédone posteriormente se subdivide em até 5 lóbulos.

 

Durante o 3o mês pregas na placa decidual basal se elevam formando septos que subdividem a árvore vilosa em 15 a 20 lobos, que não têm significado funcional e são errôneamente chamados de cotilédones.

 

A placenta  aumenta de volume até o início do terceiro trimestre, atingindo um platô ao redor da 30a semana; madura, pesa em média 488 gramas apresentando uma superfície vilosa de aproximadamente 11 a 14 m2, ou 3,98 a 4,33 m2/kg de peso fetal (bastante acima da área pulmonar do adulto que é de 1,28 m2/kg). Alguns distúrbios alteram esta relação, como a hipertensão arterial e isoimunizações.

 

Próximo ao termo observa-se uma discreta redução na superfície vilosa e no volume da placenta.

 

A superfície fetal da placenta, representada pelo córion, é chamada de placa corial, onde podemos observar vasos fetais. A porção em contato com a face materna  é chamada de placa basal. Aproximadamente 80 a 100 artérias espiraladas abrem-se na placa basal, próximas às regiões centrais dos lobos, suprindo o espaço interviloso com sangue materno. Estas arteríolas espiraladas encontram-se superficialmente erodidas pela invasão trofoblástica ocorrida na fase de implantação ovular. Uma segunda onda de invasão trofoblástica ocorre no 2o trimestre, determinando uma destruição das camadas elásticas das arteríolas espiraladas até a sua junção com as artérias radiais. Esta Remodelação permite o aumento de fluxo de 50 cc na 10a semana para 500-600 cc ao termo; como o espaço interviloso na placenta madura comporta aproximadamente 150 ml, sua renovação se dá de 3 a 4 vezes por  minuto.

 

ASPECTOS ULTRA-SONOGRÁFICOS

 

Podemos observar a placenta desde as fases mais precoces da gestação, entre a 4a e 5a semanas, através da ultra-sonografia transvaginal, quando observamos um anel ecogênico circundando o saco gestacional. Nesta fase já é possível avaliarmos o sítio de implantação , que corresponderá ao folheto endometrial que contém o saco gestacional. Na 8a semana já se observa uma nítida diferenciação entre a placenta e o cório liso.

 

A distensão progressiva do útero faz com que a área de implantação placentária torne-se relativamente menor conforme a progressão da gestação. Na 20a semana a placenta ocupa uma área de aproximadamente 25% da superfície uterina enquanto que ao termo, aproximadamente 12,5%. Esta distensão uterina é mais acentuada na porção istmica, o que provoca a falsa impressão de migração placentária, particularmente nas de inserção mais inferiores. Devido a este fenômeno reservamos o diagnóstico de placenta prévia para as observações realizadas no terceiro trimestre (salvo as centro-totais). A placenta madura mede aproximadamente 20 cm de diâmetro e 4 cm de espessura.

 

O limite de separação entre a placa basal e o miométrio é por vezes sutil embora a ecotextura placentária seja diferente da miometrial que é menos ecogenica.

 

Em placentas posteriores o reforço acústico causado pelo líquido amniótico e, nas anteriores, a reverberação dos planos superficiais, podem dificultar a distinção desta interface.

 

O miométrio adjacente à placenta apresenta dilatações venosas, facilmente observáveis quando as placentas apresentam inserção lateral e posterior. O complexo venoso retroplacentário quando bem visível permite uma distinção entre a placenta e o miométrio.

 

Estas dilatações podem por vezes ser muito proeminentes, não permitindo a observação da faixa muscular miometrial; particularmente próximo à inserção do pedículo vascular uterino nas regiões laterais baixas. Devemos observar cuisadosamente evitando de fazer diagnóstico errôneo do hematoma retroplacentário.

 

TEXTURA

O aspecto ecogênico da placenta é decorrente dos ecos provindos da árvore vilosa e dos septos imersos no espaço interviloso; a granulação é fina e a textura homogênea durante a primeira metade da gestação.

Na segunda metade da gestação observamos diversas alterações na textura placentária, com o aparecimento de áreas hipoecóicas superficiais e internas, ondulações na placa corial e deposição de material ecogênico, particularmente o cálcio.

 

Estas variações texturais podem corresponder a processos normais e devem ser distinguidas de processos patológicos:

 

Áreas hipoecóicas ou anecóicas subcoriais : representam áreas de estase sanguínea com fluxos muito lentos que podem determinar tromboses e deposição de fibrina. São áreas destituídas de vilos e costumam regredir com a aproximação do termo. Com frequência é possível observarmos movimentação das partículas hemáticas na ultra-sonografia de tempo real. Depósitos de geléia de Warton também apresentam aspecto de lojas anecóides retrocoriônicas.

 

Áreas hipoecóicas ou anecóicas intraplacentárias: a ejeção de sangue materno  pelas arteríolas espiraladas pode determinar áreas de baixa concentração de vilos, em geral no centro dos lobos placentários (lagos venosos). Em algumas pacientes, geralmente em fetos macrossômicos e nas hipertensas, podemos observar estas áreas em todos os lobos da placenta; nestes casos observamos com frequência um reforço ecogênico periférico, que deve corresponder à árvore vilosa comprimida. A turbulência e a estase de sangue materno no espaço interviloso pode levar a acúmulos de fibrina neste espaço. Praticamente todas as placentas apresentam certo grau destes depósitos. Quando estes depósitos obliteram áreas vilosas, estas podem tornar-se fibróticas e avasculares acarretando focos hiperecogênico.

 

Trombose intervilosa : lesões causadas por rotura de capilares vilosos com sangramentos fetais no espaço interviloso, estas lesões da árvore vilosa usualmente são pequenas e determinam pequenas áreas císticas razoavelmente definidas ao ultra-som no interior da placenta, e são encontrados em aproximadamente 36% das placentas a termo.

 

Com  o tempo ocorre deposição laminada de fibrina, englobando a porção vilosa correspondente.

 

Embora de pouco risco para o feto, diversos autores têm demonstrado nestes casos uma elevação de AFP materna. Observa-se também uma associação com isoimunizações, podendo ser uma causa de exposição da mãe ao sangue fetal durante a gestação.

 

CALCIFICAÇÕES

 

O fenômeno de deposição de cálcio na placenta ocorre durante toda a gestação; é microscópico no início da gestação podendo tornar-se macroscópico no terceiro trimestre.

 

Uma associação entre calcificação placentária e idade gestacional tem sido observada desde os primeiros estudos placentários. Foi GRANNUM em 1979 quem primeiro propôs uma classificação em graus de maturidade de acordo com a calcificação placentária vista ao US.

 

Grau 0 é a placenta homogênea, placa corial lisa e ausência de sinais de calcificação.

 

Grau I é a placenta com placa corial ondulada, apresentando calcificações esparsas intra placentárias, principalmente na camada basal.

 

Grau II é a placenta que apresenta a placa basal calcificada e porções septais parcialmente calcificadas.

 

Grau III é quando a calcificação ocorre em todo o compartimento lobar, determinando uma imagem em anel.

 

A placenta grau zero é a placenta de primeiro trimestre, a grau I pode ser observada desde o 2o trimestre, a placenta grau II não costuma ser observada antes da 30a semana e é a mais frequente no momento do parto, seguido do grau III e I.

 

A placenta grau III, encontrada apenas em 40 - 50% dos fetos a termo, costuma aparecer após a 35a semana.

 

Embora em seu trabalho original Grannum tenha demonstrado um aumento progressivo na maturação pulmonar (relação lecitina/esfingomielina) de acordo com a elevação no grau placentário e maturidade pulmonar em 100% dos fetos com placenta grau III, diversos outros autores não tem demonstrado a mesma correlação. HARMAN estudando 563 pacientes encontrou maturidade pulmonar (L/S > 2) em 16,7% dos fetos com placenta grau 0, 68,5% com placenta grau I, 90,7% em fetos com placenta grau II e 93,1% com placenta grau III, não observando diferença significativa quanto a maturidade entre as placentas grau II e III.

 

Provavelmente mais importante que a tentativa de avaliação da maturidade pulmonar, é a associação entre a calcificação placentária precoce e a possibilidade de desenvolvimento de retardo de crescimento intra-uterino (por exemplo : placenta grau II antes da 32a semana e grau III antes da 34 semana).

 

Observa-se também uma correlação entre calcificação precoce e determinadas patologias como a hipertensão arterial  e tabagismo independente do desenvolvimento de RCIU. A isoimunização e o diabetes são condições associadas ao retardo na calcificação placentária.

 

 

FORMA E DIMENSÕES

 

A placenta, pela própria embriologia e aspecto estrutural, é um órgão com grande variação de forma; a região de implantação, a disponibilidade vascular da decídua, o grau de involução do córion liso e descolamentos parciais, principalmente no primeiro trimestre são os principais responsáveis pela grande diversidade de formas e tamanho do disco placentário.

 

A forma mais comum é a de um disco ovalado, levemente irregular com aproximadamente 20 cm de diâmetro ao termo. Em 3 a 8% das gestações a involução do córion associado à decídua capsular não ocorre completamente, persistindo então áreas focais de tecido placentário isolados do disco principal, os lobos acessórios (succenturiado). É de grande interesse clínico, o reconhecimento desta condição pois no momento da dequitação pode haver retenção deste lobo, levando a complicações hemorrágicas e infecções.

 

Tais lobos acessórios comunicam-se com a massa principal através de vasos que correm entre as membranas. Estes vasos podem ocupar a região do orifício cervical, o que pode ser causa de hemorragias.

 

O diagnóstico ultra-sonográfico, desta condição nem sempre é simples, necessitando de diferenciar-se com contrações miometriais focais, miomas uterinos e hematomas subcoriônicos.

 

PLACENTA EXTRACORIAL

 

Junto ao bordo placentário as membranas corial e amniótica  se fundem, determinando uma faixa de tecido claro que circunda a margem placentária.

 

Em aproximadamente 20% das gestações, a invasão decidual do vilo se dá lateralmente aos bordos da região de implantação, o que leva a um crescimento centrifugado da árvore vilosa que, associado a um crescimento da decídua sobre a face placentária fetal, determinam que uma parte da placenta fique com cobertura direta pelo amnio de tal forma que apenas uma porção central da placenta pode ser denominada placa corial sendo que o restante da placenta é extra-corial. Outros acreditam que descolamentos marginais repetidos com formações de coágulos e subsequentes retrações seriam a causa do desenvolvimento destas placentas. Macroscopicamente o que se observa é que a linha marginal de fusão cório amniótica está internalizada em relação aos bordos da placenta. De acordo com o grau de internalização podemos descrever a placenta  como circunmarginal (menos intenso) e circunvallata (mais intenso). Em contraste com a circunmarginal, a circuvallata é rara (1-2% das gestações), e pode trazer complicações hemorrágicas por descolamento.

 

ACRETISMO

 

A implantação do ovo humano se dá por um mecanismo de invasão trofoblástica do tecido decidual.  Em condições normais  esta invasão acomete toda a espessura da porção compacta, superficial da decídua. A porção esponjosa profunda da decídua, responsável pela clivagem no momento da dequitação não é alcançada. Quando esta invasão ocorre de maneira descontrolada (provavelmente por deficiência decidual), alcançando tecidos profundos, estamos frente a um caso de acretismo placentário.

 

A placenta é acreta quando está aderida à porção profunda da decídua ou à superfície miometrial, mantendo, mesmo que irregular, um plano de clivagem. Increta é quando a placenta penetra o miométrio e percreta é quando atinge a região da superfície interna. Nestes dois casos não há planos de clivagem, apresentando grande morbidade no puerpério.

 

Esta subdivisão é teórica visto que podemos observar graus diferentes de invasão em territórios distintos da placenta. O termo acretismo placentário engloba as três subdivisões. O diagnóstico ultra-sonográfico desta entidade baseia-se na observação do tecido miometrial retroplacentário, não demonstrando o complexo venoso retroplacentário e o miométrio basal. Podemos observar ainda uma irregularidade na espessura do miométrio basal, com área mais finas e outras mais espessas ou ainda ausência do miométrio, com grandes dilatações venosas na superfície uterina, no interior da placenta e na parede vesical. Todos estes sinais são de detecção mais fácil quanto as placentas são anteriores. Praticamente todos os casos de placenta acreta são relacionados com implantações em locais de pouco desenvolvimento decidual como as inserções córmicas e baixas.

 

As cicatrizes de cesárea e as lesões pós curetagem aumentam a probabilidade de acretismo placentário.

 

É boa norma pesquisar detidamente estes sinais em todas as placentas de inserção baixa, em todos os 6 casos descritos por Mendonça observava-se a inserção baixa.

 

PLACENTA PRÉVIA

 

Placenta prévia é uma entidade relacionada com a interposição da placenta ao canal de parto, ocorrendo em 1/200 partos. Somente com a distensão da porção segmentar do útero, no trabalho de parto será possível avaliar uma placenta como prévia, com excessão feita as que recobrem o orifício cervical parcial ou total. Não raro observamos à ultra-sonografia, placenta cujos bordos encontram-se muito próximos ao orifício cervical, é prudente, salvo as excessões acima mencionadas, utilizarmos o termo placenta de inserção baixa, visto que com frequência no desenvolvimento normal da gestação, devido ao crescimento do útero, diversas placentas inicialmente baixas passam a ocupar regiões distintas do segmento uterino.

 

Fatores como multiparidade, idade materna ou cicatrizes uterinas aumentam a incidência de placentas prévias.

 

Sangramento indolor é o principal sintoma nas placentas prévias e ocorrem com maior frequência no terceiro trimestre, devido ao afinamento e distensão do seguimento uterino que provoca a ruptura de veias marginais e descolamento da margem placentária, mecanismo análogo ao descolamento ovular parcial que ocorre no 1o trimestre fenômeno, fisiológico que previne a placentação prévia.

 

Alguns cuidados devem ser tomados no diagnóstico de placentação baixa pois a repleção vesical, contrações uterina ou polo cefálico insinuado podem levar a erros diagnósticos. A distensão urinária pode comprimir a porção inferior do útero, alongando artificialmente a imagem do colo uterino. Contrações focais podem  simular placentas baixas ou alterar a forma do seguimento, sugerindo um colo uterino falsamente longo. O polo cefálico insinuado pode não permitir a observação da borda placentário inferior, não permitindo o seu diagnóstico.

 

A maneira mais segura de se diagnosticar a placenta prévia é através da ultra-sonografia transvaginal, que permite nitidamente a observação do orifício cervical e sua relação com a placenta. Evidentemente o exame deverá ser realizado com cuidado, evitando-se manipulações intempestivas visto que as placentas centro totais podem causar grandes hemorragias.

 

TAMANHO E ESPESSURA

 

O volume placentário é provavelmente o melhor parâmetro para análise de dimensão placentária, Blecker estudando longitudinalmente o volume placentário por medidas ultrassonográficas demonstrou um aumento do volume até a 30a - 32a semanas, quando passa a haver uma leve redução. Estes achados coincidem com a observação de redução de espessura observada no final do terceiro trimestre. A determinação do volume placentário exige cálculos razoavelmente complexos e equipamentos de varredura estática, estando hoje em desuso.

 

Atualmente utilizamos a medida da espessura placentária na tentativa de diagnósticos de placentomegalia e placentas pequenas.

 

Hoddik e cols. observaram que a espessura placentária não era superior a 2 cm até a 10a semana, 3 cm até a 20a semana e 4,5 cm até a 40a semana e que a espessura era tanto maior quanto menor a área de implantação, e tanto mais finas quanto maiores a área de implantação demonstrando que o volume tende a ser mantido.

 

Um aumento placentário é associado a condições relacionadas a edemas, a hiperfluxos no espaço interviloso ou a congestão da árvore vilosa como na isoimunização, anemia materna severa, talassemia, infecções intra-uterinas, placentites, transfusão feto-fetal, hidropsia fetal e anomalias cromossômicas.

 

Placentas pequenas não indicam necessariamente uma diminuição de sua função visto que a reserva funcional placentária é muito grande e que parte significativa do volume placentário é decorrente do espaço interviloso que não necessariamente precisa ser grande, sendo mais importante a sua taxa de renovação. Como o volume placentário guarda uma relação com o tamanho fetal, é esperada uma placenta pequena em fetos pequenos. Placentas normalmente pequenas podem ser observadas em casos de RCIU, infecções crônicas e anomalias cromossômicas. No entanto, apesar de   cativante, a idéia de que uma placenta fina levaria ao retardo de crescimento não pode ser comprovada cientificamente.

 

DESCOLAMENTO PLACENTÁRIO

 

Sangramentos vaginais são eventos relativamente comuns durante a gestação, causando grau de ansiedade tanto materna quanto do obstetra, sendo uma fonte importante de exames ultra-sonográficos, principalmente no início da gestação.

 

Devemos distinguir duas entidades basicamente distintas : o quadro clássico de descolamento prematuro da placenta normalmente inserida (DPPNI) do quadro de descolamento marginal com hematoma subcorial.

 

No DPPNI ocorre, principalmente no 3o trimestre, um desprendimento abrupto com extensa hemorragia retroplacentária, levando a um quadro de dor aguda, útero hipertônico, sangramento vaginal (nem sempre manifesto) e desenvolvimento de choque hipovolêmico. O descolamento de mais de 30% da placenta priva o concepto de suas necessidades básicas, sendo necessária imediata interrupção da gravidez, com alta mortalidade fetal. A perda sanguínea e a sua infiltração entre as fibras miometriais podem levar a um quadro de hipotonia uterina e coagulação intravascular disseminada, responsáveis pela alta mortalidade materna. É uma entidade pouco comum, estando associada à hipertensão materna e a problemas vasculares. Pelo fato de ser aguda e emergente, raramente procede-se à ultra-sonografia que demonstra uma coleção retroplacentária de dimensões variáveis, em geral extensa com ecogenicidade variável (textura de sangue) comumentemente hiperecogênica, podendo às vezes ser hipoecogênica, quando é isoecogênica pode similar uma placenta espessa.

 

Os descolamentos marginais podem ocorrer em qualquer fase da gestação, sendo mais comuns no início, nas placentas cujas inserções estejam próximas às regiões baixas do útero.

 

O desenvolvimento do saco gestacional determina um deslizamento das paredes uterinas, principalmente nas porções istmicas, que pode acarretar na rotura de conecções decíduo placentárias e sangramentos. Em geral estas ocorrem junto ao bordo inferior da placenta e a área descolada se atrofia, tornando-se parte do cório liso.

 

A não ocorrência deste descolamento seria uma causa importante na gênese da placentação prévia, daí usarmos o termo descolamento ovular fisiológico. Quando o descolamento ocorre em fases precoces, pode haver acúmulo de sangue na cavidade uterina, circundando o saco gestacional, dando a falsa impressão de descolamento extenso do ovo.

 

O doppler colorido, demonstrando a presença dos fluxos retrotrofoblásticos junto à porção placentária normalmente inserida e a presença de movimentação fetal são fatores de bom prognóstico. Algumas pacientes, notadamente nas primeiras semanas, podem apresentar intensa secreção de muco na cavidade uterina, podendo similar quadros de coleção hemática por descolamentos. Nestes casos não se observa sangramentos e ao exame transvaginal pode-se observar a placenta totalmente inserida.

 

A grande maioria dos descolamentos marginais é destituída de maiores riscos para a gravidez. Alguns autores têm mostrado maior morbidade quando os hematomas são mais extensos (+ de 60 ml) ou mais de 40% do volume do saco gestacional, quando a porcentagem de placenta descolada é alta e quando ocorre após a 20a semana.

 

ALTERAÇÕES ANORMAIS NA MORFOLOGIA

 

INFARTOS PLACENTÁRIOS

 

Os infartos placentários são lesões muito frequentes encontrados em mais de 25% das placentas normais a termo. Macroscopicamente têm a forma de triângulo com a base voltada para o lado materno, sendo secundário à interrupção de suprimento sanguíneo materno. Quando pequenos e acometendo pouca área placentária não têm significado clínico. Quando acomete mais de 10% da placenta associa-se à retardo de crescimento e hipóxia fetal, não pela área acometida em si, visto que a placenta tem grande reserva funcional, mas pela própria patologia de base, geralmente a hipertensão arterial ou patologia vascular avançada.

 

Ao ultra-som dificilmente observamos infartos placentários, a menos que apresentem hemorragias ou fibroses, visto que  a árvore vilosa desvitalizada, banhada em sangue no espaço interviloso,  mantém as mesmas propriedades de reflexão sonora.

 

Quando ocorrem tromboses podemos observar um padrão hipoecogênico ou anecóide; caso haja fibrose o padrão pode tornar-se ecogênico; no entanto estes padrões são indistinguidos da trombose intervilosa.

 

 

 

TUMORES

 

Três tipos de tumoração podem ser detectadas na placenta. Os tumores de origem extrínseca e os de origem placentária tanto de origem de células trofoblástica quanto de  células do estroma.

 

As tumorações extrínsecas são extremamente raras. Existem descrições de metástases de carcinomas e melanomas em espaço interviloso e nas vilosidades. Não há descrição de neoplasias de origem decidual. A leucemia materna é a neoplasia extrínseca mais frequente encontrada na placenta. Em 2% das gestantes com leucemia encontram-se células blásticas e lesões placentárias, embora não ovulares.

 

As tumorações do tecido trofoblástico são as mais frequentes e representam os quadros de mola (neoplasia trofoblástica gestacional) descrito em capítulo à parte.

 

O estroma placentário pode originar corangiomas (hemangiomas) e muito raramente teratomas.

 

Os corangiomas (ou corioangiomas) são detectados em até 1% das placentas; embora sejam considerados por alguns como neoplasia benigna dos vasos coriais, provavelmente representam malformação (hamartomas) e não propriamente neoplasias, visto que as vezes são múltiplos, não metastatizam e apresentam tecidos de linhagem distintos. É constituída por um emaranhado de capilares e vasos mais calibrosos, com formação cavernosa associados a hiperplasia conjuntivo-mixóide, geralmente encapsulados em tecido fibroso. Às vezes há calcificações e hemorragias, assemelhando-se à trombose intervilosa.. As dimensões podem ser desde microscópica até maiores que 20 cm, embora não seja comum ultrapassarem a 4 cm. 

 

A frequência de detecção dos corioangiomas pelo ultra-som é de aproximadamente 1:3500 gestações. Exibem padrão nodular bem demarcado,  sólidos ou complexos, podendo ser desde hipo até hiperecogênico, em geral localizam-se junto a placa corial, protruindo para a face fetal, comumente próximos à inserção do cordão. Quando pequenos e intra-placentários são de difícil detecção.

 

O diagnóstico diferencial principal deve ser feito com hemorragia subcorial ou intervilosa. O doppler pode revelar fluxos arteriais nos corioangiomas enquanto que nas hemorragias, não se detecta tal tipo de fluxo.

 

Em geral são tumores benignos, porém, quando grandes podem se comportar como fístulas artério-venosas levando a retardo de crescimento, insuficiência cardíaca fetal com polihidrâmnio e hidropisia, podendo ocasionar parto prematuro de morte fetal.

 

CISTOS

 

Imagens císticas são observadas frequentemente nas placentas, podendo localizar-se no interior do parênquima e nas regiões sub-coriais. Os primeiros encontram-se próximos à placa corial e podem representar cistos na região apical dos septos deciduais, provavelmente devido a obstrução de veias de drenagem, ou a cistos decorrentes da degeneração de focos de tecido corial com desintegração líquido ou gelatinosa.

 

Os cistos subcoriais são observados junto aos bordos placentários, fazendo saliência na superfície fetal, igualmente podem conter material gelatinoso ou líquido.

 

Ao ultra-som são indistinguíveis dos hematomas subcoriais e das tromboses peri e intravilosas.

 

 

Fonte:

 

http://www.uszp.com.br/trabalhos_cientificos/Placenta1.htm

 

 

 


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